<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570</id><updated>2011-10-30T22:24:46.371Z</updated><category term='moinho; madrugada'/><category term='maternidade;parto'/><category term='Petim; orgulho; sandálias velhas;'/><category term='Passarinhos'/><category term='abafado; alma do outro mundo.'/><category term='alfândega; rossio;de cujus; ossadas;rossio;'/><category term='Notas; liceu; professoras'/><category term='Natal; cabaninha; formigos; Menino Jesus'/><category term='saldada a dívida'/><category term='gomito; cabaneiro; trave; corte'/><category term='Pascoa; Compasso;botar'/><category term='violência conjugal. fussa'/><category term='piaçaba'/><category term='volúpia;sensual; libidinoso'/><category term='Natal; Alf; série; prendas'/><category term='Imaginação; estuque'/><category term='Morte'/><category term='Lápide; Flor; gatilho; castelâ;'/><category term='Bailes'/><category term='fustigou'/><category term='Cacheadeira; médium; mediunidade; experiências;Sete Cidades'/><category term='colhão de galo; fatões; chita; estrear;'/><category term='sonho'/><category term='obstipada; chapeu domingueiro;cagado; cánula'/><category term='marés'/><category term='Boneca; Santa Tecla;'/><category term='quinteiro;esparrela;alpergatas;cabaneirice;alcova;'/><category term='fisga'/><category term='Boi Bento; dentada;'/><category term='bambalhona; humanidade;baluartes;'/><category term='malagueta; papagaio;'/><category term='Joly; combalido; Santo António; Advogado;'/><category term='Santos Populares; vitorinos; filar.'/><category term='pedófilo;apicultor; guarda;'/><category term='Bruxo da Ponte;facadas;cruzes;'/><category term='Chafariz;hexagonal;regato;espreguiçadeiras;espirrava'/><category term='certã'/><category term='arrochadinho;apessoado;muletas'/><category term='freira; insidiosa; intencionada'/><category term='murro'/><category term='Reincarnação;'/><category term='Hospede; candeia;'/><category term='adrenalina'/><category term='fueiro; esfacelar;satanás'/><category term='sinal; mata-bicho; rastas; malgas; debulhar;cãs'/><title type='text'>Os contos de marya</title><subtitle type='html'>Gosto de histórias. De preferência reais, do quotidiano, de gente normal e anormal. Com piada ou apenas absurdas...
Gosto de contar histórias, ainda que inventadas às vezes...
Gosto de ouvir histórias.
A vida é uma história que cada um compõe de acordo com as suas vontades, os seus perfumes, as suas fantasias.
Eu faço história. Eu sou uma pequena história.
Daí este espaço que pretendo tenha uma história.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-7310595315939673334</id><published>2011-08-19T23:51:00.003+01:00</published><updated>2011-08-20T20:59:38.993+01:00</updated><title type='text'>Pontos de vista diferentes...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-p73zHlLc2RI/Tk7q9CBdpDI/AAAAAAAAAHY/u28M4zJOnBw/s1600/100_2597.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-p73zHlLc2RI/Tk7q9CBdpDI/AAAAAAAAAHY/u28M4zJOnBw/s320/100_2597.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5642705717377737778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida é como uma janela! Dela podemos visualizar  muitas coisas ou coisa nenhuma!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinham passado mais ou menos dez anos desde que se conheceram. Tinha sido "amor à primeira vista", não se sabendo muito bem se era, de fato, amor ou apenas o apelo a uma união, porque um já cansado da má vida e outra sedenta de uma vida boa, desejavam mudar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Casaram e viveram como a maioria dos casais da época. Pouco sexo, muita discussão e nenhuma razão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nasceram dois filhos dessa união e tardiamente veio outro. Ainda os primeiros eram crianças e a união tornou-se insustentável. Faltava quase tudo: amizade, companheirismo, cortesia, fidelidade, respeito...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era inevitável a separação, mas na hora da decisão final surgiram os imprevistos. Estes, intransponíveis: não havia apoio familiar, ninguém queria "meter a colher", não era justo, não era bonito, os pais dela não a queriam divorciada, os dele já não existiam, faltavam recursos econômicos e era fatal como o destino que, assim, tinham que se gramar a vida toda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembravam as promessas de casamento: amar, ser fiel, até à hora da morte!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lindo, mas inconcretisável.  Só uma de duas soluções era possível nesse quadro familiar: deixar tudo para trás ou aguentar até onde fosse possível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi o que aconteceu até ao desaparecimento de um deles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era bom, muito bom, que durante esses longos e infernáveis anos de vida em comum, alguma coisa fosse possível alterar.  Mas não foi. Aguentaram, é o termo. Valeu a pena? Claro que valeu! O que seria da família se qualquer deles desistisse do contrato? A ruína, a falência familiar ou simplesmente uma enorme dor de não terem inventado outra solução!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A "janela" estava aberta mas a "paisagem" era monótona. Era uma perspetiva! Podia ser outra. Qualquer outra.  Tinham que inventar uma "nova paisagem". Por momentos foi possível, com recurso a muita coragem e também sacrifício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-7310595315939673334?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/7310595315939673334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/08/pontos-de-vista-diferentes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7310595315939673334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7310595315939673334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/08/pontos-de-vista-diferentes.html' title='Pontos de vista diferentes...'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-p73zHlLc2RI/Tk7q9CBdpDI/AAAAAAAAAHY/u28M4zJOnBw/s72-c/100_2597.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-5703727960713931253</id><published>2011-05-12T19:58:00.005+01:00</published><updated>2011-05-15T23:06:38.717+01:00</updated><title type='text'>Há 38 anos!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-j2PqfPp2Rc4/Tcwt4HhLRXI/AAAAAAAAAHM/eZHmRtBQlRU/s1600/images.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 124px; height: 80px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-j2PqfPp2Rc4/Tcwt4HhLRXI/AAAAAAAAAHM/eZHmRtBQlRU/s320/images.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5605906078283548018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram umas cinco da tarde, mais ou menos. Estavam sentados na sala de espera do Hospital da Trindade, os futuros pais, os cunhado e irmã da parturiente, e a parteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;i&gt;Então? Não sentiu nenhuma contração, enquanto estivemos aqui?&lt;/i&gt;  Disse a parteira com um sorriso à futura mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;i&gt;Não. Nada&lt;/i&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;i&gt;Temos que provocar o parto. Essa criança já deveria estar cá fora!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorrisos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A parteira olhou para o seu relógio de pulso e passou-lhe uma leve preocupação pela fisionomia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;i&gt;Vamos para a sala de partos! &lt;/i&gt;Sentenciou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os homens disseram que iam até ao clube enquanto a criança não nascesse. Caso fosse necessário viriam de imediato. Mas ia correr tudo bem, por isso poderiam ir descansados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saíram sorridentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sala de partos do hospital era igual a todas as outras. Branca, com uma cama de ferro branca, uma mesa branca e só o suporte do soro, tinha uma armação metálica. Era mesmo um quarto de hospital. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A parteira preparou a futura mãe e colocou-lhe na veia da mão esquerda uma agulha ligada a um tubo. O soro começou a cair gota a gota.   Muito lentamente...  A parteira disse que ia ao hospital do Terço ver outra parturiente, enquanto o soro fazia efeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A futura mãe inquietou-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;i&gt; E quando volta? &lt;/i&gt;Suspirou a mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;i&gt;Não demoro nada&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;A outra senhora também está com soro há mais de duas horas e provavelmente ainda não nasce para já.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;i&gt;E se me acontece qualquer coisa?&lt;/i&gt; Insistiu a mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;i&gt; Nah! Não está sozinha. Tem aqui a sua irmã e se for necessário venho a correr. Não se preocupe!&lt;/i&gt; Preparou-se para sair... Voltou atrás para dizer:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;i&gt;Descanse! O soro leva tempo a atuar!! &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficou relaxada, mas inquieta. Bem, sempre tinha a sua irmã...Ao menos isso!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respirava profundamente,  sentindo cada movimento do seu corpo e interiorizando os movimentos do bebé que ia nascer. A parteira já tinha saído há minutos. Não teria tempo de sair do hospital. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira contração forte surgiu, sem dor, sem medo, espontaneamente como se a criança estivesse pronta para nascer depressa, muito depressa! Tão depressa que a futura mãe disse aflita para a irmã que fosse a correr chamar a parteira. Já não havia muito tempo pela frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A parteira estava à porta prontinha para abandonar o local e não acreditou no que ouvia! Era impossível que o soro já tivesse atuado tão rapidamente. Perante a insistência da irmã, voltou à sala e foi verificar o estado da parturiente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse mesmo momento surgiu a segunda contração e de tal modo forte que a mãe só teve tempo de dobrar os joelhos e apoiar-se na barra da cabeceira da cama, com força. A parteira só teve tempo para passar vaselina pelas mãos e alargar num movimento rápido de rotação a vagina para facilitar o nascimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À terceira contração,  nasceu!  Um rapaz com 57 cms e 4,400 Kgr de peso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após o "apgar" a parteira colocou o bebé sobre o peito da mãe, que com uma enorme curiosidade, "inspecionou" o seu filho, tal qual uma fêmea de quatro patas. Era perfeito, mas  o tempo excessivo de gestação fê-lo ficar como um velhinho, todo enrugado. A mãe ficou preocupada, mas a parteira disse que era normal e em pouco tempo teria uma pele lisinha e saudável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela criança nascera em 15 minutos e foi um parto sem dor. Nasceu tranquilamente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltou para o quarto com o seu bebé e lá ficou até ao dia seguinte. Durante a primeira noite o seu filho sentiu imensa fome o que o fez chupar toda a noite no seu dedo polegar,  com um ruído muito característico. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De madrugada sentiu fortes dores no baixo ventre e tinha uma vontade enorme de urinar, mas não saia nada. Chamou uma enfermeira. Apareceu uma freira. Disse-lhe o que sentia e que não era normal. Mas a enfermeira/freira respondeu que podia ser normal. Qualquer resto de placenta ou indisposição intestinal...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se seguiu foi doloroso, muito doloroso. A dita enfermeira resolveu apertar-lhe o ventre. Ao fazê-lo de forma brusca e grosseira a mãe soltou o maior grito da sua vida. A dor lancinante parecia ter-lhe rasgado as entranhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo passou e mãe e filho regressaram a casa. Ela vinha com o mesmo peso que tinha com a criança dentro da barriga e inchada de tal forma que quase não conseguia abrir os olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O médico assistente foi a casa e não queria acreditar no que via. O diagnóstico era mau, muito mau. Ao fazer o toque verificou que tinha uma enorme infecção na uretra, responsável pelas dores e inchaço e, provavelmente, adquirida por negligência da parteira na hora do parto e pela falta de higiene no processo de expulsão do feto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi medicada com Paraxine e Lasix. Mas as esperanças de melhoras eram remotas. Dado os dias que tinham passado não se sabia se aquele tratamento era o adequado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mãe olhou para o filho e pela primeira vez sentiu que podia estar seriamente em risco a sua vida e o futuro do seu filho. Pegou nele e colocou-o ao peito. Mamou serenamente e percebeu-se que o leite não o saciava. Recorreu-se a um suplemento de leite da farmácia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dias passaram e os líquidos foram saindo lentamente. A medicação estava a fazer efeito e acreditou que se tratava de um milagre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preferia ter sentido as "dores" do parto!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uns dias mais tarde  tudo voltou ao normal. Mãe e filho estavam bem, uma lutando pela saúde de antes e o outro lutando para viver, crescendo lindo e tranquilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;i&gt;Afinal vou ter mesmo que te aturar!!! Não é desta que morro...E tu vê se te comportas como um homenzinho...sim?? &lt;/i&gt; Disse a mãe para o filho que parecia entender perfeitamente o que ouvia!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele filho tinha sido tão desejado! Aos 12 meses  foi batizado com o nome do avô paterno. Um homem que a morte levou ainda muito novo de ataque cardíaco. Era uma pessoa excelente. Nunca foi visto mal disposto, zangado ou a reclamar do que quer que fosse. Foi primeiro violino na Orquesta Sinfónica do Porto e toda a sua vida foi pautada pela seriedade e honestidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi um exemplo para muitas pessoas,  pese embora não tenha sido seguido, como deveria ser, pelos que lhe eram mais próximos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi há 38 anos, mas parece que foi ontem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-5703727960713931253?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/5703727960713931253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/05/ha-38-anos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5703727960713931253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5703727960713931253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/05/ha-38-anos.html' title='Há 38 anos!'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-j2PqfPp2Rc4/Tcwt4HhLRXI/AAAAAAAAAHM/eZHmRtBQlRU/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-6285853073212672226</id><published>2011-03-29T23:37:00.006+01:00</published><updated>2011-10-08T20:54:51.612+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Morte'/><title type='text'>A Morte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uhjMWbhaleg/TZJfiJTMD9I/AAAAAAAAAHE/4lrB-bGorBs/s1600/100_2570.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-uhjMWbhaleg/TZJfiJTMD9I/AAAAAAAAAHE/4lrB-bGorBs/s320/100_2570.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589635127736799186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vez, muito tempo atrás, viu uma alma que não lhe parecia deste Mundo. Magro, olhos encovados, curvado sobre si, apoiado numa bengala, esperava pacientemente entrar para a Igreja e sentar-se como sempre no último banco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era visto todos os dias Santos, ao Domingo e sempre que cerimônias religiosas se realizavam na pequena igreja da aldeia onde vivia. Rezava muito e em todas as cerimônias usava um tercinho preto com uma medalhinha de lata com Nossa Senhora de Fátima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizia com graça, que era para que Deus o recebesse contente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certo dia faltou à Missa do Domingo e a sua ausência obrigou a um murmurinho abafado entre as comadres da frente, que a todo o tempo olhavam para o lugar que ele, quase sempre ocupava, no dito banco de trás. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim da Missa alguém perguntou pela alma ausente e ninguém sabia o motivo da falta ao ato religioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivia só, com um cão de guarda, tão velho quanto ele e da família só se sabia que emigrara há muito tempo para o Canadá e nunca mais haviam regressado à aldeia. Por isso mesmo, aquela alma, tinha estampado no rosto uma profunda tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passada uma semana, repara-se de novo a sua ausência na Missa e as outras almas começam a ficar preocupadas. Já haviam batido na porta da casa dele, mas ninguém respondera, nem o cão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram falar com o padre que aconselhou a chamar uma entidade oficial para arrombar a porta da casa, caso ele não desse sinal de vida. Pois, podia ter morrido ou estaria doente e sem possibilidade de abrir a porta. Também podia ter ido a algum lado, ou estaria com alguém de fora. Sabe-se lá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O melhor era ir ver o que se passava com aquela alma de Deus e aguardar por notícias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A população resolveu seguir o conselho do padre e procuraram na Junta de Freguesia a pessoa indicada para ir ao local onde vivia o dito senhor. Foi o presidente que foi escolhido, porque na verdade mais ninguém havia para tal ato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegados ao local, bateram na porta, chamaram, bateram palmas, atiraram pedrinhas à janela, de tudo foi feito para chamar aquela alma. Mas nada! Tudo num silêncio sepulcral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só havia um remédio: chamar a guarda porque o presidente da junta não tinha poderes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim se passou mais um dia e entraram na segunda semana de ausência de corpo e de notícias do pobre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Senhor Guarda veio com um ferreiro para rebentar com a fechadura, caso fosse necessário. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim foi, como não havia resposta o melhor era mesmo arrombar a porta. E lá se abriu a dita. Chamando, lá foram entrando como ratos em cozinha fechada, em fila indiana, uns atrás dos outros, cagados de medo porque não adivinhavam o que iriam encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entraram pela cozinha, primeiro compartimento da casa e nada! Passaram à sala, onde era recebido o Compasso pela Páscoa, e nada! Passaram às alcovas...vazias e arrumadas como se ninguém ali tivesse dormido nos últimos séculos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada, mesmo nada! Onde se teria metido? Estranharam tal "sumisso". De repente alguém se lembra que poderia estar no campo atrás da casa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixaram a casa aberta e como coelhos saíram à procura da alminha perdida! Mas no campo também não estava!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há muito tempo que ninguém morria naquela aldeia e por isso há muito tempo que ninguém passava pelo cemitério. Seria possível ter ido para lá? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal coisa parecia descabida, mas na verdade ninguém podia adivinhar o paradeiro do homem e do seu cão. Sem parentes, sem ninguém só podia estar perdido...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Regressaram aos seus lares, pensativos, incrédulos com a novidade do desaparecimento raro de uma pessoa aparentemente sã física e mentalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia seguinte toda a aldeia já sabia que o homem desaparecera. Alguém lançou mais confusão quando disse que se calhar tinha sido raptado ou levado por um "obni". O quê? Que raio é isso?. Mas ficou-se sem explicação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E os dias foram passando sem que ninguém descobrisse o paradeiro daquela alma de Deus!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucos dias depois a Tia Maria morreu de velhice. O coveiro foi abrir a vala para ali ser enterrada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao entrar no cemitério, reparou num vulto de preto jazendo no mesmo local onde seria enterrada a Tia Maria. Aproximou-se e reparou atônito que se tratava do homem desaparecido. Não aparentava ter morrido há muito tempo... Talvez um ou dois dias, no máximo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tocou os sinos como se de fogo se tratasse e num instante toda a aldeia se reuniu no adro da Igreja a perguntar onde era a desgraça...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A alminha do homem tinha partido também. Agora eram dois a enterrar e o cão também. A morte não é senão um estádio da vida, vem quando menos se espera e acontece em qualquer lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-6285853073212672226?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/6285853073212672226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/03/morte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6285853073212672226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6285853073212672226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/03/morte.html' title='A Morte'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-uhjMWbhaleg/TZJfiJTMD9I/AAAAAAAAAHE/4lrB-bGorBs/s72-c/100_2570.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-5588492356469955130</id><published>2011-02-02T20:41:00.002Z</published><updated>2011-02-02T21:18:41.285Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fisga'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='certã'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adrenalina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Passarinhos'/><title type='text'>Os Passarinhos e os predadores</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TUnBrL9ZDDI/AAAAAAAAAG8/H90qNv-AypI/s1600/passarinhos.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TUnBrL9ZDDI/AAAAAAAAAG8/H90qNv-AypI/s320/passarinhos.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569195361909148722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda se sentia um frio de Inverno, mas toda a natureza gritava pela Primavera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meia dúzia de putos entre os cindo e os sete anos, preparavam-se para mais um dia de aventuras, descalços, cheios de fome, mas muito alegres e bem dispostos. Não havia muito por onde escolher. Ou jogavam às escondidas, à cabra-cega, à bola, ou iam fisgar os pássaros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A única rapariga do grupo, perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fisgar os pobres pássaros? Para quê? Isso é alguma brincadeira?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A resposta não se fez esperar. Ir aos pássaros não era propriamente um brincadeira, mas uma forma de matar a fome. Se algum deles caísse ao chão, sempre se fritava e mesmo que não desse para todos, algo mais se arranjaria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rapariga retorquiu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Sois mesmo xouxos. Os pássaros são tão pequeninos que nem dão para a cova de um dente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a maioria aprovou a matança e todos desenbolsaram a sua fisga. A passarada pressentiu o perigo e deambulou de galho em galho, rodopiando sem pressa sobre a copa das árvores. Era muito difícil fisgá-los em movimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num incessante "olha ali",  "aquele, aquele", "qual?", "não vejo", "onde está?", a pequenada corria como doidos de um lado para o outro. De vez em quando saía uma asneira de algum que quase acertou, mas não acertou!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim se passaram as horas e se aproximava o toque do sino da Igreja para anunciar  o meio-dia. Todos paravam para rezar a oração respectiva. "O Anjo anunciou a Maria e Ela respondeu: Faça-se em mim, segundo a Tua Palavra. Avé Maria"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As fisgas não deram resultado pelo que optaram em mandar umas pedrinhas certeiras às árvores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rapariga interviu novamente:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se o meu avô vos vê, temos barulho pela certa. Ele não gosta que atirem pedras às arvores, porque se estragam as flores e depois não há frutos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cala-te! Tu aqui não mandas nada. Se apanharmos um pássaro és tu que o vais fritar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim tu. São as raparigas que cozinham, não são os rapazes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas eu nem sei arranjar os pássaros. Nunca comemos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso é comigo. Eu depeno. Tu fritas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rapariga não estava a gostar nada da situação. Felizmente que os seus avós chegariam tarde, porque tinham ido à Vila tratar de assuntos importantes, mas já estava a ver a confusão que ia dar todo aquele rancho de esfomeados a depenar os pássaros para depois serem fritos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não ia dar certo, por certo, mas tanta responsabilidade numa só rapariga enchia-a de brios!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E um pássaro caiu ao fim de muito tempo de pedradas voando em direção às copas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O alvoroço da pequenada foi tremendo. Quem ouvisse pensaria que algum deles se tivesse aleijado. Eram gritos, risadas, pinchos de alegria. Só a rapariga estava triste ao ver o pobre passarinho inanimado no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais voluntarioso e provavelmente o mais faminto pegou nele com jeitinho. Adivinhava-se um certo desgosto, mas a fome falava mais alto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O bichinho foi depenado mal e porcamente, enquanto a rapariga punha ao lume a certã com um fio de azeite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E agora? Não leva sal? Não lhe tirais a cabeça...vai assim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Claro, come-se tudo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rapariga que não pensava sequer cheirar o petisco, fez um trejeito de vómito e o pássaro lá foi para cima do azeite a ferver. Salpicou, o que fez com que todos aqueles "abutres" saíssem de cima da certã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volta de um lado, volta do outro, o pássaro parecia que desaparecia, estava passado demais e quase esturricava. O matador disse para o tirar da certã que já se podia comer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cheiro do animal frito era enjoativo, tanto mais que ainda tinha as vísceras e a cabeça ensanguentada. Era um nojo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi colocado num prato de barro e esperaram que arrefecesse. O atirador disse que o ia esquartejar para dar para todos. Primeiro tirou as pernas, depois o que restava das asas e quando abriu o pobre animal verificou-se que não tinha morrido da pedrada, mas de outra morte qualquer. O cheiro era uma mistura de caca e penas cozidas em azeite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E lá começou a festança. Todos comeram, não se sabe bem o quê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não mataram a fome, mas sentiram a adrenalina de predadores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-5588492356469955130?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/5588492356469955130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/02/os-passarinhos-e-os-predadores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5588492356469955130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5588492356469955130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2011/02/os-passarinhos-e-os-predadores.html' title='Os Passarinhos e os predadores'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TUnBrL9ZDDI/AAAAAAAAAG8/H90qNv-AypI/s72-c/passarinhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-4872401339217412023</id><published>2010-12-23T23:39:00.003Z</published><updated>2010-12-24T00:24:32.963Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal; cabaninha; formigos; Menino Jesus'/><title type='text'>Natais diferentes</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TRPeCD3CEKI/AAAAAAAAAGk/UDZKvga1eaA/s1600/100_2516.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TRPeCD3CEKI/AAAAAAAAAGk/UDZKvga1eaA/s320/100_2516.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5554026892455186594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antigamente não se falava de Pai Natal, árvore de Natal, brinquedos, prendinhas, bolo-rei, e outras coisas mais, porque era tempo de vacas magras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazia um frio de arrepiar e toda a casa estava numa penumbra por falta de petróleo para o candeeiro. O calor não abundava e só na cozinha, parca de móveis, resistia uma lareira sempre a luzir. O tempo passava entre o calorzinho das brasas e as histórias do avô sobre príncipes e princesas, que viviam em castelos encantados, onde tudo era farto, bom e bonito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Natal aproximava-se e era preciso fazer o Presépio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na antevéspera ia-se à Corga, onde um curso de água cristalina jorrava devagarinho. Era a água mais pura que havia na aldeia. Fria como o gelo, consolava no Verão e só apetecia fervida e tépida no Inverno. À volta dessa fonte os muros que a circundavam estavam pejados de musgo verde escuro, com uns filamentos que pareciam pelos sedosos. Com uma faca velha levantavam-se "postas" de musgo que se acondicionavam numa caixa velha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o primeiro trabalho e também o mais difícil naquela época de inverno rigoroso. Depois escolhia-se o melhor canto da casa para aí se construir o Presépio, com a Sagrada Família em destaque, mas onde não faltavam os reis magos, os pastores e as suas ovelhinhas, a Igreja, o lago com os patinhos, as galinhas, o burrinho e o moinho, tudo disposto segundo uma ordem que parecia descer do mais alto para o mais baixo, arquitetando-se um pedestal para o símbolo inequívoco do Natal: o Menino Jesus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o Menino Jesus que depositava em cada casa e para as crianças em especial, um prenda que aparecia no dia de Natal, sempre depois da meia-noite, no sapatinho de cada criança. Só era possível colocar um sapato ou botinha, nunca o par, porque o Menino Jesus, tinha muitos meninos a quem distribuir as prendas. Estas eram, invariavelmente, e todos os anos, umas meias novas, um cachecol, um par de sapatos, uma camisola, um chocolate, um lencinho, um véu para a Missa, um agasalho qualquer, e outras peças necessárias e há muito solicitadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem se dormia, mas os mais velhos só colocavam as prendas depois da pequenada estar ferrada no sono. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia natais (quando a economia familiar o permitia), em que as crianças se surpreendiam: apesar de haver apenas um sapato na lareira para receber a prenda,  o par que se encontrava debaixo da cama,  tinha outra prendinha. Mais modesta, mas que alegria encontrar essa enorme surpresa! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este acontecimento raro fazia com que se procurassem todos os sapatos, mesmo os velhos que já não se usavam, para ver se o Menino Jesus estava a "brincar" com os presentes das crianças, colocando-os nos sapatos arrumados noutros lugares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em nenhuma manhã dos  365 dias do ano se acordava tão cedo! Era a euforia completa! E por tão pouco, meu Deus! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para agradecer ao Menino Jesus tanta generosidade, a Missa, a primeira do dia, estava reservada à pequenada, que nessas manhãs de Natal podiam saborear um pequeno almoço diferente, com a doçaria típica do Natal: os formigos, as rabanadas de vinho, a aletria e o pão-de-ló feito na padaria da aldeia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Presépio ficava no canto da sala até aos Reis e todos os dias era inspecionado não fosse algum musgo ficar amarelo, ou qualquer figurinha vinda de gerações anteriores, ter caído, ou algo que tirasse o "brilho" ao Presépio tão lindo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E todos os anos se suspirava pelo Natal. Pelo Menino Jesus e pelo Presépio, uma cabaninha feita em madeira, palha e musgo, onde se colocava a Sagrada Familia, simbolizando a pobreza  que o Messias prometido, havia escolhido para o seu Santo Nascimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Natais assim nunca mais aconteceram. Que saudade!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-4872401339217412023?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/4872401339217412023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/12/natais-diferentes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4872401339217412023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4872401339217412023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/12/natais-diferentes.html' title='Natais diferentes'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TRPeCD3CEKI/AAAAAAAAAGk/UDZKvga1eaA/s72-c/100_2516.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-5040435268667552886</id><published>2010-12-19T23:52:00.004Z</published><updated>2010-12-20T00:27:24.702Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pascoa; Compasso;botar'/><title type='text'>Páscoa na aldeia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TQ6bj-Ca2UI/AAAAAAAAAGY/IbSasOk7qG4/s1600/100_2683.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 240px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552546432845273410" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TQ6bj-Ca2UI/AAAAAAAAAGY/IbSasOk7qG4/s320/100_2683.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Páscoa é uma das festas mais apreciadas naquela aldeia. Os familiares vêm beijar a Cruz e, quando o tempo o permite, ficam o dia todo para confraternizar, comendo, bebendo e mexericando na vida de toda a gente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa dessas festas, lá muito para trás no tempo, o Compasso, ou a Cruz, como lhe queiram chamar, passava logo ao início da tarde e quem vinha para comer o repasto da Páscoa, já entrara na sala e se acomodava, porque o mês ia fresco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por toda a casa sentia-se um cheirinho a doces e a perfume barato que vinha dos visitantes. Mas o mais agradável era o cheiro da natureza lá fora a anunciar uma Primavera recheada de cor e alegria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tia Lola apresentava-se como uma verdadeira dama, ou não fosse ela modista e do Peso, onde gente muito fina e educada passava todos os verões nos hoteis locais. A sua pele da cara parecia seda e apresentava um aspecto ceráfico. Cheirava a pó-de-arroz e parecia sempre muito pálida e doente. Em contrapartida o tio e marido dela era uma "besta" na verdadeira acessão da palavra. Habituado à caça e à pesca a tempo inteiro e de controlador aduaneiro em part-time, fazia tudo à grande e à francesa, numa ostentação sem limites.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era assim um casal esquisito. Ela muito franzina, ele um cavalo possante e empertigado. Tiveram um filho que cresceu entre os mimos da mãe e a rispidez do pai. Nem era carne, nem peixe. Mas não era mau rapaz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acontecia que a rapaziada toda junta só se lembrava de asneiras. Os primos andavam todos na mesma faixa etária, pelo que bastava que um se lembrasse de algo para rir, que todos desatavam a rir como tolos. Rapazes e raparigas eram iguais nas maneiras, na educação e também nas asneiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O avô desses "anjinhos" costumava tomar-se da pinga nesses dias de Páscoa, porque acompanhava a Cruz pela aldeia e se não ia com algum ofício, ia mesmo na procissão dos que gostavam de molhar a palavra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ele regressava a casa havia sempre barulho. O avô da pequenada tinha mau vinho e embirrava com tudo e todos. Também de nada valiam as palavras doces da avó, sempre conciliadora, sempre de paz, não gostando de dar nas vistas e muito menos ser falada na aldeia. É que ela sim, era uma pessoa muito querida e importante para a aldeia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora o que se lembra a rapaziada de fazer ao avô no regresso a casa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encheram um copo de vinagre de vinho e colocaram-no bem à vista na mesa, ainda com algumas sobras de pão-de-ló e restos de aletria e arroz-doce. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o velho entrou na sala mal disposto e a resmungar, quase caía porque se esqueceu de um degrau à entrada da sala. Depois de uma asneira conseguiu a custo endireitar-se antes de chegar à mesa. Foi-lhe dada uma cadeira, porque alguém reparou que se não se sentasse naquele momento, ia cair redondo no chão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que há para beber?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém se mexeu. A avó respirou fundo e perguntou-lhe se não estava cansado. Que era melhor ir deitar-se. Que no dia seguinte era dia de trabalho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que há para beber, já disse?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E um dos rapazinhos estende-lhe o copo de vinagre. Mete-o aos beiços e lá vai o liquido. Nem deu pelo cheiro a vinagre. Nem cuspiu o vinho. Nada!  Só disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Porra, o meu vinho "botou-se"!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-5040435268667552886?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/5040435268667552886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/12/pascoa-na-aldeia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5040435268667552886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5040435268667552886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/12/pascoa-na-aldeia.html' title='Páscoa na aldeia'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TQ6bj-Ca2UI/AAAAAAAAAGY/IbSasOk7qG4/s72-c/100_2683.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-4391005205021842496</id><published>2010-10-01T18:53:00.003+01:00</published><updated>2010-10-03T00:38:56.375+01:00</updated><title type='text'>O apanhador de madeira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TKYgZAilGJI/AAAAAAAAAGQ/RdIPa-h-nJM/s1600/kollegastore.com-AE173----------------Essedi-APANHADOR-DE-LIXO-ZINCADO-33.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 139px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TKYgZAilGJI/AAAAAAAAAGQ/RdIPa-h-nJM/s320/kollegastore.com-AE173----------------Essedi-APANHADOR-DE-LIXO-ZINCADO-33.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523137607030347922" /&gt;&lt;/a&gt;Era Verão e em toda a casa se respirava um bafo quente de madeira seca. Lá fora nem uma brisa. O quarto de costura só tinha farrapo: roupas para engomar, roupas para consertar, roupas para transformar, tudo quase a monte. &lt;div&gt;A mãe chegou com as suas habituais dores de cabeça e quis deitar-se um pouco no sofá/cama do quarto de costura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entrou e deitou-se pesadamente enquanto alguém, silenciosamente, a espiava. Sentiu-se um soluço e depois parece que adormeceu. Chegou uma vizinha que vinha vê-la. Entrou e esperou na sala de jantar. A mãe levantou-se a custo e depois de ver quem a esperava puxou-a para o quarto de costura. Tudo com muito segredo e sussurrando quase ao ouvido uma da outra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não se sabia bem porquê, mas temia-se uma "tempestade" de Verão quente e doente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vizinha saiu com ar de quem trouxe novidades acabadas de chegar. A mãe disse para se preparar algo para a janta e que não lhe apetecia comer porque estava com uma brutal dor de cabeça. Só não se compreendia porque permanecia no quarto de costura e não no seu quarto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pai chegou e perguntou pela Maria. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Está no quarto de costura. Tem dor de cabeça e não vai comer a janta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Silêncio&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E lá se passou o tempo com todos à mesa excepto a mãe que permanecia agachada no sofá do quarto de costura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vai perguntar à tua mãe se não quer tomar um chá ou um leite quente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Diz que não e quer que a deixem em paz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que tem ela pai?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Não sei. Amanhã estará melhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia seguinte o tempo ameaçava tornar o dia mais quente ainda. Apetecia correr pelo campo e levar com uma brisa ainda que morna na cara. Mas não tínhamos campo por perto, de forma que se saiu para dar um passeio pela vila.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pai e a mãe foram trabalhar. A cara da mãe era sombria e fria. Notava-se nela a noite mal passada. A falta de sono. Porque seria?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para alguém muito curioso estes segredos são uma tortura, de modo que passou a estar atenta a tudo o que se passava em casa e fora dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passando por várias pessoas a quem cumprimentava por educação, pareceu-lhe que uma delas a olhara de forma estranha. Mas não deu importância. Seria do tempo...Andava tudo com umas caras!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;À noite, as coisas pareciam mais calmas, mas só aparentemente. A vizinha voltou e ouviu-se qualquer coisa do género:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- De amanhã não passa!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que não passaria do dia seguinte? A vizinha disse também que já tinha presenciado outros casos e que a pessoa de quem falavam era uma requintadíssima vilã, queria dizer outra coisa, mas lá em casa nunca se ouviu uma palavra feia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem, já se ficou a saber que havia alguém a destabilizar aquela família e a deixar com muitas dores de cabeça, todos os dias, a mãe. E que esse alguém era personna non grata. E era uma mulher.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que seria então?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o dia fatídico chegou. O que se passou de facto só se soube muito mais tarde. Também se ficou a saber que com a mãe não se brinca e muito menos se toca na família.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A história foi mais ou menos assim: Uma dita fulana encantou-se de amores pelo pai e este, que é homem, logo figurou de que se tratava de alguma paixão assolapada da mulher por tão garboso cavalheiro. Cheio de vaidade o pai deve ter dado esperanças à dita cuja e a mãe não gostou. Como a dita trabalhava na limpeza da instituição onde o casal também trabalhava, está bom de ver que aquilo passou de boca em boca muito rapidinho. Ora, o corno (no caso a mãe), foi a última a saber, mas a tempo de impedir que continuasse o romance nas suas barbas. O que faz ela, a mãe? Quando avista a dita mulher que vinha como de costume para fazer a limpeza, a mãe aborda-a do tipo: - Ou deixas o meu homem em paz, ou dou-te uma coça que nunca mais esqueces. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A outra não se devia ter calado, embora essa fosse a atitude mais sensata. Vai daí, gera-se uma discussão e a mãe que não tem papas na língua e é muito lestinha nas decisões, pega no apanhador que a outra trazia na mão e desfez o objeto na cabeça da outra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os gritos foram mais que muitos. A mãe ameaçou novamente: - Meteste-te com o meu homem e dou cabo de ti.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Toda a vila ficou a saber do acontecimento. Não voltou a repetir-se e o pai também teve a sua dose. Mas esta deve se ter passado em local e em tom de voz que ninguém viu ou ouviu. O romance tinha acabado e para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O apanhador nunca mais foi útil. Ficou desfeito. Também era de pau oco!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-4391005205021842496?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/4391005205021842496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/10/o-apanhador-de-madeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4391005205021842496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4391005205021842496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/10/o-apanhador-de-madeira.html' title='O apanhador de madeira'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/TKYgZAilGJI/AAAAAAAAAGQ/RdIPa-h-nJM/s72-c/kollegastore.com-AE173----------------Essedi-APANHADOR-DE-LIXO-ZINCADO-33.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-6942050093490830408</id><published>2010-02-23T21:41:00.009Z</published><updated>2010-03-02T21:07:29.062Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santos Populares; vitorinos; filar.'/><title type='text'>Os sapatos de verniz</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S4RPG5VLeWI/AAAAAAAAAGA/DLk38d1Wi2g/s1600-h/imagesCAUURIXN.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 103px; FLOAT: right; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441561229657864546" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S4RPG5VLeWI/AAAAAAAAAGA/DLk38d1Wi2g/s320/imagesCAUURIXN.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O verão vinha quente e todo o &lt;em&gt;povorel&lt;/em&gt; sentia, pela tardinha, uma imensa vontade de sair, de se distrair, de fugir às tarefas árduas dos campos. O tempo convidava ao namoro, ao passeio e, sobretudo, à descontracção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aqui e ali ouvia-se música de concertina. Eram os famosos bailes dos Santos Populares, que antecediam as colheitas. Primeiro Santo António, o casamenteiro, depois o São João, não menos namoradeiro e sempre &lt;em&gt;rapioqueiro&lt;/em&gt; e por fim o São Pedro, para abençoar os namoricos!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os rapazes e as raparigas agitavam-se à porta dos salões improvisados para os bailes e, entre risinhos e piscar de olhos, lá iam &lt;em&gt;filando&lt;/em&gt; o par preferido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O convite era sempre muito cerimonioso: - A menina dança?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a menina nem sempre ia dançar, porque aquele não era o tal par que ela esperava. E seguia-se uma "tampa". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Às vezes dava para o torto e a moçoila ficava toda a noite a chupar no dedo. Porque uma tampa num rapaz é sempre motivo para que os outros fiquem de pé atrás...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa aldeia belíssima do Norte, a onda dos bailaricos era moda todos os anos por essa altura. E quase todas as raparigas casamenteiras se preparavam e aperaltavam para a festa aos sábados e domingos de tarde. Os rapazes, também nao ficavam atrás e lá se enchiam de brilhantina e perfume barato.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como alguns tinham de caminhar muito para lá chegar e os caminhos eram tortuosos e cheios de pó, havia quem tivesse o cuidado de trocar de &lt;em&gt;"vitorinos"&lt;/em&gt; antes de entrar na sala de baile.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um certo rapaz, muito apreciado pelo mulherio, apresentava-se impecavelmente vestido e calçado nesses festejos de Verão. E a tal ponto era o seu zelo que depressa começou a ser cobiçado pelas raparigas e odiado pelos rapazes, que não compreendiam como fazia ele a proeza de se apresentar sempre com os sapatos a brilhar e sem um pingo de sugidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A coisa começou a intrigar meia dúzia de matulões que o começaram a seguir para ver como e por onde andava, para estar sempre limpo e asseado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa dessas noites, seguindo-o, repararam que ele vinha se socos até um local próximo da sala de baile. Sorrateiros, escondidos pelo crepúsculo, seguiram todos os passos do rapaz e puderam verificar que ele guardava, num palheiro, um par de sapatos novos e uma muda de roupa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ficaram de boca aberta e logo pensaram numa partida à maneira. Era uma brincadeira sem consequências, para que ele não tivesse tanta vaidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entre muitas ideias, um rapaz dito de boas famílias, achou interessante que se colocasse em cada sapato um &lt;em&gt;chouriço&lt;/em&gt; de caca de gente. Houve quem fizesse uma cara de nojo, mas perante a ideia de o dito rapaz poder enfiar os pés em tal achado, logo se apressaram para no dia seguinte levarem os mais perfeitos cagalhões para os enfiar nos ditos sapatos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim se fez. Mas a brincadeira não foi só para o impedir de ir ao baile, mas e também para poderem apreciar o tipo de pessoa que era ele, perante tal agressiva prova.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;À noitinha estavam todos a postos, camuflados como puderam para não ser vistos. E lá chegou o felizardo, todo contente para se aperaltar para o baile.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como sempre tirou a roupa e trocou-a. A seguir calçou um par de meias limpinho e enfiou o seu pé direito no sapato. Pareceu-lhe que escorregara depressa e sentiu algo húmido, mas podia ser do fresco da noite. Depois calçou o outro e igual sensação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Levantou-se, esticou o corpo, ajustou o cinto e empertigou-se quando ajustou o nó da gravata. Logo a seguir olhou para os seus lindos sapatos. Sentiu um cheiro a merda terrífico e começou por levantar os pés não fosse ter pisado algo semelhante. Mas nada. O cheiro intensificava-se e não o largou mais. Os passos tornaram-se hesitantes e parecia que o cheiro vinha do chão, mas não se via nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais uns passos e os pés pareciam estar a marinar numa espécie de creme nívea. E outra vez se dedica a inspecionar o chão. Mas que raio. Onde estaria a merda?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os maus da fita já não podiam aguentar mais o riso e enquanto uns tapavam as suas bocas, outros estavam a ponto de se mijarem a rir do pobre rapaz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao fim de algum tempo lutando contra o cheiro não localizado, resolve tirar um dos sapatos e quase cai de espanto. Não podia acreditar! Tinha os sapatos cagados e com um cheiro nauseabundo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem teria feito semelhante brincadeira de mau gosto??&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até hoje ninguém sabe. O que se sabe é que o dito rapaz nunca mais voltou aos bailes daquela região.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-6942050093490830408?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/6942050093490830408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/02/os-sapatos-de-verniz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6942050093490830408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6942050093490830408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/02/os-sapatos-de-verniz.html' title='Os sapatos de verniz'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S4RPG5VLeWI/AAAAAAAAAGA/DLk38d1Wi2g/s72-c/imagesCAUURIXN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-3375662712546318409</id><published>2010-01-31T23:13:00.005Z</published><updated>2010-02-02T21:55:57.597Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hospede; candeia;'/><title type='text'>O hóspede</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma aldeia encantada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos se conheciam e o tempo não passava pelas pessoas e pelos costumes.&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S2iWH_s-YgI/AAAAAAAAAF4/YpS4X8UwCqQ/s1600-h/caixao-de-defunto.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 252px; FLOAT: right; HEIGHT: 169px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433758014525825538" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S2iWH_s-YgI/AAAAAAAAAF4/YpS4X8UwCqQ/s320/caixao-de-defunto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trocavam-se ovos por milho, cabras por vitelos, vinho por aguardente. Havia sempre um parentesco ainda que no 2º ou 3º grau, ou na falta dele, todos eram comadres e compadres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A gente era humilde e sempre bem disposta. Não havia electricidade, pelo que os serões eram à luz de uma ou duas candeias de azeite. Nas casas mais ricas havia uma lanterna a petróleo e apenas no Peso havia electricidade fornecida por geradores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse local existiam quatro hotéis, que no período de termas se transformava numa pequena cidade cheia de perfumes e gente de fora. Eram os hóspedes. A melhor altura do ano era essa: a chegada dos forasteiros para as águas milagrosas que curavam diabéticos, doenças do fígado, e outras mazelas. Os hotéis enchiam-se de gente da aldeia que deixava a enorme e pesada lida do campo para se transformarem em criados de hotel, bem vestidos, penteados e perfumados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dava gosto ver os hóspedes passearem-se pela estrada, única e principal via rodoviária da aldeia, a caminho das fontes, ou então de camioneta para os mais pesados ou com menos saúde. Entre os hoteis e as termas, havia uns escassos quinhentos metros, ou nem mesmo isso, o bastante para se fazer um passeio a pé ou de carro com os dizeres do hotel.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num destes hoteis havia uma pequena capela onde ao Domingo se celebrava Missa especialmente para os hóspedes. Era muito pequena, mas acolhedora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, triste dia, faleceu um dos habituais hospedes. Era uma pessoa muito gorda e já aparentava alguma idade. Dizia-se que o pobre padecia de obesidade motivada pela biabetes. Que era gordo, era. Que estava no hotel para tomar as águas da fonte velha, também era verdade. Agora que fosse morrer ali, é que foi um pouco estranho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O velório fez-se nessa dita capela contígua ao hotel onde se encontrava hospedado. Como estava sozinho, não havia familiares para o acompanharem nas primeiras horas do fatidico dia. Por isso alguém do hotel se lembrou de, a troco de uns tostões, convidar um jovem para acompanhar o falecido durante a noite. Não fosse alguém chegar de fora e da família e dar com o nariz na porta da capela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jovem aceitou a tarefa. Um morto não faz mal a ninguém e sempre havia luz para iluminar o local. Sim, porque ali havia luz de gerador e não como no resto da aldeia lanternas e candeias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A noite começou a passar lenta, tão lentamente que o jovem passou pelas brasas enquanto fazia vigília ao falecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já muito longa ia a noite quando se começou a ouvir um barulhinho estranho, que fez com que o jovem se levantasse para indagar de onde vinha...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi nesse  preciso momento que o morto deu um peido monumental e o seu enorme ventre desabou!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jovem nem teve tempo de respirar, saiu pela porta fora a correr e mesmo sendo noite escura só parou quando já não tinha mais fôlego!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Refeito do susto, voltou atrás. Mil coisas lhe passaram pela cabeça e uma delas é que o hóspede se calhar até estava vivo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não foi capaz de entrar na capela. O medo era maior e impediu-o de rever o hospede.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;na menhã seguinte as pernas ainda lhe tremiam e estupefacto assistiu à saída da capela do corpo inerte do ex-barrigudo hospede.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-3375662712546318409?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/3375662712546318409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/01/o-hospede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3375662712546318409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3375662712546318409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/01/o-hospede.html' title='O hóspede'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S2iWH_s-YgI/AAAAAAAAAF4/YpS4X8UwCqQ/s72-c/caixao-de-defunto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-7688115538243691347</id><published>2010-01-13T21:57:00.005Z</published><updated>2010-01-26T18:42:03.478Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reincarnação;'/><title type='text'>Reincarnação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S18yRKuB0MI/AAAAAAAAAFo/kJgZwWYU2Is/s1600-h/reincarna%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 121px; FLOAT: left; HEIGHT: 119px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431114946148683970" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S18yRKuB0MI/AAAAAAAAAFo/kJgZwWYU2Is/s320/reincarna%C3%A7%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Teria à volta de 13 anos, mais ou menos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adolescente magra, morena, enfezada, de olhos encovados, foi para aquela terrinha de pescadores e de gente humilde, aperfeiçoar o que aprendera em criança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sua mestra, mestra em concertina e afins, era uma linda rapariga na casa dos 20 e tal anos, que tocava muito bem, pelo menos, tocava melhor que a dita rapariga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia sairam à rua para procurar não sei o quê. Na rua, todas as pessoas que passavam por elas, as olhavam com ar de admiração e até medo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alheias à curiosidade humana, seguiram em frente, às suas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As ensaiadelas iam de vento em popa, algumas vezes quebradas pelo endiabrado irmão da mestra, rapaz ainda pequeno, que tornava a vida das pessoas num inferno! Era levado dos diabos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vizinha chamou do outro lado do quintal e a rapariga veio saber do que se tratava a pedido da sua mestra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É a vizinha que quer falar com a tua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Diz-lhe que espere. A minha mãe não tarda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A rapariga correu a dar o recado à vizinha. Entretanto, esta,  um pouco assustada perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tu quem és?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim. A quem pertences?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A senhora não conhece a minha família! Não sou de cá. Porquê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mulher virou as costas e parece ter "rosnado" qualquer coisa...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mestra deu o recado à mãe e esta disse que mais tarde iria ver a vizinha. E aquilo passou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte houve necessidade de sair à rua e de novo os olhares, a coscuvilhice e o medo estampado na cara das pessoas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Porque me olham assim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- As mulheres que vão ali mais à frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não ligues, são umas cabaneiras!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E riu-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À janta a mãe da mestra olhava de soslaio a rapariga. Esta apercebeu-se mas nada disse. A conversa ia animada e não se pensou mais no assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a rapariga estava desconfiada: primeiro as mulheres que não tiravam os olhos dela, depois a mãe da mestra que também resolvera admirá-la como se nunca a tivesse visto...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, as coisas não estavam de feição e ela resolveu indagar por conta própria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ó Senhora Maria tem alguma coisa contra mim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Eu, filha? Não! valha-me Deus...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Então porque me olha como se fosse uma ladra?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Não, não é nada disso. Anda sentar-te aqui comigo. Sabes que sou muito amiga dos teus paizinhos e de ti também, por isso não quero que fiques aborrecida com o que te vou dizer...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A rapariga nem queria acreditar! Agora percebia toda aquela admiração e até medo que as pessoas deixavam escapar, quando ela aparecia em público.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há mais ou menos um ano atrás tinha morrido uma menina daquela terrinha de Deus, com a mesma idade, nome e feições.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era de tal modo a cara da falecida que já havia pessoas a dizer que a morta ressuscitara ou então tinha reincarnado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Queira saber mais sobre a menina falecida, mas não lhe quiseram adiantar mais nada, a não ser que era da sua idade e igualzinha a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-7688115538243691347?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/7688115538243691347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/01/reincarnacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7688115538243691347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7688115538243691347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2010/01/reincarnacao.html' title='Reincarnação'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/S18yRKuB0MI/AAAAAAAAAFo/kJgZwWYU2Is/s72-c/reincarna%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-6494538061107678205</id><published>2009-12-03T10:27:00.007Z</published><updated>2009-12-18T21:34:04.804Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Natal; Alf; série; prendas'/><title type='text'>Memórias de Natal</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SxeTNny1d4I/AAAAAAAAAFY/qinHzO1ujxU/s1600-h/100_2555.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410955339538724738" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SxeTNny1d4I/AAAAAAAAAFY/qinHzO1ujxU/s320/100_2555.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Natal ainda vinha longe... Mas já se pensava no que se haveria de oferecer à pequenada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um menino irrequieto, nascido extemporaneamente, com apenas dois anos incompletos mantinha-se imóvel e interessado numa série televisiva onde o protagonista era uma figura da ficção científica dada pelo nome de Alf. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Alf era um misto de animal humano, com um nariz enorme de papa formigas, olhos de cão astuciosos, orelhas de perdigueiro, que falava e se movia como os humanos. Tinha um humor refinadíssimo e só fazia asneiras na casa de uma família que o acolheu, quando por destino ou engano "aterrrou" no Planeta Terra!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa série, era de tal forma popular, que até os grandes adoravam vê-la no pequeno ecran. O dito menino sempre que a via emitia um som semelhante a um OHOH, tipo Pai Natal, apontando com o dedinho sempre que o protagonista entrava em cena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A família entusiasmada pelo comportamento dedicado à série e ao Alf, resolveu adquirir um exemplar do dito, para prendinha natalícia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E assim aconteceu. Só que não existiam, à data,  no mercado bonecos suficientemente parecidos com o Alf o que obrigou a família a procurar noutros destinos, mais precisamente em Inglaterra de onde o boneco era oriundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felizmente um amigo que se deslocou àquele país encontrou exatamente o boneco perfeito, um verdadeiro clone do Alf, só não falava nem fazia asneiras! Mas era igualzinho,  em tamanho,  cor e forma.  Só não se locomovia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A família delirava só a pensar na reacção do puto quando visse a figurinha do seu herói preferido ali tão perto à mão de semear...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entusiasmados suspiravam pelo dia de Natal. A caixa que o transportava foi para cima do armário para não se correr o risco de alguém a abrir antes do tempo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o Natal chegou, enfim...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá veio o Pai Natal, representado pela irmã mais velha, que naquele ano se esqueceu de tirar as pulseiras dos pulsos e depois de se ouvir o sino da Igreja bater as badaladas para a Missa do Galo, como era hábito. Aquele era o sinal de aproximação do Pai Natal e o menino quando se apercebeu do reboliço natural procurou as saias da mãe numa atitude de defesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Olha lá vem o Pai Natal...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não queres abrir a porta ao Pai Natal?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a criança numa atitude assustada e medrosa ia respondendo que "não" com a cabecinha, escondendo-se atrás da mãe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegou o Pai Natal , vestido e calçado a rigor e com o famoso OHOH!. Mas nada mais dizia, não fosse a voz estragar a surpresa e denunciar a irmã!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O menino não arredava pé das pernas da mãe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Vê o que o Pai Natal nos trouxe...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Vamos abrir o saco??&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual saco? Ele não tirava os olhos do Pai Natal e já se começavam a ouvir uns risinhos denunciadores...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Então? Não querias ver o Pai Natal?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E mais uma negação explicita, seguida de uma fuga para as pernas do pai. Talvez a mãe estivesse a insistir demais na decisão de "atirar" a criança para o saco das prendas ou pior, para os braços do Pai Natal!!!!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este despediu-se no momento certo, quando já todos apertavamos as pernas de tanta vontade de rir!.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a primeira prenda sai do saco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vamos abrir??&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A criança recuperara a confiança porque entretanto chegara o ex-pai natal à sala e na sua simples linguagem o puto queria dizer à irmã que o Pai Natal estivera em casa e trouxera as prendas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que maravilha!!! Vamos lá ver o que ele trouxe...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A caixa continuava inerte no meio da sala. A criança não mostrava o menor interesse em abrir e foi um dos adultos que ajudou...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eis que o Alf, apareceu como se tivesse saltado do ecran para o meio da sala!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Que lindo! Olha, quem é?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi neste momento que tudo parecia virtual: a criança negou aproximar-se do dito personagem e não o quiz nem à lei da bala!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi o desespero total. Todos queriam apreciar um longo abraço entre o actor e o fã, mas não,  foi o contrário! O fã detestou a ideia de tirarem o personagem da tela e não o quiz de forma alguma fora da caixa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, como havia outras prendinhas, prendeu-se com elas e desvalorizou a prenda principal!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi um Natal...diferente!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-6494538061107678205?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/6494538061107678205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/12/memorias-de-natal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6494538061107678205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6494538061107678205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/12/memorias-de-natal.html' title='Memórias de Natal'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SxeTNny1d4I/AAAAAAAAAFY/qinHzO1ujxU/s72-c/100_2555.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-5355505186739217988</id><published>2009-10-10T18:28:00.006+01:00</published><updated>2009-11-12T00:01:31.634Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Imaginação; estuque'/><title type='text'>Imaginação</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/StDEZTcijtI/AAAAAAAAAFQ/aiytPlmbXpU/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 98px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391024692958236370" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/StDEZTcijtI/AAAAAAAAAFQ/aiytPlmbXpU/s320/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As alcovas estavam separadas por finas paredes em madeira e estuque. Nalguns pontos já se via a madeira e noutros, o estuque que havia sido retocado, formava bolhas, umas mais salientes ou mais extensas que outras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também se viam alguns buracos verticais, que deixavam passar a luz e os sons de um compartimento para o outro.&lt;br /&gt;Da forma como entrava o dia, pela única janela daquele espaço, essas bolhas formavam figuras grotescas jogando com o efeito claro/escuro ou, luz/sombra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A luminosidade, os contrates e os sons que vinham do exterior, excitavam a imaginação e era frequente ver/imaginar figuras representativas de animais, caras de pessoas, árvores, bonecas e outras coisas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nalgumas situações essas representações pareciam ganhar vida. Era uma espécie de jogo com a visão projectada sobre as paredes irregulares e velhas de estuque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imagem que mais vezes aparecia era a de uma sedutora bailarina de flamengo. Podia ver-se a sua saia multicolor de folhos sobrepostos, o seu peito semi inclinado, os braços e mãos em posição de passodoble.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As criações fantásticas de animais eram quase sempre em atitudes agressivas. Cães raivosos, dentes afiados, gatos com o dorso em arco, vacas e cabras pastando serenamente... Enfim tudo o que a imaginação de uma criança podia alcançar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O escuro tomava conta do local e as figuras desapareciam para voltarem como por encanto durante o sono. E na manhã seguinte, mal raiava o dia lá vinham algumas delas, porque outras desapareciam de forma definitiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pesquisa minuciosa de alguna pontos chave tornava-se inútil. Tinham desaparecido mesmo as tais figuras que representavam histórias vividas silenciosamente por muito tempo, muito tempo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cansaço da pesquisa obrigava a adormecer. E lá vinham de novo aquelas imagens, algumas delas metiam medo, queria afastá-las do pensamento, pois já não faziam parte da imaginação, mas elas permaneciam como pedras feitas de estuque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era no tempo em que nem se sonhava com televisão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os velhos dessa época diziam frequentemente : "Quando o ferro falar e o homem voar, o Mundo está para acabar".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-5355505186739217988?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/5355505186739217988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/10/imaginacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5355505186739217988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5355505186739217988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/10/imaginacao.html' title='Imaginação'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/StDEZTcijtI/AAAAAAAAAFQ/aiytPlmbXpU/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-2999624334559106114</id><published>2009-09-26T22:18:00.004+01:00</published><updated>2009-09-26T23:20:32.623+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas; liceu; professoras'/><title type='text'>Furacão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/Sr6RMkRTx0I/AAAAAAAAAFI/y9t-XN3WeO4/s1600-h/100_2616.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385901849462425410" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/Sr6RMkRTx0I/AAAAAAAAAFI/y9t-XN3WeO4/s320/100_2616.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estava no 5º ano do liceu e fazer exames nessa altura era obra! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Porque queria terminar o liceu para poder iniciar uma nova vida - a de trabalho - uma vez que estava longe a possibilidade de continuar a estudar, foi fazer os exames ao novo liceu de Braga. Novinho em folha, ainda não dispunha de corpo docente, pelo que foram convidadas para os exames, as barras em chumbos do Liceu Carolina Micaelas do Porto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Azar!!! A fama de más em matéria de exigência escolar, levava a temer-se muitos chumbos naquele ano. Então, quando se falava da prof. de matemática até dava arrepios!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há que aguentar e lá foram muitas meninas para aquele liceu terminar o secundário. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma delas estava com dificuldades económicas. Os pais fizeram um grande sacrifício para a poder manter durante o período de exames numa pensão, com pensão completa. Por isso não podia chumbar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os seus dias eram passados entre os livros e apenas estudava, comia e dormia. Vieram os dias das escritas e os resultados foram bons. Numa das secções (letras), não dispensou da oral por apenas 2 décimas. Lamentou, mas era melhor não recorrer da nota...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vieram as orais de letras e passou com uma boa nota final. Respirou de alívio e nessa tarde foi para a pensão descansar e pensar nas próximas orais de ciências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não viu as pautas porque era praticamente impossível estar escalada para o dia seguinte à sua última oral de letras. Podia, quando muito, ser suplente, mas nem isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estava exausta e foi descansar. Dormiu serenamente e despreocupadamente. No dia seguinte calmamente, com ar triunfante, foi para o liceu assistir a algumas orais de ciências. Sentiu o calorzinho que antecipava as féria grandes!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No átrio, passou pelas pautas. Por curiosidade procurou nesse dia os nomes das colegas que se encontravam indicadas e a letra em que iam as orais...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No 1º lugar às 8,30 da manhã daquele preciso dia, lê incrédula o seu nome. Esfregou os olhos...estava a ter uma miragem terrífica. Olhou para o relógio de pulso. Eram 9,30 h . As orais tinham começado há uma hora e ela era a primeira na disciplina de física!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem queria acreditar. Verifica o número da sala onde decorrem as orais... E como se fosse um furacão sobe as escadas duas a duas e entra na sala a correr, esbaforida,  onde o silêncio era sepulcral! Estava a ser "triturada" uma das suplentes, a primeira que a substituiu!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Senhora doutora, posso falar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A presidente de júri levantou os olhos que tinha pregados à secretária e antes de mais nada pediu ao "furacão" que se calasse porque decorria uma oral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Cale-se e sente-se. Não vê que está a decorrer uma oral e uma das suas colegas está a ser examinada?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acenou com a cabeça que sim e procurou um lugar na assembleia. A sala estava repleta e teve que gramar com os olhares reprovadores das colegas...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A oral terminou e a presidente do júri interpelou nestes termos a sala:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Levante-se a senhora que entrou nesta sala como se fosse uma locomotiva!!! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Risota geral!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As locomotivas naquele tempo já atingiam uma certa velocidade, mas ainda não aspiravam a TGV!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Levantou-se e sentiu que o Mundo inteiro estava sobre os seus ombros. Naquele momento passou pela sua cabeça o que diriam os seus pais, quando lhes tivesse que explicar que teria de permanecer em Braga, naquela pensão por mais x dias, porque faltara à chamada naquele dia fatídico! Como seria passar o tempo até concluir todas as orais e quando seriam? Como justificar-se perante aquela assembleia com três professoras tão severas - que eram do Porto! - e as colegas que já a olhavam de lado e de forma reprovadora?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As palavras estavam presas na garganta e a sua vontade era começar aos berros. Mas isso era proibido e o melhor era apelar para a melhor e mais convincente forma de contar o sucedido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Senhora Doutora, peço desculpa pela minha entrada e peço desculpa também à colega que estava a ser examinada, mas fiquei descontrolada quando me vi na primeira linha de entrada nas provas orais de ciências, depois de ter saído ontem daqui às 18 horas. É que ontem a essa hora terminei as minhas provas orais de letras e sinceramente não julguei que estaria designada hoje para a primeira oral de ciências. Não sei se tenho alguma possibilidade de fazer hoje exame, é que se ficar para o final das orais os meus pais matam-me, porque estou numa pensão a gastar o seu dinheiro...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Risinhos... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Silêncio, minhas senhoras! - gritou a presidente do júri que até alí lhe tinha prestado a maior atenção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Para ser possível admitir o seu pedido, precisa de perguntar à colega que acabou a sua oral se pretende desistir...caso contrário vai para o último dia de orais como manda o regulamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tinha fixado a cara da colega que acabara a oral e por isso procurou ajuda entre os presentes. Não encontrou ajuda e então, com o seu despacho habitual, disparou:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Quem é a colega que acabou de fazer a oral?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sou eu...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Importas-te de desistir?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não me importa. Eu desisto da oral... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha-lhe corrido mal!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uff! Que alívio!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passaram alguns minutos. Percebeu-se que tentavam resolver a questão burocrática. Os minutos pareciam anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não se sentou e aguardou que a chamassem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A presidente de júri esclareceu que a prova da colega ficara sem efeito e em sua substituição iria chamar-se a senhora que faltara à chamada. A decisão do júri foi unânime. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Senhora....responda às questões que lhe vão ser colocadas pela Drª....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saiu do seu lugar e sentou-se na secretária em frente ao júri. As suas pernas tremiam e o seu coração pareceia que queria saltar do peito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A examinadora apercebeu-se do seu estado de espírito. Disparou a primeira questão e a resposta dada era errada...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Compreendo o seu estado e o seu nervosismo. Tente ficar calma. Tenho a certeza que sabe a resposta. Não se precipite!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Afinal as professoras do Carolina eram humanas e estavam ali para lhe dar uma oportunidade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O exame decorreu sem incidentes e a nota final foi muito boa apesar de tudo!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-2999624334559106114?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/2999624334559106114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/09/furacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2999624334559106114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2999624334559106114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/09/furacao.html' title='Furacão'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/Sr6RMkRTx0I/AAAAAAAAAFI/y9t-XN3WeO4/s72-c/100_2616.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-4559694680995137139</id><published>2009-06-04T23:06:00.004+01:00</published><updated>2009-10-25T22:25:35.657Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='malagueta; papagaio;'/><title type='text'>O papagaio que não era louro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SihHRHmCkHI/AAAAAAAAAFA/ZN0zMYKimAk/s1600-h/papagaio.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 253px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343599317297041522" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SihHRHmCkHI/AAAAAAAAAFA/ZN0zMYKimAk/s320/papagaio.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Se tivesse nascido rapaz, provavelmente chamar-se-ia Tomás, mas como saiu rapariga, chamou-se Tomásia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esta gorda e irrequieta criança, tinha tudo menos sansatez. E nem sempre os progenitores tinham muita paciência com as suas habituais traquinices. De faces gorduchas e vermelhas, tinha uns olhos brilhantes e sôfregos de saber. Perguntava tudo a propósito de tudo. Mexia em tudo e poucas coisas eram poupadas à sua enorme curiosidade. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O avô tinha um papagaio que havia trazido de terras de além mar. Era um bicho lindo. Amoroso. Não sabia dizer nada, mas manifestava-se plenamente quando sentia fome ou sede. Vivia numa gaiola grande e todos os dias o seu dono o mimava com falinhas de brasileiro português de lá para os lados de Amarante.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Um dia de muito muito calor, o bicho não tinha água na gaiola e sentia muita sede, por isso não se calava. O dono estava ausente e o pobre do papagaio não sossegava na gaiola. A Tomásia teve então uma ideia genial! Foi procurar umas malaguetas num dos vasos que estava à soleira e deu-as ao papagaio que as devorou num ápice. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quando o dono chegou a casa, quase teve um ataque, quando viu o estado do animal! Tinha-se depenado quase todo, babava-se muito e parecia que estava doido de todo. O dono nem se podia aproximar. Deu-lhe água, falou com ele, tentou sossega-lo, mas nada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Espreitou para dentro da gaiola e viu bocados de uma coisa vermelha, aproximando-se cheirou-lhe a malagueta das bravas. Logo adivinhou o que o animal tinha comido e que não fora ali parar pelo ar. Só uma mãozinha mázinha da Tomasinha podia ter sido a autora...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Chamou a Tomásia que, com as faces vermelhas e o andar hesitante se declarou logo culpada. Ainda assim disse que não sabia nada sobre o estado do papagaio, nem o que tinha comido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Então quem foi buscar ali ao vaso as malaguetas?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-... (encolhendo os ombros)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vai chamar a tua irmã.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que sabes sobre isto? Quem deu malaguetas ao papagaio?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Foi a Tomásia!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O dono e amigo intimo do papagaio ficou verde de raiva. Queria bater na rapariga, mas não era apologista de castigos corporais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Disse a ambas que não saissem do local. Ele já vinha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chegou trazia na mão uma malagueta vermelha e reluzente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Abre a boca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rapariga queria fugir, tapou a boca com as mãos, mas nada impediu o castigo. O bom homem esfregou na boca da Tomásia a malagueta até esta se desfazer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vês agora o que fizeste ao papagaio? E tu ainda podes ir beber água e limpar a boca, mas ele não, porque está preso e não tem como reagir à tua partida. Estás satisfeita? Se voltares a por as mãos no papagaio ou lhe dás a comer ou beber coisas que não prestem, vais provar tu também o gostinho que têm.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os lábios da Tomásia pareciam que tinham silicone. Ardiam como lume e nem a água acalmava aquela fogueira. Quanto mais esfregava mais ardia!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lição apreendida. Nunca mais a Tomásia se aproximou do papagaio. Só de longe. É que o animal também não suportava a sua presença.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eles sentem como nós.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-4559694680995137139?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/4559694680995137139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/06/o-papagaio-que-nao-era-louro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4559694680995137139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4559694680995137139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/06/o-papagaio-que-nao-era-louro.html' title='O papagaio que não era louro'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SihHRHmCkHI/AAAAAAAAAFA/ZN0zMYKimAk/s72-c/papagaio.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-3587806062554854085</id><published>2009-04-01T20:39:00.004+01:00</published><updated>2009-04-02T10:23:38.054+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quinteiro;esparrela;alpergatas;cabaneirice;alcova;'/><title type='text'>Malandreca...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SdPFJQE0o-I/AAAAAAAAAE4/ntIzK1rCLPI/s1600-h/velhinha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319812347579376610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 101px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SdPFJQE0o-I/AAAAAAAAAE4/ntIzK1rCLPI/s320/velhinha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Era uma velhinha de olhos azuis, cabelo todo grisalho preso com uma trança enrolada atrás da cabeça, com um semblante de quem outrora foi muito linda. O seu sorriso, sempre disponível, conferia-lhe um arzinho matreiro e, por vezes,  sarcástico.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Era uma avó excelente. Tinha tudo o que um neto pode desejar: bons conselhos sem ser chata, boa cozinheira, brincalhona e, sobretudo, amiga.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Arranjava-se logo de manhã ao sair da alcova e depois de se refrescar da noite dormida. Vestia-se sempre de roupa limpa, por baixo e por cima e nunca esquecia o seu xaile e o seu avental. Depois, mesmo nos dias frios, agazalhava os bichos (que eram muitos), e quando entrava na cozinha o seu nariz estava frio como a água gelada. Sentia todos os dias esse frio quando lhe dava um beijo carinhoso e a acordava com falinhas mansas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Gostava de uma boa conversa e quase todos os dias tinha a visita das comadres. Eram algumas, porque essa velhinha era parteira e madrinha de quase todos os que ajudava a nascer para a vida, na aldeia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Morgada, fora uma doce e querida donzela que vestia saiote até aos pés e que era impedida de rodopiar a saia para que não se lhe vissem os tornezelos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Viveu a sua vida sempre sob esse respeito de si porópria. Detestava a ganância, o orgulho e a vaidade.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Foi mártire de um marido que não lhe dava o devido valor. O que mais temia nele era o vexame. Odiava as festas: Natal, Páscoa. Era nessas datas que o marido lhe dava mais dores de cabeça. Não sabia beber e quase sempre acabava a festa em briga, o que a fazia sofrer imenso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nas tardes soalheiras, vinham a casa para uma cabaneirice, certas comadres que davam tudo para se apresentar com algo novo: sapatos, saias, casacos...etc. Quando chegavam a primeira coisa que gostavam de apresentar era o que traziam de novo. Que fora uma prenda. Que fora comprado na feira da Vila. Que lhes mandara este ou aquele da França. Que compraram na Galiza, etc.etc. A velhinha nem prestava atenção a tais relatos. Queria ela lé saber a proveniência da novidade da comadre!?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas do que ela gostava mesmo era quando as comadres vinham com alpergatas novinhas em folha. O seu espirito brincalhão não parava de surpreender e era uma risota sem tamanho as marotices que ela fazia. Estando as perninhas das comadres esticadinhas ao sol, com as tais alpergatas nos pézinhos, a velhinha safada aproximava-se lentamente e como quem não quer a coisa, fazia pontaria no sentido dos pés das comadres e...lá vai...uma mijadela daquelas sobre os estreados adereços. A valhinha não usava calcinhas...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Claro que as atingidas só sentiam a mijadela quando o mijo arrefecia nas alpergatas. Algumas no calor da conversa só "acordavam" com o cheiro a urina. Tal marotice enfurecia as comadres que praguejavam, mas sem uma palavra sequer contra a mijona. Ela ria-se e quando elas ripostavam respondia-lhes que era para batizar a prenda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Batismo com urina, convenhamos, não era muito agradável. Mas a velhinha ria e fazia rir toda a gente. Caíam na esparrela, mesmo as mais espertas e logo percebiam que exibir coisas novas no quinteiro da velhinha não era a melhor escolha.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E assim se passavam as tardes quentes junto daquela que jamais será esquecida. Uma velhinha malandreca a valer.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-3587806062554854085?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/3587806062554854085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/04/malandreca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3587806062554854085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3587806062554854085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/04/malandreca.html' title='Malandreca...'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SdPFJQE0o-I/AAAAAAAAAE4/ntIzK1rCLPI/s72-c/velhinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-270934020127118912</id><published>2009-03-18T14:41:00.003Z</published><updated>2009-03-18T15:17:44.288Z</updated><title type='text'>Os angorá</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/ScEIjgc6NZI/AAAAAAAAAEo/AnADICDCDQc/s1600-h/angora.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314538441373529490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 117px; CURSOR: hand; HEIGHT: 88px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/ScEIjgc6NZI/AAAAAAAAAEo/AnADICDCDQc/s320/angora.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tinha chegado á terceira classe. Irrequieta e sempre na brincadeira, não prestou atenção às contas de dividir. Mas pior do que isso era a chatice de ter que decorar a tabuada e depois as provas dos nove e as provas reais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era inconcebível que a professora não deixasse as crianças brincar no recreio, só porque não tinham assimilado a tecnica da divisão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;à data estavam na moda os mapas de lã. Puxavam-se os pelos das camisolas de lã e punham-se amassadinhos dentro dos livros. Quantas mais cores se arranjassem mais bonito ficava o mapa. Depois era simples: atribuia-se uma cor a determinada região e até se podiam fazer desenhos como nos mapas verdadeiros. Aquilo sim, é que era interessante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Naquela manhã sentiu-se um friozinho e todas as crianças vieram para as aulas bem agasalhadas. Estavam no final do Inverno, mas o sol ainda não aquecia o suficiente. No meio dos agasalhos estavam uns xailes fofos de lã, que apetecia ripar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se melhor o pensou, melhor o fez e, sorrateiramente, enquanto a professora de costas para a turma escrevia no quadro mais uma conta de dividir, lá vai ela por baixo das carteiras ripar os pelos dos xailes e dos casacos que estavam nas costas das cadeiras. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi uma excelente ideia porque a professora não deu por falta dela e ela ficou com um enorme mapa de cores. Houve uma coleguinha que quase a acusou à professora, mas ela fez-lhe sinal que lhe batia se ela falasse e então a outra calou-se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando lhe foi perguntado se já tinha o resultado da conta, ela não só não o sabia, como não fez a conta de dividir cujo enunciado ainda se encontrava no quadro preto. A professora chamou-a ao quadro para que fizesse a conta e nada. Só colocou o dividendo e o divisor no lugar. Quanto ao resto nem começou para não ser alvo de chacota.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A professora ditou a sentença:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vais já para a segunda atrasada!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A segunda atrasada era uma vergonha. Além do mais, só porque não se sabe uma simples conta de dividir, passa-se loga para a 2ª atrasada? Deixou a sua carteira habitual da 3ª classe, pegou nos seus livros e pertences e foi ocupar uma carteira na 2ª classe atrasada. Lá estavam as alunas mais velhas e outras que eram repetentes. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não gostou nada da brincadeira e entre dentes lá resmungou alguma coisa que a professora não gostou. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vais dizer à tua mãe que venha falar comigo, amanhã:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sim senhora professora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As novas colegas ficaram orgulhosas e contentes com a recém chegada que era líder nas diabruras, nas rasteiras e outras actividades afins. Ninguém jogava os paus com ela e para a apanhar tinha de ser por trás, que pela frente era um perigo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das novas colegas segredou-lhe que estar alí era muito bom. Não se fazia nada e estava tudo sempre certo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chegou a casa disse à mãe que a professora queria falar com ela. Porquê perguntou logo a mãe, sabendo a rica filha que tinha. Porque fora colocada na 2ª atrasada, porque não sabia fazer contas de dividir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mãe calou-se e no dia seguinte apareceu durante o horário escolar para falar com a professora. Foi possível ver de dentro da sala que levou consigo um cesto redondo que parecia pesado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando a professora voltou para a sala de aula, depois de algum tempo perdido com a conversa, virou-se para a turma e ensaiou um pequeno discurso. Mais ou menos para dizer que ela tomava certas atitudes para que os alunos ganhassem confiança e aprendessem melhor as matérias e que o facto de às vezes irem para classes mais atrasadas não significava que fossem atrasados mentais. Longe disso, meu Deus!. Era só para meter medo. E foi o que aconteceu com a dita rapariga do dia anterior. Quanto às demais atrasadas nem uma palavra. Lá continuaram.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Posto isto a rapariga passou a ocupar uma carteira na terceira classe adiantada, o que lhe valeu o gostinho de se sentar ao pé dos meninos e meninas bonitos da vila e filhos de senhores doutores!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Orgulhosa pela promoção nem cabia em si de contente, apesar de ter consciência que de contas de dividir não sabia nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A professora só falava virada para ela e quando ela dizia uma asneira daquelas, a professora logo arranjava uma desculpe e, muito solicita aconselhava-a a consultar esta ou aquela tabuada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Tens que te esforçar mais, agora que estás na 3ª adiantada, porque eu sei que sabes, mas estás distraída, não é??&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E ela abanava com a cabeça e meio envergonhada olhava para os olhares reprovadores das suas novas colegas cheias de sabedoria.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando regressou a casa a mãe disparou:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Então como foi hoje o dia na tua escola?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Foi bom. Passei da 2ª atrasada para a 3ª adiantada...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Assim é que é. Tenho uma filha muito inteligente!....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rapariga que não era burra apesar das contas de dividir e da sua pouca idade e experiência, perguntou à mãe o que ia no cesto que ela transportara para a escola.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ah! Isso era uma prenda para a tua professora. Dois coelhos angorá. Um macho e uma fêmea. São muito apreciados...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Já percebi, se houvesse 4ª classe na escola, já tinha passado no exame!&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-270934020127118912?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/270934020127118912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/03/os-angora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/270934020127118912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/270934020127118912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/03/os-angora.html' title='Os angorá'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/ScEIjgc6NZI/AAAAAAAAAEo/AnADICDCDQc/s72-c/angora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-8473553683324080482</id><published>2009-03-09T09:41:00.003Z</published><updated>2009-03-18T14:38:27.445Z</updated><title type='text'>Olga</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/ScEDIc4eysI/AAAAAAAAAEg/5DnWVuBEPxc/s1600-h/anjo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314532479000824514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 122px; CURSOR: hand; HEIGHT: 91px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/ScEDIc4eysI/AAAAAAAAAEg/5DnWVuBEPxc/s320/anjo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Sempre se imaginam os Anjos com uma carinha branca como a cera, uns olhos expressivos azuis, cor do mar sereno, cabelo louro em cachos, vestidos de branco e com duas asas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que faltava à Olga eram as asas, de resto tinha tudo, inclusive as vestes brancas ou claras que sempre trazia para realçar a sua candura e o seu sorriso tímido. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Certo dia a Olga deixou de frequentar as aulas e todas comentavam que estava muito doente das anginas. Como estava internada num colégio de freiras, o procediemtno era sempre o mesmo. Ficavam de cama até o médico chegar e diagnosticada a doença, as freiras eram as mães ausentes, as enfermeiras e muitas vezes as portadoras de algum carinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Olga permaneceu muito tempo de cama o que parecia não ser natural dado que apenas estava doente da garganta, coisa pouca, para tão grande ausência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fazia falta a Olga, especialmente à Romy, porque eram muito amigas e tinham vindo da mesma terra. Nunca se separavam. A Romy era mais turbulenta, mas a Olga era uma doçura de menina. Sempre muito quieta, gostava de apreciar as diabruras das suas colegas de ano e quase sempre sorria, embora com um sorriso triste e um olhar vago e distante. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Parecia que sofria de doença crónica e por certo uma doença muito íntima, ligada ao coração e às pessoas que ela tanto amava: os seus pais, a sua família. Por muito que lhe fizessem as freiras, nada era como em casa. Sofria de saudades e isso via-se no seu rostinho meigo e sobretudo no seu olhar pesquisador.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas a Olga nunca mais descia do dormitório e começou a ouvir-se dizer que a doença não cedia à medicação e, provavelmente, teria de ir para casa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As febres eram muito altas e o médico que voltara ao colégio não descobriu a doença que aos poucos ia corroendo aquele corpinho e rostinho de Anjo. A Olga não teve tempo de regressar a sua casa...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia, a notícia caiu como uma enorme pedra. Esmagadora. Cruel. Fatídica. A Olga morreu! Nos seus nove aninhos apenas, foi para o Céu exactamente como viveu na Terra: humilde, sorridente, mas não feliz e com muito sofrimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Soube-se mais tarde que afinal não foram as anginas que vitimaram a Olga, mas sim uma nefrite. A medicação não tinha resultado porque a doença necessitava de algo mais para deixar aquele corpinho indefeso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chorou-se a sua morte mais que qualquer outra e não se sabe bem porquê. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez porque se precisasse de Anjos como ela na Terra!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-8473553683324080482?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/8473553683324080482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/03/olga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/8473553683324080482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/8473553683324080482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/03/olga.html' title='Olga'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/ScEDIc4eysI/AAAAAAAAAEg/5DnWVuBEPxc/s72-c/anjo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-4565237713970296022</id><published>2009-03-03T22:46:00.005Z</published><updated>2009-03-12T10:15:19.462Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maternidade;parto'/><title type='text'>O parto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/Sa21ktPjhyI/AAAAAAAAAEY/pJj3mmEhl6Q/s1600-h/parto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309099177964439330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 132px; CURSOR: hand; HEIGHT: 88px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/Sa21ktPjhyI/AAAAAAAAAEY/pJj3mmEhl6Q/s320/parto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Era um dia cinzento, muito perto do Natal. Começou bem cedo e foi imemorável. Pelas 4 ou 5 da manhã, um reboliço pouco habitual acordou uma menina de quase sete anos de idade.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Suspendeu a respiração para melhor sentir o que se passava no quarto ao lado do seu. Passos de ida e volta. Movimentos anormais para tão madrugada hora. Súplicas mordidas e...parecia que alguém chorava!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Levantou-se muito devagarinho e tentou ouvir mais atentamente o barulho, abafado por vozes que falavam muito baixinho. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pensou em sair do quarto, mas algo lhe dizia para permanecer quieta no seu canto. Era mais seguro. Ainda estava escuro e do quarto ao lado vinha apenas uma ténue luz. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;E se subisse ao parapeito daquele janela interior? Será que conseguiria?. Empoleirou-se na cama de ferro agarrada à parede lisa e por pouco não caiu ao chão. Tentou mais uma vez colocando os pézitos como se fossem patas de passarinho agarrados ao ferro dos pés da cama. A custo, segurou-se de encontro à parede, apoiada com os braços erguidos e as mãos agarradas à pedra do buraco da janela.&lt;br /&gt;Se conseguisse subir até ao vão da janela, podia ver o que se passava alí tão perto, do outro lado da parede.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Colocou almofadas sobre o ferro da cama e subiu mais um bocadinho, mas era insuficiente. Como gostaria de ter ali uma pequena escada ou até um banco para facilitar a subida e entretanto subia o seu inesgotável sentimento de espionagem...de curiosidade!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tanto fez, tanto andou, que lá conseguiu subir muito a custo para a janela. O que viu obrigou-a a refletir se devia permanecer ali ou descer e ficar quietinha na sua caminha. Mas a inusitada cena levou-a, mais uma vez a permanecer imóvel.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A mãe estava deitada contorcendo-se com dores, enquanto uma velha que ela não conhecia, estava aos pés da cama numa atitude de espera infinita. De pernas abertas sobre a cama parecia esperar alguém ou alguma coisa que saísse da mãe.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A dada altura o choro e os "ais" da mãe começaram a crescer de tom e a velha levantou a roupa que cobria a mãe para espreitar, sabe-se lá o quê!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Cobriu-a novamente e com um semblante de poucos amigos acenou com a cabeça em jeito de negação. A avó entrou no quarto e perguntou algo à velha tendo esta respondido de novo com a cabeça em sentido negativo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;O que se estava a passar alí? Alguém podia informar??? Porque é que uma pessoa que nunca se viu, está na cama da mãe?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Absorta nestes caminhos não se deu conta que a velha pousou os olhos nela, no momento exacto em que a menina se acomodava no seu novo poleiro. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Que faz aquela rapariga alí sentada na janela???&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A mãe nem se deu conta da pergunta, porque sentia muitas dores e só gemia, mas a avó virou o seu olhar em direcção do dedo em riste da velha e veio depressa retirar a rapariga do lugar.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Desce, minha filha, desce daí...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O que está a acontecer à minha mãe?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tu vais ter uma irmãzinha ou irmãozinho...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- ???&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- A tua mãe está à espera que nasça, depois explico tudo, quando ele estiver cá fora. Agora vai dormir que já te venho chamar. Não saias da cama que tá muito frio.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O pai?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Tá na sala. Daqui a pouco vai trabalhar. Fica quieta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Porque é que a mãe chora?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- São as dores do parto, minha filha, depois eu conto-te tudo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;São as dores do parto?... Pensava ela que nunca tinha ouvido falar em tal. Só conhecia as dores de barriga e pouco mais!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Deitou-se novamente mas os seus olhos ficaram abertos o resto do tempo. Os seus ouvidos também. A mãe deixara de se ouvir e o reboliço extinguiu-se. Com o cansaço a menina tinha adormecido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando despertou a primeira coisa que fez foi procurar a avó. O dia já ia alto e tudo parecia normal. Da velha nem sombra. Teria ela sonhado??&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Anda cá minha neta que te vou apresentar o teu novo irmãozinho.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Num enorme rolo de cobertor saia uma carinha pouco maior que a da boneca de trapos que a  avó lhe dera pelo último Natal.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Que criança tão pequenina!! Como se chama?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Manelzinho. Já foi baptizado e tudo correu muito bem.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Já foi baptizado?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Já, minha filha, porque nasceu muito fraquinho e se morresse não ia para o Céu se não fosse baptizado, percebes?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A menina já ouvira aquelas palavras na catequese e sabia que todos os nascidos em famílias cristãs como a sua, tinham de ser baptizados. Mas não tinha havido festa de baptismo como acontecera com os irmãos de amiguinhos seus e isso deixou-a triste.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Posso pegar nele?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Podes. Só um bocadinho que daquí a pouco ele tem que ir para a tua mãe que lhe vai dar o peito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- O peito? Para quê?&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;- Para ele mamar. As crianças enquanto são pequeninas mamam nas maminhas da mãe. Como os cabritinhos e os cãezinhos, lembras-te??Tu também mamaste e foi o diabo para te desmamar!!!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pegou no irmão com muito jeitinho, sempre sob o olhar atento da avó e nesse preciso momento, olhando a carinha ainda vermelha do irmão recém nascido e prematuro,  sentiu o mais profundo e inovador sentimento da maternidade.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-4565237713970296022?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/4565237713970296022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/03/o-parto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4565237713970296022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4565237713970296022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/03/o-parto.html' title='O parto'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/Sa21ktPjhyI/AAAAAAAAAEY/pJj3mmEhl6Q/s72-c/parto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-8522876801565946554</id><published>2009-02-18T09:51:00.004Z</published><updated>2009-02-18T15:11:10.671Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pedófilo;apicultor; guarda;'/><title type='text'>O apicultor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZwZX312ywI/AAAAAAAAAD4/UJpGn-T7GxE/s1600-h/abelhas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304142359053126402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 143px; CURSOR: hand; HEIGHT: 143px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZwZX312ywI/AAAAAAAAAD4/UJpGn-T7GxE/s320/abelhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era guarda fiscal e nas horas vagas apicultor. Vivia numa casa rodeada por pequenas parcelas de terreno em socalcos e toda a propriedade era fechada com um enorme portão de ferro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com ele viviam também duas filhas gémeas muito bonitas e na casa dos 20 anos mais ou menos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era muito bem falante, tinha um rosto triangular e a sua figura quando fardado, lembrava um cavaleiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desconhecia-se o estado civil e quem era a mãe das filhas. Era pouco dado a conversas com estranhos e nunca falava da sua vida privada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com os colegas mantinha uma certa distância. Era orgulhoso e muito vaidoso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fez amizade com um casal que tinha duas filhas e uma delas, a mais velha, tinha muito jeito para aprender coisas novas, mesmo que fossem difíceis. Gostava sobretudo das coisas ligadas à natureza. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em conversa com a mãe dessas duas meninas, o apicultor, exultou a ciência de cuidar das abelhas e o bem que fazia ter um cortiço ou dois no seu terreno para poder tirar o mel, imprescindível à alimentação e à saúde. A mãe comentou ao jantar que o guarda fiscal tinha cortiços com abelhas e tirava muito mel durante o ano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perguntou às filhas se não queriam aprender a lidar com as abelhas. A mais nova disse que não, porque picavam, mas a mais velha mostrou-se curiosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Certo dia a mãe pediu ao guarda fiscal para que mostrasse às filhas os cortiços das abelhas e se elas gostassem, se ele podia ensinar alguma coisa a respeito. Disse logo que sim e que ensinaria tudo o que soubesse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E lá foram as meninas para casa do apicultor, que as apresentou às filhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mais velha das meninas reparou em tudo ao seu redor: como e o que tinham em casa, no terreno à volta da casa, como eram lindas as gémeas, como uma delas varria a sala, onde havia muita poeira e tudo o resto que que fosse diferente e interessante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reparou também que as gémeas pouco ligaram ao pai e às recém chegadas, ignorando simplesmente a sua presença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois o guarda fiscal levou as duas irmãs para verem as abelhas, mas de longe, para que não fossem picadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mostrou-se muito solicito e sobretudo muito didático. A sua atenção virou-se exclusivamente para a mais velha das duas e qualquer explicação ia sempre acompanhada de um abraço terno e paternal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As irmãs gostaram muito da tarde e comentaram com a mãe. Foram a casa do guarda mais umas duas vezes, para ver outra vez as abelhas e pouco mais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O guarda nunca as deixava sózinhas a não ser numa dessas tardes que disse às filhas para ficarem com a mais nova enquanto ele ensinava umas coisas à mais velha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As gémeas consentiram, mas a irmã mais nova não quiz deixar a irmã e foi atrás dela. Tudo se passou com a máxima normalidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A irmã mais velha reparou nalgum nervosismo do guarda, que não parava de dizer à mais nova que ela podia ficar a brincar com as gémeas em casa, porque não percebia nada de abelhas, como se a mais velha já fosse muito entendida no assunto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Propôs então a subida aos socalcos, onde havia muitas flores e as abelhinhas iam buscar o pólen para fazer o mel. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As mocinhas lá foram entusiasmadas. As gémeas que nunca saiam de casa vieram ao encontro do pai e fizeram questão em acompanhar o grupo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Distanciaram-se um pouco e chamaram pela mais nova das irmãs, ficando o guarda sozinho com a mais velha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estrategicamente parou num ponto do muro que dividia os socalcos e onde havia um pequeno buraco e atraiu a rapariga para ver o que estava lá dentro. A rapariga olhou para o grupo da frente e reparou que iam sair do seu alcance, mas como estavam perto, acedeu ao convite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aproximou-se do buraco e tentou espreitar lá para dentro, mas não viu nada. Quando se virou para dizer que nada tinha visto o guarda abraçou-a e deu-lhe um beijo na boca. Surpreendida a rapariga desembaraçou-se do guarda e fugiu atrás do grupo onde estva a irmã.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mal as alcançou disse à irmã que iam embora naquele mesmo momento. Quer as gémeas, quer o guarda, tudo fizeram para as segurar mais um tempo. Mas foi em vão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando chegou a mãe, perguntou como fora a tarde na casa do guarda. A mais velha respondeu secamente que nunca mais lá voltaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mãe ficou admirada e perguntou o porquê de tal atitude.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não vou mais, já disse. E escusa de me obrigar, porque não vou!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Porquê? Que foi que te fizeram?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada. Não quero ir mais. Prefiro ficar em casa a passar a ferro...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como queiras. E tu também não queres ir para lá? - perguntou à mais nova.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A conversa ficou por ali, mas a mãe sabia que as filhas não desistiam assim, sem mais. Resolveu indagar por conta própria. Afinal não se sabia muito dessa gente, a não ser sobre o comportamento profissional do guarda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Falando com alguém que conhecia muito pessoas, porque era uma cabaneira de mão cheia, foi sabendo que ali, naquela casa e naquela família, havia muito mistério!...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Constava-se até que ele abusava das duas filhas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A senhora não quiz saber mais nada! Resolveu falar de imediato com a filha mais velha sobre o que realmente se passara, e porque não queria mais saber de abelhas e de apicultura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A filha não disse nada, mas não lhe faltou vontade para dizer à mãe que ela acreditava em tudo e todos e muitas vezes a colocava em perigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Resolveu ficar calada. A mãe percebeu que algo se passara, mas não ia tirar nada a não ser o silêncio da filha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais tarde, o guarda comentou com a senhora que as filhas nunca mais lá tinham ido e se se passara alguma coisa que elas não tivessem gostado. A mãe não comentou nada, desculpou as filhas pela ausência, devida ao recomeço do ano escolar e a coisa ficou por ali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As gémeas deixaram o pai sozinho e partiram para sempre. Nunca mais se ouviu falar delas, mas do pai comentou-se que abusara de uma menina da mesma idade das duas irmãs e por isso ia responder em juízo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pedófilo, guarda e apicultor era useiro e vezeiro nesse tipo de comportamento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando o caso já não era segredo, a mãe, preocupada,  perguntou à mais velha se ele tinha abusado dela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não abusou, mas faltou pouco!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir daí as irmãs nunca mais foram entregues a pessoas a não ser da família directa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-8522876801565946554?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/8522876801565946554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/o-apicultor.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/8522876801565946554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/8522876801565946554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/o-apicultor.html' title='O apicultor'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZwZX312ywI/AAAAAAAAAD4/UJpGn-T7GxE/s72-c/abelhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-6850270014183264578</id><published>2009-02-14T13:05:00.008Z</published><updated>2009-02-18T09:50:06.632Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='freira; insidiosa; intencionada'/><title type='text'>A Freira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZbCDHVuMOI/AAAAAAAAADo/eHxdMV7RPpM/s1600-h/freira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302638970040889570" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 73px; CURSOR: hand; HEIGHT: 116px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZbCDHVuMOI/AAAAAAAAADo/eHxdMV7RPpM/s320/freira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De criança rebelde, irrequieta, incontrolável, desobediente e má, passou a adolescente humilde, dada às práticas religiosas, tocava no coro da igreja, dava catequese, era filha de Maria, enfim, um amor de rapariga que fazia o orgulho dos pais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, conversando com uma das freiras que acompanhavam o seu percurso escolar, resolveu perguntar a uma delas o seguinte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Irmã, o amor que nós sentimos por Cristo é igual ao amor que se sente por um homem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A freira inclinou a cabeça em jeito de pensar a resposta que iria dar... Depois, calmamente, respondeu que sim. Que era igual ao amor por um homem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela pensou na mentira que acabara de ouvir e agradecendo virou costas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não era essa a resposta que a adolescente pretendia e a pergunta tinha sido intencionada. Dir-se-ia, até provocante. Ela sabia que uma coisa é o amor a Cristo e outra o amor a um homem. O primeiro, manifesta-se pela forma solidária e desinteressada como se reparte entre todos os seres humanos, independentemente do sexo, religião ou confissão. O segundo, depende de muitos factores, sendo mais um sentimento puxado por interesses carnais ou societários, que propriamente altruístas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a adolescente não quiz desvendar que a pergunta tinha sido insidiosa. Quando ela pensava num homem ou rapaz, não via nele Cristo, via-o como ele era e queria amá-lo com todos os seus sentidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mãe dessa adolescente, numa visita que fez com a filha ainda pequena a um colégio de freiras, caiu no ridículo de dizer que a criança pensava ser um dia freira. À pergunta de uma velhinha irmã, se era de facto essa a sua vontade a, ainda menina, respondeu que sim. Hipócritamente logo se viu, para não deixar a mãe ficar mal na fotografia. E toda a comunidade religiosa, ali mesmo, fez questão de orar pelas boas intenções da pequena e a sua futura integração numa ordem religiosa. Ela sentiu o peso dessa responsabilidade, mas sabia que só seria freira se quisesse e fosse responsável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volvidos alguns anos, já adolescente sabida, a moça olhava nostalgica para aquelas carinhas lindas das freiras, sempre aprumadas no seu hábito negro, sempre de livrinho de orações nas mãos e nos bolsos o terço. E adorava a sua vida recatada, monótona, entregue às coisas do Céu... Tinham apenas que se preocupar com a Igreja, aulas, catequese, brincadeiras no recreio, festinhas de Natal, de fim de ano! Parecia tudo tão sossegado e tão bom que ficava a pensar se realmente não seria boa escolha ir para freira. Pensava então no dia em que uma legião de freiras rezou pela sua vocação para freira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a sua vocação não era ser freira...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-6850270014183264578?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/6850270014183264578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/freira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6850270014183264578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6850270014183264578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/freira.html' title='A Freira'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZbCDHVuMOI/AAAAAAAAADo/eHxdMV7RPpM/s72-c/freira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-6955622118803402724</id><published>2009-02-11T21:44:00.007Z</published><updated>2009-02-13T22:03:46.318Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cacheadeira; médium; mediunidade; experiências;Sete Cidades'/><title type='text'>A médium</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZNKOvklPlI/AAAAAAAAADg/wjODd6Acdj0/s1600-h/medium.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301662803493731922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 123px; CURSOR: hand; HEIGHT: 91px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZNKOvklPlI/AAAAAAAAADg/wjODd6Acdj0/s320/medium.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A vida de algumas pessoas pode assemelhar-se a um enorme lago: manso, profundo, escuro, constante, misterioso...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas ao mais pequeno movimento, provocado por qualquer pedrinha, que cai na mansidão das águas, o lago ondula suavemente em circunferências simétricas. De onda em onda há um hiato. Nesse hiato aparem coisas que se desconhecem. Que não são reais. Que a mente quer descodificar, mas sem efeito...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tinha uns vinte anos. Namorava e a sua vida era um lago todo azul, igual a um dos lagos das Sete Cidades. A mãe pedira-lhe um pequeno grande favor. Que a acompanhasse numa visita breve a uma médium que, de vez em quando, dava consultas a troco de algum dinheiro. O que as pessoas podiam ou queriam dar. Contrariada, lá foi.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A casa da vidente ficava numa rua estreitinha, de paralelo, que subia da margem do rio até à parte alta da freguesia. Perdia-se o fôlego na subida. Quando se bateu à porta, uma velhinha aproximou-se e abriu. Na sala pequena e abafada estavam umas cadeiras a toda a volta da sala e nelas, sentadas, mulheres cujo grupo etário ia dos 40 aos 70 e muitos. Puseram os olhos nas recém-chegadas e nos seus olhares podia-se adivinhar todo o tipo de perguntas: - Será falta de dinheiro? Falta de trabalho? Intrigas? Afastamento de casal? Porque vem uma nova e outra mais velha? Serão mãe e filha? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A moça sentiu-se apalpada, como se uma cacheadeira estivesse a percorrer todo o seu corpo com luvas brancas e um fochinho de funcionária pública. Mas não ligou. Alguém fez um gesto para que uma delas se sentasse numa das cadeiras, talvez para cuscar a vida das duas e o motivo da visita. A mais nova, a filha, nem um gesto fez para agradecer, mantendo-se quieta à porta de entrada, com ar de quem estava a perder o seu tempo. A mãe perguntou baixo se estava alguém com a médium. Notava-se um certo desconforto por ter que suportar tão longa espera. Se fosse o caso teria que desistir e a viagem teria sido um desperdício...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Algumas das presentes cochichavam, adivinhando-se pelo olhar, àcerca de quem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O tempo passava e a mãe estava impaciente. A filha, aparentemente calma, olhava para o relógio de vez em quando. Depois passava um olhar indiferente sobre os presentes, pressentindo que continuava a ser olhada de uma estranha forma. Não sabia explicar, mas eram olhares que incomodavam.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A porta de acesso à sala da mediunidade abriu-se de rompante. Uma das perssoas saiu pela porta fora e a outra fitou de forma singular todas as pessoas que se encontravam na sala. Muda e com um semblante preocupado, retomou o exercício, olhando cada pessoa nos olhos. Parecia procurar algo. Até que se quedou no olhar da moça que entrara com a mãe em último lugar e sem mais, disse-lhe:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Você vem para uma consulta?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com ar superior e desdenhando respondeu:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Eu??!! Não! É a minha mãe. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a mãe levantou-se sem perceber nada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Entrem, senão não consigo trabalhar!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mãe e filha entreolharam-se, mas nada disseram, apenas se admiraram por terem sido as últimas a entrar e as primeiras, das presentes que já lá estavam, a serem consultadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O espaço que agora as acolhia era indescritível! Num pequeno altar estavam amontoados quase todos os Santos que se veneram na Religião Cristã. Havia velas acesas aos pés de quase todos eles, o que tornava a atmosfera irrespirável. Alguns vasos com flores pretendiam dar ao "santuário" um ar fresco e colorido, mas esse efeito não foi conseguido. Imperava uma falta de gosto e um desalinho nas coisas, que parecia um armazém de figuras. Um livro sobre uma mesa redonda. Mais Santos espalhados pelo resto do cubículo e umas cadeiras para os consulentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mãe disparou:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não imaginei que fosse tão rapidamente atendida... Estão tantas pessoas à espera!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Essas pessoas não me incomodam e esta senhora sim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A minha filha?!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Se é sua filha não sei. Só sei que desde que vocês entraram não consegui concentrar-me e não gostei nada que tivessem vindo cá...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Desculpe, mas a minha filha não...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Deixe lá. Vamos ao que interessa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Se quiser eu saio! - disse a moça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Acho melhor...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rapariga saiu porta fora e deixou a mãe sozinha com a médium. Respirou de alívio e regressou ao local onde tinha deixado o namorado. Ria-se como uma perdida e o rapaz perguntou-lhe o motivo do riso. Quando lhe contou a cena, o namorado também se riu, mas ficou a pensar na coisa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao jantar a família reuniu-se, mas antes de irem todos para a mesa, a mãe chamou a filha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sabes o que me disse a mulher?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que mulher?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A vidente...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não sei, o que foi?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que tu também podias ser como ela, se quisesses!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Risadas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não me faltava mais nada! Ela é doida!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Disse-me que eras poderosa, daí ela não ter conseguido concentrar-se enquanto lá estavas. E que as tuas dores de cabeça são resultado da tua mediunidade. Como não queres exercer... sofres!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sofro o quê, mãe? As minhas dores de cabeça são com as de toda a gente!. Não invente!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A conversa ficou por ali. Muitos anos depois daquele incidente, uma pessoa que não praticava, mas que era também médium, confirmou o que dissera a primeira, àcerca dos dotes da rapariga.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acreditando ou não, essa moça ao longo da sua vida, teve muitas experiências mediunicas, mas nunca as relacionou ou tão pouco as valorizou!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De médicos e de tolos, todos temos um pouco!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-6955622118803402724?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/6955622118803402724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/medium.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6955622118803402724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6955622118803402724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/medium.html' title='A médium'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZNKOvklPlI/AAAAAAAAADg/wjODd6Acdj0/s72-c/medium.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-4164408914141010154</id><published>2009-02-10T20:44:00.006Z</published><updated>2009-02-10T21:48:01.841Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Boi Bento; dentada;'/><title type='text'>Boi Bento</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZHoaKPV7WI/AAAAAAAAADY/tXoGaUALDJY/s1600-h/alcunha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301273772514733410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 117px; CURSOR: hand; HEIGHT: 88px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZHoaKPV7WI/AAAAAAAAADY/tXoGaUALDJY/s320/alcunha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;As alcunhas têm muitas vezes a ver com os tipos de pessoas ou animais, mas no caso em apreço, Boi Bento, não dizia nada do rapaz estouvado e bruto que era o Mário. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Filho de uma lavradeira e um sapateiro, viveu a sua infância como a maior parte da rapaziada da sua idade, naquele pedaço de chão verde, bordado de pequenas montanhas e onde ainda era possível passar a noite com as portas e janelas abertas.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tinha duas irmãs. A Mia, a mais velha era uma rapariga sensata, tímida, mas muito trabalhadora e era o braço direito da mãe que muitas vezes caía de cama, sem se saber muito bem o que é que tinha. Havia gente que dizia que era encosto... Se era, nunca ninguém soube quem era a alma penada. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A outra irmã, passava o tempo de roda da mãe. Era muito carente e até doentinha também. Não fazia nada, ou quase nada. Era uma espécie de menina bem, naquela família de pobres. O Boi Bento era o do meio. Trazia tudo o que era robusto, desde o tamanho até à estupidez. Passava o tempo de fisga na mão para atirar aos pássaros e depois comia-os fritos! Que nojo que aquilo metia à mais nova, que não gostava muito das caçadas do irmão.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Certo dia estavam de conversa dois vizinhos. Os dois, ao portão, jogando conversa a respeito de tudo e de todos e ninguém em particular. Uma criança novinha, brincava perto deles.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Mário aproximou-se e viu-se no seu rosto uma vontade enorme de entrar na brincadeira da miúda. Esta ao vê-lo parou e fitou-o como que dizendo: - Queres brincar?? Vais ver a brincadeira que te espera!.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como se tivesse adivinhado, o Boi Bento parou e hesitou continuar. A rapariga voltou à sua brincadeira de roda dos mais velhos e estes continuaram a conversar distantes das atitudes dos mais pequenos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O rapaz ganhou força e foi direitinho à rapariga com uma pergunta que já não lhe saiu dos lábios. Nesse preciso momento a rapariga pegou num pau e malhou no rapaz que tentou proteger a cabeça entre as pernas, enquanto a rapariga o fustigava nas costas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O avô ficou atónito com a cena e resolveu interromper, tirando o pau à rapariga e levantando o pobre coitado. Preparava-se para levantar a mão para castigar a rapariga, mas esta afastou-se o suficiente para poder falar e não levar uma boa sova. A vizinha também ajudou à festa, convidando o avô a castigar a miúda, que lhe deitou um olhar fatal...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que maneiras são essas? Foi isso que te ensinaram??&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ele mordeu-me...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- O quê? Não vimos nada!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mas não foi hoje, foi no outro dia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O avô que sempre acreditou na neta ficou com a pulga atrás da orelha, desta vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Hummmm.... Onde te mordeu?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Nas costas!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Nas costas? Em que sítio?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Aqui...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E apontou com a maozinha para a parte de cima da omoplata muito próximo do pescoço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quero ver isso. Mostra lá.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entretanto o rapaz berrava a plenos pulmões, esperando ver o desfecho da coisa e querendo que o avô a castigasse ali mesmo, na frente dele.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O avô desabetoou o vestido da menina e verificou que tinha efectivamente uma dentada perto do ombro,  muito bem desenhada,  com os dentinhos todos do Boi Bento e que ainda mostrava sinais  de ser recente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nenhum dos adultos teve coragem para dizer fosse o que fosse à rapariga. De facto não só falara verdade como o castigo tinha sido justo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-4164408914141010154?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/4164408914141010154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/boi-bento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4164408914141010154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/4164408914141010154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/boi-bento.html' title='Boi Bento'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SZHoaKPV7WI/AAAAAAAAADY/tXoGaUALDJY/s72-c/alcunha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-3228532230669901440</id><published>2009-02-06T09:11:00.009Z</published><updated>2009-02-11T21:43:31.460Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Joly; combalido; Santo António; Advogado;'/><title type='text'>Joly</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYwBuj6P3BI/AAAAAAAAADQ/l-_a-u3-i-A/s1600-h/cÃ£o+boby.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299612760933391378" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 129px; CURSOR: hand; HEIGHT: 104px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYwBuj6P3BI/AAAAAAAAADQ/l-_a-u3-i-A/s320/c%C3%A3o+boby.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não há nada mais interessante que as brincadeiras com o cão que se escolhe para integrar a família. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quatro irmãos recolheram um lateiro ainda pequeno. Chamaram-lhe Joly, porque era lindo e foi o nome aceite por todos, sem qualquer discussão. Era de pelo curto, de pequeno porte e todo castanho. O focinho era levemente pontiagudo e tinha uns olhos castanhos muito ternurentos e sempre suplicantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Todas as noites, depois do regresso da escola, aquelas quatro almas não faziam outra coisa senão brincar num dos quartos, sobre a cama, com o pequeno animal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não adiantava a mãe ralhar que não queria o cão sobre a cama, nem sequer nos quartos, porque a pequenada, logo que a sentia distraída com as tarefas de casa, era a primeira coisa que faziam. Para cima de uma das camas brincando e rindo com as atitudes do Joly.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O cão era brincalhão e fazia as delícias dos quatro, que não podiam mimá-lo mais. Comidinha a horas, banhinho quando necessário, muita água fresquinha, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ia com eles para todo o lado e só não ia para a escola porque era proibido. Mas até na Igreja entrava e ficava muito quietinho ao pé da pia da água benta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Certo dia o Joly ficou muito quietinho num canto, não levantou as orelhas e muito menos abanou a cauda, quando as quatro ferinhas quiseram brincar com ele. Estava molinho!!.... Metia dó. Então quando olhava com aqueles olhinhos suplicantes até dava vontade de chorar. Mas o que teria acontecido e porque estava ele assim tão choquento??&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Atiraram com os livros para cima de uma cadeira e foram ter com a avó, que era uma pessoa entendida em animais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Vó, que tem o Joly?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não sei meus filhos. Já está assim desde o meio da manhã. Já lhe deitei azeite pela guela abaixo, mas não reagiu...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Azeite?!! Que nojo!...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Se ele comeu alguma coisa que lhe fez mal, o azeite obriga-o a vomitar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E lá foram eles encher o Joly de mimos. Mas ele também não se mostrou feliz. Estava mesmo doente e com cara de quem diz: - Deixem-me em paz. Tou a morrer...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As crianças não queriam acreditar naquilo. Algo tinha acontecido e voltaram para falar com a avó que preparava a janta. Mas a avó não sabia como aquietar aquela gentinha, porque não tinha respostas para as suas inquietantes perguntas. Apenas dizia para se acalmarem. No dia seguinte algo se faria pelo Joly. Mas a pequenada não estava disposta a esperar pelo dia seguinte. Queriam acção e rápida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Chegou entretanto a mãe das crianças, que quase se assustou de verdade, ao ver os quatro correrem para cima dela, dizendo cada um a sua coisa e não se entendendo coisa nenhuma. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Um de cada vez, por favor!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- O Joly mãe. Está a morrer!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Cruzes, porquê? Foi atropelado?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Nada disso mãe. A avó disse que talvez ele tenha comido alguma coisa que lhe fez mal...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- E o que pode ter sido? Deixem-me mudar de roupa, que já vamos ver isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os quatro com a avó esperavam com ansiedade que a mãe desse uma solução e um desfecho feliz àquela desgraça que ameaçava o Joly.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mãe chamou a mais velha para ir ao quarto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sim, mãe...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Quem foi que esteve no meu quarto?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não sei!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Quem mexeu nos meus remédios que estavam sobre a mesinha de cabeceira?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ninguém mexeu aqui mãe. Juro!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi então que a mãe encontrou debaixo da cama a embalagem de um medicamento completamente roída e parte dos comprimidos comidos!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Foi o Joly! Só pode ter sido ele. Quem ia roer isto assim??&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então foi o medicamento que o pôs assim, mãe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não pode ter sido outra coisa!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desatou a correr para contar aos irmãos o que tinha acontecido com os medicamentos da mãe. A causa da tristeza do Joly e a sua indisposição foram causadas pela ingestão dos remédios!! A avó que ouviu a conversa perguntou para que servia o medicamento que a mãe tomava. Os quatro foram perguntar à mãe e ela respondeu que eram para dormir e para o sistema nervoso. A avó ficou apreensiva mas nada disse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A pequenada voltou à carga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que fazemos, vó?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Rezar, meus filhos. Vou pedir a Santo António, Advogado dos animais para que proteja o cãozinho!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Joly foi colocado numa cesta confortável e com um cobertor para o manter quente. Bebeu mais um pouco de azeite a custo e parte dele saiu forçado pela lingua do Joly, que não parava de cuspir o líquido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os quatro não queriam dormir nas suas camas, mas sim ao pé do Joly quase por cima dele, se possível. A avó com a calma habitual retirou as crianças e tranquilizou-as:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vão para as vossas camas. Amanhã ele estará melhor. Já pedi a Santo António para o proteger e se ele melhorar, como creio, vou levar uma velinha ao Santo. Mas vocês não podem ficar aqui, porque o cãozinho não vai poder dormir descansado e assim não vai melhorar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para bem do Joly, os pequenos obedeceram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia seguinte não foi necessário berrar, como de costume, para sairem da cama. Bem cedo e sem pequeno almoço os quatro foram direitinhos ao sítio do Joly. Ainda combalido, abanou a cauda e olhou com aqueles olhinhos como que a dizer: - Ainda estou muito mal, mas acho que vou melhorar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ficaram contentes com os progressos do Joly e foram a correr beijar a avó que tinha feito a promessa ao Santo António.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando regressaram ao fim do dia, da escola, o Joly já queria brincar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O milagre acontecera!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-3228532230669901440?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/3228532230669901440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/joly.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3228532230669901440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3228532230669901440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/joly.html' title='Joly'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYwBuj6P3BI/AAAAAAAAADQ/l-_a-u3-i-A/s72-c/c%C3%A3o+boby.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-3793769256766901647</id><published>2009-02-04T20:43:00.000Z</published><updated>2009-02-05T09:36:23.468Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bruxo da Ponte;facadas;cruzes;'/><title type='text'>Sessão de bruxaria</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYn_tt5CMqI/AAAAAAAAADI/p__pveRcjmU/s1600-h/vestido+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299047597456110242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 98px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYn_tt5CMqI/AAAAAAAAADI/p__pveRcjmU/s320/vestido+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Era uma criança enfezada. Não comia. Rejeitava tudo ou quase tudo, mesmo as guloseimas. Já estava habituada a ser apresentada às pessoas como a "amarelinha dos peidos", a enfezadinha, a magricelas, a raquítica e outros adjectivos que tais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dizia-se também que não pertencia à família. Tinha sido deixada por uma família de ciganos, à porta da casa dos avós e estes com peninha da menina trouxeram-na para a família. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tinha que comer um pão que os irmãos não podiam comer de tão bom que era, por trás de uma porta, bem escondida. Andava sempre nos médicos que diziam todos a mesma coisa:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ela não tem nada. Só precisa de se alimentar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas a sua astúcia e traquinisse levava que algumas pessoas que gostavam de ver o circo a arder, dessem opiniões diferentes sobre a saúde mental e física da menina.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ela tem mas é o diabo no corpo!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Nunca se viu uma criança tão má de aturar!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a criança continuava a dar dores de cabeça aos pais que, com frequência, a deixavam ir para casa dos avós, porque ela não queria outra coisa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chegava a casa dos avós, depois de uma curta viagem de comboio e camioneta, tinha sempre à sua espera umas batatas fritas em azeite e dois ovos estrelados, com uma gema amarelinha e uma clara tostadinha. Acompanhava com um pedaço de broa cozida em casa. Que pitéu! Isso é que ela gostava!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Regressando a casa dos pais era sempre o mesmo. Não lhe apetecia comer, nem beber e muito menos estar à mesa, ouvir a mesma coisa vezes sem fim o que era uma tortura: - Come! Está a esfriar! Come! Come!!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia apercebeu-se de inusitado movimento em casa dos pais. Não sabia muito bem o que se estava a passar, mas deu para perceber que uma vizinha ia e vinha e olhava para ela com um olhar esquisito, inquiridor, até reprovador. Não ligou muito, porque já era costume acontecer. Depois ela não gostava muito daquela vizinha. Lembrava-se sempre do dia em que em casa dos pais caiu uma tesoura ao chão e ficou aberta e ela dissertou sobre a desgraça que iria cair naquela casa. A tesoura se caísse e ficasse fechada, nada aconteceria. Mas ficou aberta... Logo, algo muito estranho e grave iria acontecer à familia! Era um mau presságio!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As escadas de acesso à entrada da casa onde essa criança vivia com os pais, fazia um &lt;strong&gt;L&lt;/strong&gt; e no patamar dos dois lanços alguém colocou um assador de sardinhas. Coisa estranha...pensava a criança. Já tinham comido a ceia... Quem iria assar e o quê, àquela hora, e ainda por cima no meio das escadas??&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A resposta não demorou muito. A mãe acendeu o lume no assador e manteve a chama bem alta durante algum tempo. Tocam à porta e a vizinha corrreu a abrir. Não se conhecia a figura. Vinha de preto, com um chapéu que lhe cobria parte da cara e tinha uma barba grande. Tinha um aspecto horrível. Era bruxo!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois tudo se passou como se de um pesadelo se tratasse. A menina é amarrada e levada para as escadas. Pegaram nela a mãe e a vizinha. Claro que esperneou o quanto pôde, mas em vão. Colocaram-na sobre a chama, tendo o cuidado de não a queimar e o dito homem de chapéu, começou com uma ladaínha que ninguém percebia a quebrar o feitiço da menina. Para o quebrar, ele utilizava um facalhão enorme que cruzava várias vezes sobre o peito da possuída. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a faca por cima e o lume por baixo, a pobre coitada não tinha muita escolha e como desejava que ficasse bem gravado o seu desagrado, berrou, esperneou até não poder mais. Mas era franzina demais e teve que aguentar a cerimónia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entretanto, para que a mãe não ousasse fazer outra cena daquelas ia dizendo:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Putas! O meu pai vai saber disto...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ela está possuída. Está o diabo a falar por ela!!! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Qual diabo, qual carapuça, suas putaaaaaaaaaaaaaaaas! Querem me matar! Vou-vos foder a todooooooooooooooooooos! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não sabe o que diz, a pobre! O diabo ainda está dentro dela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mas vai sair ou não me chame Brucho da Ponte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ai, Deus queira, que já não se aguenta esta rapariga!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A cena ainda durou mais um pouco com as ladaínhas e as cruzes com a faca sobre o peito da paciente. Depois tudo voltou ao normal, mas a menina não comeu nada e foi para o seu quarto para adormecer pouco depois.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte respirava-se um ambiente tenso e de expectativa. A mãe sempre atenta, temia que a filha ficasse pior do que já era. Esta, olhava para a mãe e ainda não aceitara a cena do dia anterior, e por isso largou:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Se aquele homem voltar a esta casa, mando-o pela escada abaixo e dou-lhe com uma vassoura até ele morrer!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mãe nem acreditava! Afinal o bruxo não tinha feito bem o trabalhinho! &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-3793769256766901647?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/3793769256766901647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/sessao-de-brucharia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3793769256766901647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3793769256766901647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/sessao-de-brucharia.html' title='Sessão de bruxaria'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYn_tt5CMqI/AAAAAAAAADI/p__pveRcjmU/s72-c/vestido+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-27952300382670603</id><published>2009-02-03T15:51:00.000Z</published><updated>2009-02-05T16:22:09.068Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chafariz;hexagonal;regato;espreguiçadeiras;espirrava'/><title type='text'>O chafariz</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYhrRjVe3kI/AAAAAAAAADA/mGyHfN81RPI/s1600-h/chafariz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298602910888681026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 137px; CURSOR: hand; HEIGHT: 70px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYhrRjVe3kI/AAAAAAAAADA/mGyHfN81RPI/s320/chafariz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tinha a forma hexagonal e estava sempre cheio de água que saia cristalina por um tubinho que se situava a meio. Esse chafariz atraía as crianças que passavam por alí, especialmente nos dias quentes e abafados de Verão. Era um chafariz muito tentador.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Situava-se no início da alameda das tílias, frondosas e perfumadas na flor. A alameda descia para duas pequenas pontes construídas em madeira, que davam acesso às fontes de água medicinal. O lugar era conhecido por Águas e nele descansavam e se tratavam muitos doentes que sofriam do fígado e dos diabetes. Todo o espaço tinha frondosas árvores e ruas em terra batida. As margens das ruas estavam bordadas com inúmeras hortenses, floridas e de muitas cores. A mais bonita era a cor de sulfato!&lt;br /&gt;Nesse lugar havia muita vida e muito trabalho nos meses de Verão. Enquanto as termas estavam abertas, os visitantes domingueiros, aproveitavam as sombras e o fresco, para piquenicar. Jogava-se num mini golfe, podia-se andar num pequeno barco num riacho que vinha do monte e que dividia as duas fontes, podia-se brincar às escondidas atrás dos enormes troncos das árvores seculares, podia-se passear, correr, trepar às árvores de pequeno porte. Enfim, era a liberdade total em harmonia com o paraíso verde e fresco!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num pequeno regato que também descia até ao riacho, a água saltitava de pedra em pedra e muito perto da Fonte Nova as pedras tinham uma cor diferente. Eram amarelas por causa das propriedades da água que os doentes tomavam por uns copinhos com letras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dava gosto vê-los! Velhinhos uns, mais novos outros, mas todos muito bem vestidos e arranjados, aguardavam sentados, em espreguiçadeiras, a sua vez. Depois, num gesto lento e cuidado dirigiam-se à menina que estava num buraco redondo, que pegava num copo (cada doente tinha o seu), que enchia por medida e o dava ao paciente, com um sorriso. Os domingueiros e visitantes fortuitos também podiam beber, mas era em copos sem letras. Eram cheios e podia-se repetir. Como eram boas aquelas águas. Algumas vezes, quando bebidas em demazia, faziam diarreia, o que era muito bom para desopilar a tripa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Certo dia, duas irmãs e um amiguinho, passaram pelo tal chafariz e, como sempre, pararam a ver como o biquinho no meio dele, espirrava a água em arco para dentro do lago, sempre da mesma forma, sempre a mesma quantidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um deles teve uma ideia genial! E se conseguissemos tapar o bico da água?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Como?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Com um pau, sei lá! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E lá foram em debandada procurar pauzinhos que chegassem até ao bico e tapassem a água. Não foi fácil a busca, mas ainda assim, trouxeram uns paus pequenos e finos que pareciam capazes de provocar tal efeito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todos de volta do chafariz, de joelhos, tentaram tapar o bico. Mas a tarefa estava difícil. Ou o pau não era suficientemente comprido e não chegava lá, ou demasiado fino e não tapava coisa nenhuma. Porém, havia um que parecia satisfazer a vontade da pequenada. Mas tinha que ser empunhado por um que se atrevesse a esticar bem um dos braços, senão não chegava ao bico. E assim foi. Uma das raparigas pegou no pau, aproximando-se o mais que pôde da margem e esticando o seu braço, tentou alcançar o bico da saída da água. Ao lado estava a claque a mandar no braço da rapariga com os apelos da praxe: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mais para o lado daqui... dali, dacolá...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tanto fizeram que, num movimento menos pensado a rapariga caiu ao lago e molhou-se toda! Felizmente o chafariz não era muito fundo e não deu para se afogar, mas que ficou ensopada, ficou!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E agora? Como vai ela para casa, assim toda molhada? Na melhor das hipóteses vão todos levar uma boa sova para não brincarem mais com o chafariz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pensaram então como tirar a roupa da rapariga e vesti-la mais ou menos com as roupas de cada um dos outros dois. O que poderiam tirar para cobrir a coitada que tremia de frio e de nervos? Foram para trás de uma árvore onde ninguém os visse e começaram a despir a pobre. Depois cada um entregava uma peça. O pior é que havia mais que vestir da cinta para cima do que da cinta para baixo!. O rapaz não podia tirar as calças e a outra rapariga não podia ficar sem cuecas e sem a saia. Como fazer?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tiraram as cuecas do rapaz que ficou tapado com as calças e a outra rapariga deu a combinação que trazia debaixo da saia. Para o peito o rapaz emprestou a camisa e ficou com o colete e a rapariga emprestou o casaco de malha. A mocinha parecia um fantoche! Mas estava vestida e ninguém haveria de reparar que ela ia de combinação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim subiram a Folia, passaram pelo Cruzeiro, pelo Cimo de Vila e, finalmente, em casa!. Os três, olhando para todos os lugares rezando para que não aparecesse ninguém a perguntar porque a rapariga ia com os cabelos todos molhados e vestida de carnaval. Quando chegaram a casa tiveram que contar o sucedido, omitindo o verdadeiro motivo do banho. Passaram sem tareia, mas levaram muitas ameaças e ralhetes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nunca mais se aproximaram do chafariz! &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-27952300382670603?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/27952300382670603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/o-chafariz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/27952300382670603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/27952300382670603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/02/o-chafariz.html' title='O chafariz'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYhrRjVe3kI/AAAAAAAAADA/mGyHfN81RPI/s72-c/chafariz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-2078974783048740058</id><published>2009-01-30T09:35:00.001Z</published><updated>2009-02-02T20:04:38.536Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='marés'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='piaçaba'/><title type='text'>A chantagem</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYLKhcth5bI/AAAAAAAAAC4/6HyrfrA6BIE/s1600-h/violencia+na+escola.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297018787732776370" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 101px; CURSOR: hand; HEIGHT: 84px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYLKhcth5bI/AAAAAAAAAC4/6HyrfrA6BIE/s320/violencia+na+escola.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Depois de nascer por um fio, descer apertadinho entre margens rochosas e verdejantes, o rio espreguiça-se num enorme estuário, antes de se misturar com as águas salgadas e remechidas do mar. É a foz, ora de águas calmas como um lago, ora sacudidas e caprichosas pelas marés.&lt;br /&gt;Na maré baixa o rio quase secava e era possível saltitar entre um pedacinho de areia e um laguinho de água quente pelo sol. Levantavam-se as pedras e por baixo apanhavam-se pequenos peixes, caranguejos ou simplesmente areia movediça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O estuário parecia enorme aos olhos de uma criança. Perdia-se de vista! E como era bom brincar na areia molhada e depois lavar os pés em pequenas poças de água quente, ou então correr na areia menos húmida e olhar para trás para ver as pegadas que ficavam inscritas na areia. Mas o mais interessante era fazer desenhos na areia e caminhar tendo por horizonte uma povoação muito bela que ficava no sopé de um monte. No cimo do monte havia uma construção granítica, que hoje constitui um lugar muito aprazível e muito visitado pelos turistas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas voltando ao rio, quando a maré enchia vinha até ao casario e muitas vezes, sobretudo em épocas muito chuvosas, chegava a dar algumas dores de cabeça aos moradores da margem. A água entrava por todos os lados e quando baixava a maré, deixava um rasto de lama e sugidade que era difícil limpar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Certo dia, uma menina mais ou menos com oito anos de idade, pediu à mãe para que a deixasse ir um bocadinho até às pocinhas. A mãe acedeu ao pedido e disse-lhe para que de vez em quando olhasse para a janela da casa. Quando a mãe quisesse que a menina regressasse a casa colocaria um lençol branco à janela. Era sinal que deveria voltar e rapidamente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como a mãe não admitia faltas de respeito e exigia obediência total, a menina disse que cumpriria à risca o que a mãe lhe ordenara, ou não voltaria a colocar os seus pézinhos nas pocinhas e na areia em maré baixa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Brincou o quanto pôde. Pena não ter companhia! De vez em quando olhava para a janela e ficava aliviada, porque não via o lençol. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por pouco tempo se distraiu a seguir com um olhar um caranguejo verde e de tenazes em riste. Quando se voltou já o lençol esvoaçava à janela. Tinha que regressar. No caminho havia uma passagem estreita e levemente inclinada. Não passavam duas criaturas ao mesmo tempo. Quando a menina a alcançou apareceu um rapazola que resolveu gozar com a situação. A rapariga parou e aguardou que o rapaz a deixasse passar...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Só te deixo passar se me deres alguma coisa...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mas eu não tenho nada comigo!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Arranja-te. Se não tens nada contigo dou-te uma tareia, que tal?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A menina ficou apreensiva. O rapaz era mais velho e muito mais forte que ela. Impossível medir forças com ele. Ela estava em desvantagem. Mas não mostrou parte de fraca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Tenho aqui umas conchas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Para que quero essa merda?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A menina fez questão de levar a coisa a sério e começou a inventar uma boa saída.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Espera! Tenho uma coisa que talvez te interesse...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- O quê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pensou no que poderia interessar ao doido do rapaz, que a fizesse sair daquela situação e chegar a casa a tempo e horas para não ser castigada. Reparou que o rapaz tinha uns sapatos todos rotos e não hesitou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Tenho em casa uns sapatos novos que te devem servir. Posso dar-tos se quiseres...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Hum. Onde é a tua casa? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sabes onde é a adega do chico? É aí. Aparece amanhã de manhã, que tos dou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ficou combinado. O rapaz deixou- a passar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chegou a casa a mãe nada disse, por isso pensou que o incidente não a tinha prejudicado. Mas não tinha gostado nada daquele patife e da ameaça, por isso tratou de arranjar logo uma solução. Foi à despensa e procurou num caixote de coisas velhas uns sapatos ou coisa parecida para no dia seguinte dar ao seu chantagista.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim foi. No dia seguinte logo de manhã tocaram à campainha da porta. A menina estava sózinha e espreitou pela fechadura, mas não viu ninguém. Porguntou com uma voz grave: Quem é? E nada. Ninguém respondeu. Colou o ouvido direito à porta e esperou algum sinal de subida das escadas, uma vez que a entrada principal estava sempre aberta. E nada, outra vez! Desistiu e foi tratar dos seus afazeres.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De novo um toque à porta. A menina não fez qualquer barulho ou pergunta. Apenas olhou pelo buraco da fechadura e avistou o rapaz. Foi pé-ante-pé buscar uma vasoura de piaçaba, bem pesada por sinal e, repentinamente, abriu a porta. Antes que o rapaz pudesse fazer qualquer movimento, ou dissesse ququer coisa, levou com a vassoura na cabeça, nas costas, por todo o lado. O rapaz caiu pelas escadas e quando chegou à porta a custo se levantou de tal forma foram as vassouradas. A menina de cima das escadas atira-lhe com um par de sapatos velhos que foram direitinhos à cabeça do arrependido chantagista e, aos berros disse:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Aqui estão os sapatos. Se cá voltares, quem te vai dar outra tareia é o meu pai, que já sabe de tudo! Por isso é bom que não te atrevas a ameaçar-me outra vez!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-2078974783048740058?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/2078974783048740058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/chantagem.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2078974783048740058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2078974783048740058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/chantagem.html' title='A chantagem'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYLKhcth5bI/AAAAAAAAAC4/6HyrfrA6BIE/s72-c/violencia+na+escola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-538527502285620537</id><published>2009-01-29T22:00:00.001Z</published><updated>2009-02-09T16:52:27.991Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alfândega; rossio;de cujus; ossadas;rossio;'/><title type='text'>A Igreja</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYIofUlFowI/AAAAAAAAACw/oXmfx1NeXXA/s1600-h/igreja.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296840630306448130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 127px; CURSOR: hand; HEIGHT: 95px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYIofUlFowI/AAAAAAAAACw/oXmfx1NeXXA/s320/igreja.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Numa aldeia, paredes meias com a Galiza, fica uma Igrejinha, mais ou menos igual à da fotografia. Essa igreja foi construída num terreno doado pela família muito conceituada e respeitada, aí conhecida pela dos Santos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os Santos eram gente boa, obstinada no trabalho agrícola, que conseguiram ao longo dos anos uma considerável fortuna e uma casa farta de tudo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Igreja fica num plano superior ao lado da propriedade dessa família e é servida por uma escadaria em granito. Até há bem pouco tempo, no adro dessa Igreja estavam enterradas as cepas de bom vinho, que se estendiam numa longa latada para dentro da propriedade vizinha pertencente à família.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Da dita doação, também fazia parte o terreno do então pequeno cemitério situado a sul da Igreja e que era delimitado por um muro que o separava das terras dos doadores.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, da casa e rossio dos Santos, podia-se apreciar tudo o que se passava na Igreja e no cemitério, para onde caíam também pelo Outono, as peras maduras de uma pereira cujos galhos tombavam sobre o dito muro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para ver de palanque um casamento, um funeral, uma procissão ou qualquer outro ofício religioso, bastava uma pessoa empoleirar-se sobre o muro de divisão e daí se tinham todas as vistas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um certo dia a Junta de Freguesia resolveu fazer obras de beneficiação na Igreja e levantar as ossadas dos corpos nela enterrados, como era hábito na altura, especialmente para as famílias de beneméritos e outros privilegiados da época.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A empreitada ficou a cargo da Junta que contratou rapazes muito jovens. As obras começaram e demoraram a concluir-se e nada se diria a respeito, se não fosse uma cena a que alguém assistiu.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num dos dias quentes daquele fim de Primavera, depois da janta, a rapaziada estava bem comida e bem bebida. Começaram com a limpeza e à medida que iam arrancando o soalho, traziam para o adro da igreja os desperdícios e tudo o que encontravam nos ditos jazigos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A dada altura começaram a rir-se como perdidos e atiravam com coisas pelo ar. Não se percebia muito bem do que se tratava, mas parecia que a brincadeira tinha a ver com o que eles encontravam dentro das sepulturas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um deles saiu da Igreja com uma cabeleira feita de cabelos negros, asa de corvo, compridos e que colocou na sua própria cabeça, pavoniando-se para os outros. Todos riram da palhaçada. Outro, atirou com uma caveira que conservava os dentes todos (ou quase), pegou nela e arremessou-a a um colega que gritou uma série de impropérios. Outro trazia um farrapo preto enorme, tentando descobrir o que era e prontinho para o enfiar na cabeça de outro. Devia ter sido o fato ou vestido do &lt;em&gt;de cujus.&lt;/em&gt; Ossos e mais ossos, uns soltos, outros agarrados aos esqueletos, tudo ia parar ao monte de terra que estava à porta da Igreja entre risadas e brincadeiras infantis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a brincadeira durou quase a tarde toda. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguém soube do sucedido e a notícia correu célere por toda a aldeia. Aquilo era o mesmo que profanar sepulturas! E quem é que afinal acompanhava as obras e permitiu tal ultrage?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte as obras pararam e as ossadas foram recolhidas para um grande caixote. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;De quem eram? De que família? Quando e como faleceram? Ninguém sabia! Estava tudo numa alfândega!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Perderam-se as relíquias de quem, porventura foi importante para aquela comunidade...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas quem manda àqueles inergúmenos contratar idiotas??&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-538527502285620537?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/538527502285620537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/igreja.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/538527502285620537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/538527502285620537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/igreja.html' title='A Igreja'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYIofUlFowI/AAAAAAAAACw/oXmfx1NeXXA/s72-c/igreja.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-7279717019163432975</id><published>2009-01-28T13:54:00.000Z</published><updated>2009-01-28T17:50:13.459Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bambalhona; humanidade;baluartes;'/><title type='text'>As muralhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYBlwwyuH9I/AAAAAAAAACo/RoeMbaTynPo/s1600-h/muralhas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296345050193469394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 93px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYBlwwyuH9I/AAAAAAAAACo/RoeMbaTynPo/s320/muralhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No tempo em que não havia televisão e a rádio apenas oferecia folhetins, viver entre muralhas era uma espécie de cativeiro libertador, salutar e mágico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Muito próximo das muralhas, situava-se a casa de uma família modesta constituída por pai, mãe e quatro filhos. Muitas vezes essa família aumentava com a chegada de parentes: avós, tios e primos. Também faziam parte da família, uma empregada e uma costureira. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Rosinha, assim se chamava a costureira, era uma linda moça, com um rosto branco e sereno e uns olhos azuis muito rasgados e penetrantes. Confeccionava as roupas, especialmente as de uma certa menina, a quem ela adorava. A Rosinha tinha uma deficiência grave nas pernas e movia-se com a ajuda de duas muletas que lhe sacudiam o corpo frágil e pequeno. Quando se via sentada na máquina de costura eléctrica, a Rosinha nem parecia deficiente de tão linda que era.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todos os anos, quando entrava a Primavera, o perfume a humanidade envolvia todo o espaço e, num ímpeto, era urgente sair de casa e passear pelas muralhas. Aí, um ventinho doce soprava vindo do rio e era incrível como apetecia cantar, correr, saltar, brincar, com quem quer que aparecesse por lá. Muitas vezes se aceitavam propostas de namoro, como se aquela estação do ano, a convite,  assim o exigisse. Os dias eram mais longos e as temperaturas amenas, o que obrigava a levantar cedo da cama e deitar tarde para se aproveitar o tempo todo e viver ao máximo a Primavera.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O burgo de casas baixas e todas juntinhas, tinha um aspecto de presepe e as muralhas pareciam mantos enormes que escondiam esse aglomerado de casas. As vistas de cima das muralhas eram estonteantes e de baixo sumptuosas. Quem sofresse de vertigens não poderia debruçar-se nos baluartes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De vez em quando algumas pessoas menos cultas e também muito porcas, despejavam baldes de lixo de cima das muralhas. Não era frequente, porque era arriscado. Mas havia sempre alguém que não temia o perigo e lá ia o lixo a céu aberto para cima do verde que rodeava as muralhas. Um dia, uma pobre rapariga, bambalhona e com pouco juízo foi deitar um balde de lixo e, porque se aproximou um pouco mais, escorregou e caiu das muralhas. A morte foi instantânea.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Vila ficou em estado de choque. As pessoas ali residentes comentaram por muito tempo o sucedido, apontando o dedo aos responsáveis pela educação da rapariga. Mas a pobre fazia aquilo todos os dias e ninguém se importava. Ninguém sequer comentou que aquela desgraça podia acontecer. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rapariga foi a enterrar num dia chuvoso e triste, como triste tinha sido o seu fim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-7279717019163432975?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/7279717019163432975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/as-muralhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7279717019163432975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7279717019163432975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/as-muralhas.html' title='As muralhas'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SYBlwwyuH9I/AAAAAAAAACo/RoeMbaTynPo/s72-c/muralhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-560288156894065265</id><published>2009-01-26T22:28:00.001Z</published><updated>2009-01-27T17:56:26.028Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arrochadinho;apessoado;muletas'/><title type='text'>O afinador de concertinas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SX80xOL4T3I/AAAAAAAAACY/ydShRhalihw/s1600-h/concertinas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296009707037151090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; CURSOR: hand; HEIGHT: 70px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SX80xOL4T3I/AAAAAAAAACY/ydShRhalihw/s320/concertinas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era um indivíduo apessoado, forte, bem humorado e muito solidário. Tinha perdido ainda novo, num acidente, uma das pernas. Nunca se conformou com essa perda e de vez em quando zangava-se com as muletas que trazia debaixo dos braços para lhe facilitar a locomoção e atirava com elas para alguns metros de distância resmungando sempre: "suas putas!!". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O seu dia-a-dia passava-o numa pequena oficina que tinha no rés-do-chão da sua casa, onde fazia as afinações sob a orientação do seu tio Velino e dava lições de acordeão, porque nisso era barra. Também conversava com a mulher, quando esta descia para passar a ferro na mesa da oficina.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Gostava de gozar com o pessoal mais jovem e sobretudo com uma rapariguinha que vinha de longe com o seu acordeão de 2 oitavas a pé, alguns dois klms, ou mais. Essa rapariga tinha paixão pelo acordeão, mas era uma preguiçosa para aprender, que metia dó. Ele, sempre com uma paciência de Jó, lá a encaminhava com promessas de grande futuro nos bailes da Vila ou até, quem sabe, numa grande cidade! Essas divagações levavam a rapariguinha para lugares onde jamais estaria, fantasiando com os tais bailes e verbenas, onde tocaria para muita gente dançar. Tais fantasias retiravam-lhe a pouca vontade que tinha de estudar e aprender, o que fazia com que o Sr. José ficasse possesso!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dia a rapariga chegou esbaforida pelo calor e pelo cansaço do percurso que havia feito com o acordeão às costas e encontrou o seu professor muito arrochadinho, com grandes olheiras e um enorme inchaço na cara. Perguntou, um tanto surpreendida com a carinha de lástima que ele apresentava, o que lhe tinha acontecido. O afinador manda-a sentar e, ao contrário dos outros dias, não lhe pede para tocar nada, apenas para o ouvir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ouve bem o que te vou dizer!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-????&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Hoje não vou perder tempo contigo, por dois motivos: primeiro porque tou com uma dor de dentes que me rebenta com a cabeça;  segundo porque tens que aprender a estudar o que te mando em casa e não aqui!!. Aqui é para eu te ensinar, não para tu, minha preguiçosa, estudares, ouviste??&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sim senhor. E do que é essa bochecha assim inchada?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Foi ontem. Tive que arrancar um dente!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A rapariga quiz saber pormenores. Então lá contou com todos os detalhes o episódio do dia anterior. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por volta da meia noite, mais coisa, menos coisa, começou a sentir uma dor fortíssima num dente canino. Bochechou com aguardente, que quase apanhava uma bebedeira, mas nada! O dente continuava a doer que metia medo e quando metia ar pela boca a dor era tão violenta que o fazia chorar. Ele, um homem daqueles, a chorar por causa de um miserável dente! Foi então que pensou em descer à oficina para pegar num alicate e tirar o dente. Quando saiu de casa para ir para a oficina, tinha de descer uns quatro degraus, como era noite e a dor o impedia de raciocinar, tropeçou com uma das moletas e quase contou as escadas com os costados! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ficou tão furioso com o dente que quando pegou no alicate nem sequer hesitou! Puxou com tanta força que o dente começou a abanar, mas não saiu. Se tinha dores, com mais dores ficou e os nervos já estavam a endoidecê-lo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltou mais uma vez ao dente, mas com um alicate maiorzinho que colocou bem perto da gengiva. Encostou-se à mesa e com as duas mãos puxou com toda a sua força o maldito dente. Saiu finalmente, mas foi difícil estancar a hemorragia! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mostrou o dente à rapariga que arregalou os olhos de admiração. Aquilo não era um dente era um fueiro! Porra! E lá tinha o buraco por onde entrava o ar quando ele respirava pela boca! Via-se muito bem o raio do buraco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi preciso muita coragem, pensou a rapariga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agora vai para casa e estuda esta música. Se amanhã não a tocares toda como deve ser, arranco-te uma orelha com o mesmo alicate com que arranquei o meu dente. Podes crer!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rapariguinha foi todo o caminho a pensar no sucedido e como o seu professor estava abatido e com dores. Também ia com medo da ameaça. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando chegou a casa pegou no acordeão e só o largou depois de saber tocar muito bem a tal música. A avó que sempre lhe pedia para tocar uma modinha para a alegrar, ficou admirada com tanto estudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando soube da desgraça do afinador de concertinas e da ameaça que tinha feito à neta, caso a musiquinha não fosse na ponta dos dedos disse para a neta: Abençoado professor!!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-560288156894065265?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/560288156894065265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/o-afinador-de-concertinas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/560288156894065265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/560288156894065265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/o-afinador-de-concertinas.html' title='O afinador de concertinas'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SX80xOL4T3I/AAAAAAAAACY/ydShRhalihw/s72-c/concertinas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-2041521749121305987</id><published>2009-01-22T12:29:00.001Z</published><updated>2009-01-23T12:02:00.655Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='volúpia;sensual; libidinoso'/><title type='text'>Géninha</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXjQ2ciL1MI/AAAAAAAAACQ/nFe5IdA1HOY/s1600-h/lesbica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294210995765105858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 113px; CURSOR: hand; HEIGHT: 114px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXjQ2ciL1MI/AAAAAAAAACQ/nFe5IdA1HOY/s320/lesbica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O seu verdadeiro nome era Eugénia, como a mãe. Filha de um juiz e uma dona de casa exemplar, era a mais velha de 3 filhos. Tinham uma enorde herdade no Alentejo, mas passavam a maior parte do tempo em Lisboa, onde numa qualquer comarca o pai exercia a sua função de juiz.&lt;br /&gt;Não casou, apesar de ser um optimo partido. Seguiu estudos superiores, mas não se conhece o que profissionalmente realizou na vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era uma criatura gorda que fumava como um homem. Vestia de forma simples e masculina. Não tinha conversa, a não ser com quem simpatizava muito. Parecia fria, distante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Géninha visitou uma só vez uns familiares directos, remediados, que viviam no Norte. Da sua visita recorda-se apenas uma "soirée" um tanto inusitada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sentada numa poltrona, fumava lentamente um cigarro e fazia questão de soprar o fumo para cima, como se estivesse a recordar momentos vividos, provavelmente, muito bons. Depois como por esmola, passava um olhar vazio pela sala onde se encontravam os familiares e uma criança muito curiosa que lhe seguia todos os movimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A dada altura tocam à porta e eis que chega uma amiga da família. Vinha de saia exuberante, comprida com folhos, uma blusa atrevida cintada e nos cabelos negros compridos e encaracolados, tinha uma fita que realçava os seus olhos lindos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fizeram-se as apresentações e a partir desse momento a Géninha "regressou" à sala, olhando com sofisticado semblante a nova recém chegada. Alguém colocou uma música da moda no gravador e os presentes tiveram vontade de bater o pé.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas foi puxada uma nova música, entre o flamengo e o passodoble e a visita ensaiou os primeiros passos de um bailado a sós. Rodopiou, atirou com os cabelos para trás, pegou na saia e fê-la esvoaçar. Estavam todos encantados com os dotes da amiga. A Géninha não despregou mais os seus olhos dela. Parecia hipnotizada...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vieram mais dois dedos de conversa para &lt;em&gt;inglês ver&lt;/em&gt; e de novo se solicitou mais uma dança, mais uma música absorvente. A Géninha pediu um wisky e a amiga recém chegada também aproveitou o pedido. Seguiram-se mais copos de wisky e já as duas estavam nas nuvens.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A noite prometia comprometimento, não divertimento. Notava-se um clima de excitação na Géninha, sempre que olhava para a amiga da família. Esta também não se fazia rogada e de vez em quando aproximava-se da Géninha com um sorriso e um olhar lascivos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Géninha pede sem qualquer pudor que a amiga dance só para si.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Seguiu-se um momento de volúpia, sensual e até libidinoso... Em todos os passos de dança a dançarina ajoelhava-se aos pés da Géninha, enquanto esta mordia o filtro do cigarro e o apertava entre os lábios carnudos e rosados. A música convidava à sensualidade e enquanto os presentes se entretinham com minúcias tarefas, as duas olhavam-se de forma muito comprometida. Não se sabia o que iria acontecer depois, mas o que aconteceu naquele momento foi algo de imprevisto, incontrolável! A dançarina rodopiou num movimento lento com os braços e as mãos em espanholadas piruetas e roça a Géninha com os seios na cara. Esta move-se incómoda na poltrona e ajeita-se de forma a facilitar outro movimento igual. Já a dançarina ia e vinha pela sala ao som do flamengo, quando a Géninha pousa o cigarro e tal qual uma cobra a encantar o passarinho,  fita a dançarina e todos os seus movimentos.  Percebe-se que queriam ficar a sós ou já se encontravam a sós pelo efeito do alcool. Mais um passo atrevido e, descontrolada,  a dançarina cai nos braços da Géninha, que lhe dá um longo beijo na boca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Finge-se que nada se passou, alguém chamou alguém que não ouviu, levantam-se os pratos e os copos da mesa, sussurra-se algo que ninguém percebe e o ambiente fica incómodo para a família, mas muito interessante para as duas que se olham com vontade de se lamberem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte a Géninha pediu que chamassem a amiga e fecharam-se as duas muito tempo no quarto de dormir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Muito mais tarde ouviu-se um comentário sobre a Géninha: tinha regressado ao Alentejo onde vivia com uma amiga, por isso nunca quiz casar.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-2041521749121305987?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/2041521749121305987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/gninha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2041521749121305987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2041521749121305987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/gninha.html' title='Géninha'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXjQ2ciL1MI/AAAAAAAAACQ/nFe5IdA1HOY/s72-c/lesbica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-2067415030636717964</id><published>2009-01-17T19:03:00.000Z</published><updated>2009-01-22T12:25:45.173Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fueiro; esfacelar;satanás'/><title type='text'>As do Pombal</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXIsq1xC52I/AAAAAAAAACI/cdr4GBpXHLE/s1600-h/Corunha+019.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292341626612672354" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXIsq1xC52I/AAAAAAAAACI/cdr4GBpXHLE/s320/Corunha+019.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Numa pequena e insignificante aldeia do Norte, havia um sítio que se chamava Pombal. Nada tinha a ver com as pombas, animais lindos e delicados. Era assim chamado porque a descendência daquela casa senhorial tinha de nome o Pombal.&lt;br /&gt;Viviam naquela enorme mansão 4 irmãs. Uma delas solteirona e com uma enorme barriga que parecia andar de nove meses. Era por certo uma doença que a pobre mulher carregou a sua vida curta. As irmãs eram saudáveis. Não se lhe conheciam pretendentes... Alguém inventou um dia que uma delas tinha tido um desgosto de amor. Mas nada se sabia ao certo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O lugar de Pombal ficava numa espécie de seara muito ensoleirada. Quando o verão chegava esse lugar sufocava os pulmões mais arejados. Era um calor insuportável. As janelas da mansão estavam sempre fechadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No terreiro da casa o chão parecia feito de barro. Duro aqui, arenoso alí. Quando se caminhava sobre ele os pés ficavam amarelos da cor da terra e o pó penetrava em todos os sítios, até mesmo nos ouvidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um certo dia depois do meio-dia, ouviu-se um grande reboliço no pátio de acesso às escadas que levavam à entrada da mansão. Uma gritaria de meter medo. Foi então que se percebeu a razão: uma enorme cobra ameaçava as raparigas e parecia querer entrar dentro da casa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Para trás Satanás!!! - dizia uma&lt;br /&gt;-É o diabo! - dizia outra&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O certo é que não havia vivalma que pudesse com uma enchada cortar a cobra ao meio e as irmãs estavam aterrorizadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As cobras e os répteis em geral trazem mau presságio e imenso medo e as raparigas não fugiam à regra. Além disso, aquele animal era tudo menos algo que viesse por bem. Que pena não existir um homem por perto!...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das irmãs, a mais valente por certo, agarrou num fueiro do carro das vacas e tentou imobilizar a cobra. Com a extremidade do pau em V, conseguiu depois de algum esforço e suor em bica, pregar a cobra ao chão. Uma das outras irmãs pegou noutro pau e bateu na cobra de forma desordenada. Quando a cobra já estava mais morta que viva, a irmã que começara a tarefa pegou num pano e no rabo da cobra e num movimento desumano rodou a cobra de modo a que a sua cabeça se esfacelou contra o chão. Os movimentos eram de tal forma violentos que a cobra começou a soltar-se aos bocados. Um nojo!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A coragem e força da mulher parecia vinda do sobrenatural. Ninguém tinha assistido a uma cena igual.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A partir desse episódio toda a aldeia comentava que a mulher só podia estar possuída. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como era possível pegar numa cobra tão grande e rodá-la daquela forma até se desfazer?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-2067415030636717964?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/2067415030636717964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/as-do-pombal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2067415030636717964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2067415030636717964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/as-do-pombal.html' title='As do Pombal'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXIsq1xC52I/AAAAAAAAACI/cdr4GBpXHLE/s72-c/Corunha+019.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-7081167798424136374</id><published>2009-01-16T17:54:00.000Z</published><updated>2009-01-16T21:26:52.580Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sinal; mata-bicho; rastas; malgas; debulhar;cãs'/><title type='text'>Sinal comadre!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXDLZ-Y7XvI/AAAAAAAAACA/I7oKZAX2k08/s1600-h/fantasma.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291953209265053426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 122px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXDLZ-Y7XvI/AAAAAAAAACA/I7oKZAX2k08/s320/fantasma.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era o tempo das colheitas, por S. Miguel, e todo o cenário convidava a debulhar, malhar, os cereais maduros que ficariam guardados nos celeiros limpos e arejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era preciso gente. Muita gente para trabalhar. Vinham de todos os lados, da Veiga, de Prado, da Corga, dos montes sem nome, lá para muito longe da vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficavam em casa, todos, durante dias, até que a faina amainasse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verão quente e Outono morno. Das alcovas vinha um odor de corpos suados e mal lavados. Uma tosse de quem vai ter pulmões infectados, estranha o silêncio. Um sussurro de gente que se volta na cama quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhece e toda a labuta se inicia pelas cinco da manhã. Na cozinha todos têm assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se dorme nada com este calor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O tio Zé tossiu muito durante a noite!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois, ele fuma que nem um cavalo!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje temos muito que lhe dar! Oxalá o tempo não aqueça muito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já cheira a café fresco e alguém pede o mata-bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devagar com isso que é muito forte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não trabalho bem se não tiver o bucho quente com esta maravilha de aguardente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá mesmo boa, cá vai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pão é de mistura e vai muito bem, migado dentro das malgas, no café muito quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já toda a gente está a postos e parte, ainda noite, para os campos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem o fim de tarde e todos regressam. Lavam as mãos e as caras e sentam-se à mesa para a última refeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda é cedo para dormir e por isso vão para um serão debulhar o minho e o feijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As conversas são sempre as mesmas: a gente que morre e do que morre. O que aconteceu a fulano e a beltrano. Alguém que tinha ido à bruxa e tinha perdido uma fortuna! A tuberculose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na roda estava a tia Rosa. Mulher de mais de cinquenta anos, mas que aparentava muitos mais e que viera de muito longe para ajudar a prima, que sempre a tinha ajudado na vida.&lt;br /&gt;Tratavam-se por comadres, mas na verdade nunca o foram. A tia Rosa, mulher baixinha, de cara redonda e rosada tinha estampado no rosto a dureza da sua vida. Casara sete vezes e sete vezes enviuvara. Dizia que em cada espiga de milho via um homem!&lt;br /&gt;Não gostava de se lavar e tinha umas rastas no cabelo mais espessas que os novelos de linho antes de dobar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era pouco faladora, sempre atenta e uma trabalhadora de se lhe tirar o chapéu. Tinha uma forte inclinação para tudo o que era sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, num lindo dia de verão, por sinal à hora do descanso, depois da janta, a única criança da casa quis penteá-la. Ela a princípio não deixou, mas perante a insistência da pequena lá acedeu e deixou entrar um pente. Foi em vão. O pente não entrava e só as cãs sentiram os dentes do pente. A criança desistiu da tarefa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa daquelas noites depois de muito trabalho, os corpos pediam descanso ainda que não fosse necessário dormir. De novo as voltas nos leitos, os suspiros, o ressonar e a tosse forte e contínua. Silêncio sepulcral... Um ruído de passos rompe o silêncio.&lt;br /&gt;Quem seria? Estava tudo fechado e todos nas alcovas. Não está ninguém lá fora...&lt;br /&gt;De novo passinhos rápidos seguidos de barulhos de quem entra e sai, entra e sai...&lt;br /&gt;- Comadre!! Comadre!! Sinal...&lt;br /&gt;Silêncio schhh.......&lt;br /&gt;- Comadre! Sinal!&lt;br /&gt;Silêncio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, os olhos dos trabalhadores evidenciavam cansaço, uma noite mal dormida. As bocas bocejavam até às orelhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ouviu-se muito barulho esta noite!!&lt;br /&gt;- Também ouvi... Vinha do forro da casa. Parecia gente a andar de um lado para o outro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a mesma voz repete: - Comadre, sinal....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não foi nada. Foram os ratos!&lt;br /&gt;- Os ratos?&lt;br /&gt;- Sim. Ratos ou ratazanas, que se passeiam toda a noite no forro da casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tia Rosa não acreditou que eram os ratos. Tinha de ser um sinal de alma penada! Isso sim. Tinha a certeza e para o quê, haveríamos de ver!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-7081167798424136374?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/7081167798424136374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/sinal-comadre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7081167798424136374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/7081167798424136374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/sinal-comadre.html' title='Sinal comadre!'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SXDLZ-Y7XvI/AAAAAAAAACA/I7oKZAX2k08/s72-c/fantasma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-1177107548971381278</id><published>2009-01-15T11:24:00.001Z</published><updated>2009-01-15T15:56:15.452Z</updated><title type='text'>A caneca do vinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SW8ejZQ9AAI/AAAAAAAAAB4/S25YbR-LQSk/s1600-h/caneca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291481680609869826" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 103px; CURSOR: hand; HEIGHT: 112px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SW8ejZQ9AAI/AAAAAAAAAB4/S25YbR-LQSk/s320/caneca.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hora da janta e falta o vinho... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Pega na caneca branca e vai ao Lírio buscar vinho. Despacha-te!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saiu porta fora com a caneca e uns centavos para o vinho. A taberna ficava perto e era preciso despachar, que a mãe não admitia atrasos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De regresso a casa um "amiguinho" passa por ela e faz-lhe umas caretas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Olha que levas!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pousa a caneca cheia de vinho na borda do passeio. Os dedos da sua mão pequena e magra começavam a doer. Descansa um minuto. Afinal a casa era já alí. Faltava pouco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O rapazinho não a largava. Queria chamar a sua atenção, mas a menina não estava para brincadeiras. Além do mais a mãe detestava que ela brincasse na rua com rapazes, coisa que lhe agradava imenso por sinal, especialmente jogar à bola e às escondidas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas naquele momento era impossível. O rapazinho como não conseguia captar a sua atenção resolveu aproximar-se e passou com uma das pernas sobre a caneca que estava no passeio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ah! Quase a derrubas, bandido. Vou-te foder...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Risadas de patife que levou a menina à "ira". Começou a procurar no chão uma pedra. Não importava se pequena ou grande o mais importante é que fosse direitinha à cabeça do rapaz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Procurou enquanto com o olho no rapaz, media o espaço que a separava dele. Pensou que já não ia a tempo de o castigar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por fim encontrou uma pequena pedra. Pouco maior que uma moeda de 5 tostões. E lá vai ela direitinha ao rapaz que num gesto vitorioso se voltara para a ver procurar o que não achava: a pedra!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi como um tiro e fez imensos estragos. O rapaz levou com a pedra no olho direito e o sangue cobria-lhe toda a cara, enquanto berrava como um cabrito desmamado, tapando a cara ensanguentada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sairam à rua os bombeiros que estavam no quartel e os bêbados da adega do Chico. A rapariga aproveitou a confusão para se esgueirar, encostada à parede e se enfiar em casa com o ar mais humilde que existe no Mundo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O pai, conhecedor da filha que tinha, perguntou entre uma paciência de solitário:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Que foi que fizeste?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A rapariga contou rapidamente ao pai a trama de há momentos atrás. Perguntou pela mãe que supostamente deveria estar à volta do jantar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- A tua mãe foi ver o que se passava quando ouviu aquele griteiro todo... Deve estar a chegar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfiou-se no quarto e aguardou o castigo. A mãe entra esbaforida pela casa e pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Onde está essa rapariga?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pai com o ar mais calmo que podia encontrar naquele momento de desastre, pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que lhe queres??&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quero comê-la viva! Tu sabes o que ela fez ao pobre do rapazinho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não. O que foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Deitou-lhe um olho abaixo. Levaram-no para o Hospital. Deus queira que não fique cego!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A rapariga não tem culpa...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O quê? Tu ainda defendes aquele estafermo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tu não lhe tocas. Já disse. O caso é comigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mãe nem queria acreditar! O pai que nunca se metera entre as duas e sobretudo nunca deixara que fosse severamente castigada, agora está a defendê-la?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A muito custo aceitou a admoestação do marido e começou a por as coisas na mesa para o jantar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vem comer...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rapariga vem cabisbaixo e senta-se sem um ai! A mãe envia-lhe um aviso com o olhar: na próxima levas pela de hoje e pela do dia...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela sabia que assim seria, por isso há que enfrentar as coisas e levar com as consequências.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naquele dia o pai, sempre tão distante, ausente até, foi capaz de suster a mãe e não permitiu que a filha fosse castigada. Subiu e muito na sua consideração. Aquele, sim, é que era um pai de verdade!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia seguinte a escola estava em pé de guerra. Todos queriam molhar a sopa na rapariga, porque tinha aleijado e muito o rapaz que se arrogara no direito de a gozar com a caneca do vinho. A rapariga sentiu o perigo e queria tudo menos andar à porrada com aqueles diabos todos. Pelo que se definiu imediatamente: - aquele que me tocar vai ter que se entender com o meu pai que é polícia marítimo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gargalhada geral. Tocou para a entrada da sala de aulas e a rapariga e o rapaz trocaram um olhar de desculpas. Por momentos ficou arrependida do que fez, mas ninguém levava a melhor com ela e se não podia ser ao soco, eram as pedras as suas aliadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No recreio a rapariga dirige-se ao rapaz e pede-lhe desculpa. O gesto foi entendido pelo resto da turma, quando o rapaz disse que fora ele o causador da desgraça. Mas ia ficar bem. Afinal o que fez sangrar tanto foi a pele do sobrolho, que foi cortada com a pedra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Desculpa... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No local em que a rapariga colocou a caneca do vinho para descansar, havia um talho que naquela hora estava fechado, mas a dona do talho estava à janela e vira toda a cena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aproveitou uma passagem da mãe da rapariga e interpelou-a sobre o acidente do dia anterior. Trocaram as informações que sabiam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A sua menina não teve culpa. Estava a descansar a mão que trazia a caneca e o rapazinho passou-lhe com a perna por cima. Por pouco não lhe atirou com a caneca ao chão. Depois o rapaz teve azar com a pedra que ela lhe atirou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Aquela criança é o diabo e com pedras um perigo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;São crianças...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-1177107548971381278?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/1177107548971381278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/caneca-do-vinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/1177107548971381278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/1177107548971381278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/caneca-do-vinho.html' title='A caneca do vinho'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SW8ejZQ9AAI/AAAAAAAAAB4/S25YbR-LQSk/s72-c/caneca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-2953176778378490214</id><published>2009-01-12T17:32:00.001Z</published><updated>2009-01-13T10:47:46.583Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gomito; cabaneiro; trave; corte'/><title type='text'>A vaca da vizinha</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWt-5b0Qd-I/AAAAAAAAABo/JOxB7S1_nJA/s1600-h/animais+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290461712461363170" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 124px; CURSOR: hand; HEIGHT: 93px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWt-5b0Qd-I/AAAAAAAAABo/JOxB7S1_nJA/s320/animais+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Tio Zé! Oh! Tio Zé!! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Quem raio me chama?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sou eu. A minha vaca parece que vai parir! Pode vir vê-la?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Já vou, já vou. Aquece água e traz bastante azeite...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uhm!!!!!!!!!! Vai haver novidade e aquela endriabada da neta do Zé não vai descansar enquanto não se emploleirar numa das traves da corte para assistir ao parto!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Laurinda, vou à Maria ver como está a vaca. Logo te dou notícias...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- A rapariga vai contigo?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- És tola ou quê? Só se for para me empatar mais que a vizinha. Ela fica contigo. Vê se não a deixas escapar-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas já era tarde demais. Num dos estrados para ração estavam um par de olhos verdes, arregalados até ao couro cabeludo, enfiados numa cara franzina de quem não se alimentava, nem à lei da bala! Curiosa. Impressionantemente quieta, para quem tanto reboliço fazia durante o dia e até à noite! Caladinha, que nem um rato, porque se fosse vista alí era coça da brava!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Então tio Zé?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Ainda está atrasada, mas deve ser esta noite...ou talvez amanhã, pela madrugada. Não sei! A ver vamos como diz o cego.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Que faço com a água e o azeite?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Por enquanto nada. Volto daqui a mais umas duas horas. Tem calma, mulher!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Pois, que remédio!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Porra! E a rapariga tem que regressar a casa. Afinal o espectaculo está atrasado. Mas ela volta!!! Ah! se volta!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sorrateira, aparece com o ar mais angelical deste mundo vinda da retrete.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Onde te meteste, que não te vejo há muito tempo??&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Fui à retrete! Venho agora mesmo de lá! Não viu bó??&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não te afastes da casa e muito menos não te quero na casa da vizinha. Vê se me obedeces, por favor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Tá bem, tá bem, eu obedeço...fique descansada!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cearam o caldo que ficou do jantar e um resto de arroz com peixe frito. Estava tudo muito bom, mas a rapariga não tocou em nada, a não ser no pão e numa pinguinha de vinho que a fez estremecer de azedume...Comentaram que a rapariga cada vez estava pior para comer. Assim, qualquer dia adoecia e depois é que iam ser elas!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Cala-te. Ela come quando lhe apetece...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- E come o que não deve!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Que queres que se faça? Bater, não podemos. Obrigar, muito menos, porque gomita tudo... É cá uma canseira!. Temos que a levar à Vila para que o Doutor a veja.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a conversa virou para a vaca da vizinha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- É hoje que vai nascer? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não sei. Tá tudo muito atrasado...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Se calhar vai deitar para as tantas da noite, não ????&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sei lá!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Arrumou-se a cozinha e aconchegaram-se as brasas ainda acesas da lareira. Os potes já estavam de lado, mais pretos que o carvão. Seriam lavados no dia seguinte e se chovesse era bem provável que ficassem até à hora do jantar sob as pingas que caíam do telhado. Assim, aproveitava-se a água e o serviço estava meio feito!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Vamos para a cama, que amanhã é um novo dia com muito para fazer!! - Diz a avó para a neta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Já????&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Sim, já! Além disso tens de dormir, já que não comes nada, minha menina!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Oh bó, deu-me agora mesmo uma fome...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Tás a brincar comigo??&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- A sério, bó. Apetecia-me um fundinho de caldo. Mas muito pouco, se faz favor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O caldo vem ainda quente e a mocinha pegou a custo na colher.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Que boa que tá bó!! Vou comer tudo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- ?????!!!!!!!!!!!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entretanto o avô Zé preparava-se para ir espreitar a vaca da vizinha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Vou ver se há novidades!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não vou esperar, Zé, que amanhã tenho de me levantar mais cedo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Faz isso mulher. Deita-te e descansa...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mocinha comia muito devagar, uma colher atrás da outra e sempre mexendo e remexendo o caldo. Um feijão para este lado, um pedaço de batata para aquele, um troço de couve quase a cair do prato, enfim, o caldo nunca mais acabava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Vê se te despachas que quero ir pra cama, rapariga!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Bó, eu vou comer o caldo todo, mas está muito quente e não quero escaldar-me. Vai-te deitar bó, que eu vou já para a cama.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Fazes isso? A sério??&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- A sério bó. Vais ver que vou comer tudo. Depois ponho o prato na maceira e vou dormir. Podes ir descansada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O caldo foi para a pia do porco mal a avó virou costas e quanto à ida para a cama era tudo falsidade daquela safada!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estava escuro como breu, mas lá bem alta estava uma Lua de meter inveja. Se estivesse muito perto dali quase parecia o sol a iluminar todos os espaços que ficavam com um ar de lavado. Mesmo aquele caminho sempre todo sujo de estrume, parecia branco!!!! Incrível!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pé ante pé, lá se esgueirou para perto da entrada da corte onde estava a vaca da vizinha... Ouviu as vozes do avô e da vizinha. O avô dizia que a hora estava a aproximar-se e que precisaria de pelo menos mais um homem para segurar na vaca! A vizinha foi chamar o Sacristão. Uma figura caricata: muito alto e magro. Um nariz que não acabava mais e sempre fanhoso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tinha ar de muita força, isso não, mas era jeitoso na ajuda. Mais valia gente com jeito que com força. Para a força estava alí o grande e indomável Riquitau, alcunha do avô e parteiro,  nos meios mais mal falantes da Vila e arredores!!! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os três adultos em volta da vaca aguardavam que esta desse um ar de quem vai parir... Nesta altura já a rapariguinha estava no camarote da corte, medindo todos os passos e abstendo-se de fazer o mínimo ruído para não sair dalí com o rabo quente...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A vaca começou a ficar impaciente. O tio Zé de mangas arregaçadas até ao pescoço, pediu a garrafa do azeite e num movimento rápido besuntou as mãos e os braços. Depois enfiou até ao sovaco a mão e o braço direiro no ventre da vaca da vizinha. Moveu levemente o braço como quem pretende alargar o buraco por onde, supostamente, iria sair a cria...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Já falta pouco...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Coitada, os animais também sofrem muito....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Felizmente não berram como algumas mulheres!!!! - disse o Tio Zé!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais uma pausa. A noite parecia que não acabava mais. De vez em quando a mocinha fechava os olhos de cansaço e quase se deixou vencer pelo sono. Mas acordou...E se caísse no chiqueiro da corte ao pé da vaca da vizinha??? Foge!!!!!!!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais uma investida e nada. As horas passaram lentas... A conversa era quase sempre a mesma: as culturas, o ano que ia mau, as regas, as doenças, as mortes, a política, a falta de energia para vir a luz, etc. etc. O sacristão também opinava de vez em quando, sobretudo quando se falava de padres e das suas proezas pelas aldeias. Ninguém escapava àqueles três cabaneiros...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A vaca voltou a mexer-se e levantou-se a custo. Começou o trabalho de parto. O sacristão ocupou estrategicamente o lado esquedo da vaca, a vizinha o lado direito e o avô estava atento à saída da cria. Voltou a besuntar a mão e braço com muito azeite. Enfiou de vagar a mão na boca do corpo da vaca da vizinha. Sentiu  a cria e devagar aproveitou o primeiro e longo puxo da vaca. Cagou-se toda. O avô pediu ao sacristão para pegar num pouco de palha e limpar o cu da vaca. E o milagre começou a processar-se, primeiro vejo uma pata pequena de animal que sai lentamente. O avô ordena um EMPURREM enérgico para ajudar a vaca a expulsar a cria. Todos fazem imensa força. Todos sofrem incluindo a mocinha que babava de tanto pasmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A cria saiu finalmente e logo a vaca da vizinha se pôs a lambê-la como se a quisesse limpinha para as visitas. Depois deitou-se na palha limpinha e acabada de espalhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma linda cria. A mocinha ficou logo apaixonada pelo animal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Bô, posso levá-la para o campo pastar, quando ela puder andar??&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- ???&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que tás aí a fazer? Porque não estás a dormir com a tua avó?? Tu passaste aqui a noite toda?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É desta vez que te vou assentar os cinco mandamentos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vizinha estava tão contente que pediu misericórdia para o comportamento da mocinha. Foi perdoada. No dia seguinte toda a rapaziada da aldeia soube que a vaca da vizinha tinha dado à luz um lindo vitelinho e já tinha madrinha e tratadora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-2953176778378490214?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/2953176778378490214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/vaca-da-vizinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2953176778378490214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/2953176778378490214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/vaca-da-vizinha.html' title='A vaca da vizinha'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWt-5b0Qd-I/AAAAAAAAABo/JOxB7S1_nJA/s72-c/animais+5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-6341776480522336061</id><published>2009-01-10T21:13:00.001Z</published><updated>2009-01-11T15:32:14.340Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='colhão de galo; fatões; chita; estrear;'/><title type='text'>O vestido branco de bolinhas vermelhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWkTZwpcHQI/AAAAAAAAABg/ghpPAy1bDrY/s1600-h/vestido2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289780570599726338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWkTZwpcHQI/AAAAAAAAABg/ghpPAy1bDrY/s320/vestido2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Desejava muito um vestido todo branco, cintadinho, manguinhas curtas e com bolinhas vermelhas...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fez esse pedido à mãe, mas só a Avó lho concedeu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia foram à vila e numa loja de fazendas escolheram as duas o tecido. O empregado da loja disse que para um vestido para tão franzina rapariguinha, não levava muito pano. Por isso, qualquer duas alturas, contando um pouco com a roda do vestido e mais uns laçarotes, era suficiente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ela quer um tecido todo branco com bolinhas vermelhas! Tem??&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Parece que há por aqui alguma coisa parecida, se bem que a moda agora não é nada dada às bolinhas...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Esta "chita", parece-lhe bem? É forte e ainda dá para o resto do Verão, se o vestido for confeccionado já!!!!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu quero este &lt;em&gt;bó&lt;/em&gt;. É mesmo este!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quanto custa o metro?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E lá vieram com o pacote do tecido. Pelo caminho a Avó disse à neta que agora o mais difícil era encontrar quem fizesse o vestido!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Talvez a Maria do Lindolfo desse um jeitinho. Vamos ver!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Maria estava muito doente e há muito tempo que não pegava em trabalhos de costura. Tinha a espinha lixada e já não via muio bem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então quem poderia fazer o vestido para a rapariga o poder "estrear" no Domingo, como ela tanto queria?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Já sei! Vais á tua madrinha e tia! Sim, porque ela é modista e fazer o vestido não vai ser nada difícil...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Bó eu não vou lá pedir nada!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Porquê? Não vejo qual é o teu problema. Sabes onde ela mora e se é a tua madrinha, para alguma coisa servirá. Levas o pano e dizes como queres o vestido. Depois perguntas quanto é que te vai levar por fazê-lo. O resto é comigo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte a rapariguinha foi à madrinha com o embrulho debaixo do braço. Ia indecisa e pouco confiante. Nunca escondeu que aquela ala familiar não lhe era muito querida. As tias, por parte do pai, nunca foram com a sua cara e tão pouco a rapariga tinha algum carinho por elas. Além disso, a rapariga aprendera música e mostrava estar virada para coisas mais finas. Ao contrário, as tias achavam que ela devia pegar muitas vezes na enchada e na vassoura, que em concertinas e outras desnecessidades....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Bom dia tia. A minha avó pede-lhe o favor de me fazer um vestido. Tenho aqui o pano. Pode ser?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mostra lá...&lt;br /&gt;- O Verão tá quase no fim. Para que queres tu um vestido de Verão?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Gostava muito, se não fosse maçada...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quando o queres pronto?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Queria vesti-lo no Domingo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não pode ser. Tenho muito que fazer e além disso é preciso lavar primeiro o pano, senão encolhe...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A tia é que sabe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quando posso vir buscar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Primeiro tens que o provar. Passa por aqui lá para quinta-feira da semana que vem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ah! A minha avó pergunta quanto é que vai custar o vestido...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Depois eu vejo. Depende do trabalho que ele me der.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Obrigada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na tal quinta provou o vestido. Achara-se linda e era mesmo aquele feitio com que tinha sonhado!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passados uns oito dias o vestido estava pronto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A tia já sabe quanto é o trabalho, para eu dizer à minha avó??&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Já. 5ooo reis e olha, é por ser para ti...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Regressou a casa com um misto de alegria e dor. Como é que a avó tinha 5000 reis para pagar o vestido à tia madrinha?? Onde é que ela os iria buscar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Então minha filha, já tens o vestido?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Já sim bó...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quanto é que ela disse que custava?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- 5000 reis...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- O quê???&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- E disse-me que esse preço é por ser para mim...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Olha uma destas! Por ser para ti, ela nem devia levar um tostão, quanto mais 5000 reis!. Não te preocupes. Vou dar um jeito, minha filha...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rapariga bem viu o ar preocupado da avó que queria tudo, menos ficar a dever um centavo àquela gente...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte a avó foi à figueira e retirou os figos mais bonitos. Havia também uns "fatões" cor de púrpura que só nós tínhamos no quintal e umas uvas "colhão de galo" cuja cor variava entre o rosa vítreo e a cor de mel. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Colocou tudo num cesto, muito bem enfeitado com folhas de figueira e videira. Disse-me para levar ao Hotel do Peso, onde o Sr. Lino, gerente, apreciava aquelas novidades.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quanto peço bó??&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Pelos figos 1000 reis. Pelas uvas 3000 reis e vê se consegues fazer o que falta para o vestido com os fatões. Depois pega no dinheiro e leva-o à tua madrinha. Se o dinheiro não chegar, diz-lhe que amanhã levas o que faltar. Corre!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E lá foi a rapariga com o cesto da fruta com muito cuidado, vender ao Hotel. O gerente já a conhecia e dava-lhe sempre um pão com manteiga que ela adorava. Costumava regatear o preço das frutas ou dos legumes, mas naquele dia não estava disposto a reclamar nada. Gostara do açafate da fruta e levou-o com ele. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando regressou trazia o pão e tirou do bolso algum dinheiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quanto queres pela fruta toda? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Pelas uvas....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Faz o preço a tudo. Anda, despacha-te que tenho pressa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- 5000 reis...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Leva lá 6 000... A fruta merece isso e muito mais e tu também! - E riu-se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A rapariga correu para a casa da tia, depois de ter agradecido ao gerente a generosa compra. Pagou os 5000 reis e regressou a casa, contentíssima, porque ainda sobrara dinheiro!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-6341776480522336061?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/6341776480522336061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/o-vestido-branco-de-bolinhas-vermelhas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6341776480522336061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6341776480522336061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/o-vestido-branco-de-bolinhas-vermelhas.html' title='O vestido branco de bolinhas vermelhas'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWkTZwpcHQI/AAAAAAAAABg/ghpPAy1bDrY/s72-c/vestido2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-591141174819312624</id><published>2009-01-10T20:21:00.000Z</published><updated>2009-01-10T21:08:07.602Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Petim; orgulho; sandálias velhas;'/><title type='text'>As sandálias velhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWkGTnn-tkI/AAAAAAAAABY/YEAh3BGSniw/s1600-h/sandÃ¡lias+velhas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289766171447309890" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 128px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWkGTnn-tkI/AAAAAAAAABY/YEAh3BGSniw/s320/sand%C3%A1lias+velhas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Morava no cima de vila e era de uma família abastada. Tinha tudo o que uma rapariga da sua idade podia desejar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rica, bonita, estudava num colégio de freiras e todos os anos ia ao Brasil passar férias. Mas mesmo que não fosse para tão longe, os seus familiares poderiam proporcionar-lhe todo o conforto deste mundo. Era filha única!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sempre bem vestida e bem calçada, decerto desconhecia quantos pares de sapatos, botas, sandálias, estariam arrumados pelos armários. Mas isso agora não vem ao caso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma vizinha e familiar viu certo dia um par de sandálias à porta da cozinha. Já muito velhas deve ter pensado que aquelas sandálias seriam deitadas ao lixo, pois a menina rica não as calçaria por certo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem consultar ninguém, uma vez que as viu com ar de sandálias velhas, prontas para o lixo, pegou nelas e levou-as a uma menina que morava perto daquela, numa casa muito modesta e que por sinal, em matéria de sapatos, sandálias e afins, pouco ou nada tinha. Costumava até andar  descalça. Muitas vezes tinha furado os pés com picos e bocados de vidro da calçada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando esta menina vê as sandálias e perguntou se eram para si, a vizinha acenou com a cabeça, fornecendo a informação que a menina rica não as calçaria mais, porque já estavam muito velhas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas para a menina pobre as sandálias estavam optimas! E serviam-lhe na perfeição!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte, contente como um fuso, a menina pobre foi à padaria buscar os habituais petins para todo o dia e, como de costume, passou pela casa da menina rica, onde pendurada na janela sempre a esperava a mãe da tal menina, para lhe pedir que trouxesse pão para si também. Atirava-lhe umas moedas dentro de um envelope que ela apanhava do chão. - E quantos são hoje, Dona? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Traz 10 que já me chega. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;De repente o olhar da Dona pousa nos pézinhos da menina pobre e dispara:&lt;/p&gt;&lt;p&gt; - Onde foste roubar essas sandálias?&lt;/p&gt;&lt;p&gt; - Eu não roubei nada Dona. Foi F.. que mas deu, porque já estavam velhas!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mentirosa! Essas sandálias são da minha filha e toca a tirá-las dos pés antes que te dê uma coça!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sim senhora. Já vou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a menina pobre tirou as sandálias, ficou descalça e subiu-as até à entrada da cozinha.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quando deixares o pão, livra-te de tocar em mais alguma coisa!!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A menina desceu as escadas a custo, porque as suas lágrimas impediam-na de ver. Sentia medo, mas também ódio. Não era justo. Nada tinha roubado e muito menos umas sandálias!... Sabia lá onde encontrar tal coisa!!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De regresso a casa deixou os pães na casa da Dona e seguiu para a sua. Ia muito triste.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando a sua avó a viu nem queria acreditar na sua tristeza e logo indagou o motivo. Ela lá contou a história e disse à avó que a partir daquele dia nunca mais iria trazer pão para a tal Dona.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A filha que fosse como ela às 7 da manhã buscar o pão à padaria, porque para além do mais, tinha bons sapatos e boas pernas!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Avó riu-se mas bem sabia que aquela raiva passaria depressa. A sua neta era dotada de bons sentimentos e já teria perdoado à doida da mulher tanta aleivosia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na tarde desse dia a vizinha que trouxera as sandálias veio visitar a família da menina pobre e logo levou o recado! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Evita trazer seja o que for lá da tua família rica, porque hoje aconteceu uma coisa desagradável!&lt;/p&gt;&lt;p&gt; - O quê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A nossa meina teve que descalçar as sandálias que tu trouxeste porque a Dona disse que foram roubadas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Omessa!!!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-É o que te digo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quem vai tratar do assunto sou eu e é já!!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O acidente já tinha sido esquecido, quando a vizinha, toda contente, veio no dia seguinte com o par de sandálias na mão...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Toma! São tuas! - disse a rir-se de contentamento e orgulho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não as quero, obrigada. Prefiro andar descalça...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vá lá não sejas orgulhosa. Ela não sabia que tinha sido eu a tirá-las e percebeu que tu estavas inocente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mesmo assim. Não as quero, muito obrigada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nessa semana foi com os avós à feira e trouxe um lindo par de sapatos abertos, que fizeram a alegria dos seus passos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quanto ao pão que habitualmente trazia para a Dona, nunca mais o trouxe. Deixou de olhar para a janela onde a Dona se pendurava e ignorou sempre os seus apelos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As crianças também têm orgulho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-591141174819312624?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/591141174819312624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/as-sandlias-velhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/591141174819312624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/591141174819312624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/as-sandlias-velhas.html' title='As sandálias velhas'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWkGTnn-tkI/AAAAAAAAABY/YEAh3BGSniw/s72-c/sand%C3%A1lias+velhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-3059958449149468944</id><published>2009-01-09T16:33:00.001Z</published><updated>2009-01-09T17:11:11.779Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Boneca; Santa Tecla;'/><title type='text'>Não sei se te conto...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWd8-dg6bEI/AAAAAAAAABQ/0GpH6qEjNYc/s1600-h/cinderela+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289333699886345282" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 208px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWd8-dg6bEI/AAAAAAAAABQ/0GpH6qEjNYc/s320/cinderela+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tinha  seis verdes aninhos apenas e uma louca vontade de ter uma daquelas bonecas espanholas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, essas que abriam e fechavam os olhos, de longas pestanas pretas, escondendo lindíssimos olhos verdes ou azuis...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De cabelos loiros aos cachos sobre um corpinho feito de curvas e vestido de cetim...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dessas,  que só em Espanha havia, e eram muito caras! Oh! Se eram...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas como a menina desejava uma dessas bonecas, nem que fosse para ter uma vezinha só no seu colinho...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um belo dia, a mãe chega a casa com uma enorme caixa. Vendo a filha de olhos irrequietos, mortinha por perguntar o que tinha a caixa, a mãe disse-lhe que ali dentro estava uma boneca, igual ou parecida àquela, que ela tanto desejava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O coração da menina palpitou rápido e a respiração ficou ofegante como se tivesse acabado de correr cem metros...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pediu à mãe que lha mostrasse, pelo Amor de Deus... A mãe consentiu com a cabeça, mas primeiro era necessário que a menina se portasse bem, comesse toda a comidinha e fizesse todas as vontades da progenitora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A todas as questões a cabeça da menina disse um mudo, mas sincero "sim".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A caixa da boneca foi para cima do armário da roupa, não fosse a menina abrir a caixa...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A menina estava impaciente. Nunca mais chegava a hora de ver a sua boneca... Porque a boneca era para si, não era????&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, isso ainda era discutível! Se a menina se portasse como uma menina educada talvez, caso contrário a boneca regressaria  ao sítio de onde veio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu Deus, a menina nem queria pensar em tal situação. Acho que iria morrer de desgosto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A menina portou-se lindamente, ao ponto dos pais cogitarem, um dia talvez, lá para o Natal, comprarem uma boneca igual ou parecida!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a menina desconhecia que aquela boneca não lhe estava destinada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passaram escassos dois dias. Dias de sofrimento em que a menina, apenas uma vez, viu a boneca, que lhe fez vir a lágrimas aos olhos. Uma só vez. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A muito custo e a pedido insistente da menina, que já estava cansada de obedecer cegamente a tudo e a todos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cedinho, a menina levantou-se ao terceiro dia com a firme vontade de exigir à sua mãe aquela boneca. Tinha o direito a ela. Afinal portara-se sempre muito bem e qual era o presente que tinha recebido? Ver, uma única vez, aquela bonequinha de olhos fechados, sempre a dormir naquela caixa fria sobre o armário!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando olhou para o armário a caixa já lá não se encontrava...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aflita procurou a mãe, mas esta já tinha saído para o trabalho. O pai estava pronto para sair também. Restava esperar pela hora do almoço. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apeteceu-lhe fazer tudo de errado naquela manhã. Estava furiosa, porque não sabia onde encontrar a sua boneca...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hora de almoço. Logo que a mãe pôs os pés em casa, já a menina estava atrás da porta de entrada e lhe perguntava pela boneca...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Minha filha, tu nem sabes o que aconteceu!!! - Conta a mãe, que sabia mentir como ninguém - A tua boneca fugiu!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-?????&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fugiu pela fechadura da nossa porta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- ??? Como? - disse a menina estupefacta! - Quando? Porquê???&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não sei dizer-te. Eu vi-a sair, mas já não cheguei a tempo de a apanhar! Regressou àquelas casas que estão do outro lado do rio. Vês? Foi para o Monte de Santa Tecla. Lá muito no alto. Perdeu-se por certo!!! Foi embora e nunca mais vai voltar. Tens que acreditar em mim, minha filha!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A menina não quiz ouvir mais nada. Durante muito tempo não saiu do seu quarto. Chorava e dormia, dormia e chorava. Foi impossível alimentá-la e a custo foi bebendo um pouco de leite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em vão foram as promessas de uma nova boneca, de um novo brinquedo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela apaixonara-se por aquela boneca que tinha visto apenas uma vez e quase nem pôde tocá-la!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que fazer?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mãe mostrava ares de preocupada. A filha fora sempre tão franzina, tão achacada a desgostos, sem apetite, sempre com a ameaça de doenças pulmonares...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não devia ter-lhe mostrado a boneca que era para a filha do Doutor da Alfândega! Mas o mal já estava feito...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A menina nunca deixou de olhar para cima do armário na esperança de rever a sua boneca de olhos verdes, vestida de cetim vermelho... Como era linda... E de espreitar pelo buraco da fechadura tão pequeno! Mas como é possível passar por alí uma boneca tão linda como a dela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque é que a boneca fugiu, justamente por alí?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-3059958449149468944?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/3059958449149468944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/no-sei-se-te-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3059958449149468944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3059958449149468944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/no-sei-se-te-conto.html' title='Não sei se te conto...'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWd8-dg6bEI/AAAAAAAAABQ/0GpH6qEjNYc/s72-c/cinderela+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-6172663503552659952</id><published>2009-01-07T14:53:00.001Z</published><updated>2009-01-08T18:06:18.584Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obstipada; chapeu domingueiro;cagado; cánula'/><title type='text'>Dores de barriga</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWTCLvwpQnI/AAAAAAAAABI/SqRfExnU5oY/s1600-h/m%C3%A9dico.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288565369494651506" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 97px; CURSOR: hand; HEIGHT: 109px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWTCLvwpQnI/AAAAAAAAABI/SqRfExnU5oY/s320/m%C3%A9dico.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Era uma vez uma criança que padecia de dores abdominais. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Obstipada quase sempre, recusava uma alimentação saudável, porque era muito mais interessante comer o que lhe apetecia e quando assim o entendia.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Apesar da constante preocupação dos seus avós, com quem vivia e convivia dia e noite, essa criança, como vivia de ar puro, loucas corridas pelos campos, brincadeiras incríveis entre muros cobertos de eras e velhas ruínas de casas de pedra, comia tudo o que fosse fruta verde, gomos de roseira, ervas azedas e outras iguarias. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Daí não ser estranha aquela indisposição abdominal permanente, que dava imensas dores de cabeça a quem, com tanto carinho, dela cuidava.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas havia uma solução que ela detestava. Um clister de água morninha e depois era só esperar o espirro de caca velha, que lhe saía em jacto pelo ánus!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era uma operação muito delicada que envolvia muitos cuidados de higiene e sempre tinha que haver duas pessoas grandes para essa tarefa. É que a crinça era irrequieta demais e ninguém a segurava contra vontade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia desses, de muito calor por sinal, chegou a casa dos avós dessa menina a prima Aida. Essa visita trazia sempre algo de inovador: ou eram notícias da Capital de um tal Senhor Doutor, novidades do filho Vasco, ou alguma tarefa importante...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas como era muito divertido ouvi-la falar, sobretudo das coisas que se passaram com ela na sequência de um acidente de automóvel, que quase lhe levou metade da testa, a menina não desconfiou que a prima estava alí com uma missão diferente: segurá-la enquanto passava o líquido do recipiente, para o seu intestino.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Avó começa a preparar tudo e quando já é chegada a hora do clister a menina é convidada docemente para ir para a alcova. E a menina muito obediente vai! Um olhar de espanto trocaram as primas, que não acreditavam que era dessa vez que menina não faria mais uma das muitas rebeldes cenas de gritaria, pontapés e afins...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegadas ao quarto, a menina sobe para a cama e nega a cánula dizendo que não quer mais aquilo!. Foram muitas as preces, que não ia doer, que ia ser a última, que fazia muito mal o cócó na barriga da menina, etc. etc.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo em vão. Nova troca de olhares. Tinha de ser à força e a mais nova, a prima, é que ia suportar a força primária da criança que não queria clister, coisa nenhuma!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A muito custo lá entrou um pouquinho de água quente. Mas um gesto mais repentino e lá saiu a cánula. Agora é que são elas! As primas nem sabiam como fazer. O diacho da rapariga nem amarrada deixava fazer alguma coisa...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais umas preces, mais uns ralhetes...Nada...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De novo se empenharam na tarefa "contra-vontade". É nesse momento que a menina avista o chapéu domingueiro do seu avô, pendurado na parede tão perto da sua mão. Novinho em folha!! E se melhor o pensa, mais rapidamente o faz, pega no chapéu e cobre o rabito nu que aguardava nova investida!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A prima ri à gargalhada e a avó fica desolada, porque o chapéu vai ficar todo cagado! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não minha filha, não faças isso pelo amor de Deus. O teu avô vai me matar quando vir o chapéu novo dos Domingos nesse estado. Dá-mo cá, por favor....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Eu dou se prometeres que nunca mais me pões isso no cu!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Prometo meu amor, prometo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acabaram os clisteres, embora o aparelho tenha continuado pendurado na porta de acesso à retrete.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas nunca mais se usou e a menina continuou obstipada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-6172663503552659952?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/6172663503552659952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/dores-de-barriga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6172663503552659952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/6172663503552659952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/dores-de-barriga.html' title='Dores de barriga'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SWTCLvwpQnI/AAAAAAAAABI/SqRfExnU5oY/s72-c/m%C3%A9dico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-8521027742682571002</id><published>2009-01-03T21:52:00.000Z</published><updated>2009-01-03T22:57:04.992Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moinho; madrugada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fustigou'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='abafado; alma do outro mundo.'/><title type='text'>Uma alma do outro mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SV_fLNGGYdI/AAAAAAAAABA/CdMswm0gb6E/s1600-h/alma.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287189871143051730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SV_fLNGGYdI/AAAAAAAAABA/CdMswm0gb6E/s320/alma.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Por volta das 4 da manhã, ouvia-se um rumor abafado de corpos saindo das alcovas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fazia-se tudo em silêncio para não acordar a criança. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguém foi à janela e disse que estava escuro como breu. Mas não era problema, levavam-se duas candeias: uma à frente com o Zé e outra mais atrás com a Julieta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A criança choramingou fingindo ter acordado naquele instante. Ouve-se "raios! a rapariga acordou, parece que adivinha..." Deixa lá, o remédio é levá-la e pronto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saíram de casa uma boa meia hora depois com um pedaço de broa e um café no bucho. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lá fora, uma brisa fresca de dia que prometia calor, fustigou as faces do grupo que se pôs a caminho pelos caminhos tortuosos até ao moinho. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alguns levavam às costas sacos de milho para moer e as mulheres cruzavam conversa ensonada. O caminho metia medo. As sombras das árvores ondulavam ao mais pequeno sopro matinal e pareciam fantasmas deambulando à nossa frente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De repende ouve-se um cão. Insistente, o seu latido, acompanhou o grupo durante todo o percurso. Alguém lembrou a mais recente morte de um da terra. Cruzes, não podia ser a sua alma. Talvez fosse o cão dos Monteiro. Não podia ser!! A quinta fica no cimo da vila, muito lá para trás....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não será o da Guida? Esse já morreu faz tempo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Calem-se...escutem. O cão deixou de ladrar, mas ficou um latido pungente, melancólico, como se fosse um choro canino.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foda-se isto tá a merter-me medo. Zé, trás para mais perto a lanterna... Sois uns medrosos!! Não vos cabe um feijão no cu!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso apressar o passo. Estamos perto, mas o que falta do caminho é o pior...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegados a uma encruzilhada alguém pensou na tia Galdina que há muito tempo estava acamada. Coitada, nunca mais ninguém a viu e da última vez até veio a casa dela um doutor da Vila. Mas não havia nada a fazer, segundo o genro. Coitada. Será que morreu?? E se veio despedir-se de nós!!!????&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fez-se um silêncio de morte. Olha, olha foi aqui neste lugar que o Xico da Quina encontrou um cão enorme... tão grande, tão grande que não podia ser deste mundo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cala-te que assustas a criança...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi séria a coisa!!. O rapaz que viu o cão nunca mais falou! Prendeu-se-lhe a língua para sempre!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vamos mas é dar à sola. Este caminho está ensopado. Deixaram correr água por aqui. Bandidos do carago. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já estavam a chegar quando um barulho de folhas secas gelou o sangue do grupo. Calma! Parem! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que é isto? Algum animal que se assustou... Sentiu-se uma respiração ofegante que não era de cão ou então era de cão muito grande!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não pode ser...é uma alma perdida...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vamos para o moinho, depressa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao regressar a casa alguém correu a dar a notícia. A tia Galdina tinha morrido de madrugada!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-8521027742682571002?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/8521027742682571002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/uma-alma-do-outro-mundo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/8521027742682571002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/8521027742682571002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/uma-alma-do-outro-mundo.html' title='Uma alma do outro mundo'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SV_fLNGGYdI/AAAAAAAAABA/CdMswm0gb6E/s72-c/alma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-762839970732387805</id><published>2009-01-03T18:10:00.000Z</published><updated>2009-01-03T18:45:42.668Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='murro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência conjugal. fussa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saldada a dívida'/><title type='text'>Violência conjugal ...depois da morte</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SV-qp1UKymI/AAAAAAAAAA4/GK6kYF2q5VU/s1600-h/voo+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287132123219282530" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 70px; CURSOR: hand; HEIGHT: 119px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SV-qp1UKymI/AAAAAAAAAA4/GK6kYF2q5VU/s320/voo+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa aldeia pequena, cheia de mistério, nasceu uma menina enfezada, quase raquítica, numa família de pequenos agricultores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O dia do seu nascimento foi sempre uma incognita... Na realidade nem a mãe e muito menos os avós sabiam ao certo quando essa criança havia nascido para a vida...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas isso não era importante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cresceu entre sopas de vinho, pão azedo cozido às quintas-feiras e muito amor dos avós. Era mais ou menos educada embora dissesse todo o tipo  de asneiras, situação que merecia o riso dos grandes pela mestria e oportunidade no seu emprego e também uns bons açoites por parte de quem a queria educada e fina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando chegou a hora de casar, casou. Contrariando os seus progenitores e não valendo de nada todos os conselhos que recebeu para que não fizesse tal asneira. Mas, quem pensa não casa e quem casa não pensa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia, aborreceu-se da vida que levava e quiz terminar tudo... Mas foi impossível, pelo que o castigo era continuar casada, independentemente da sua nova vontade. "Gramou" anos a fio uma vida aborrecida, cheia de desaires económicos, morta de tédio....&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando chegou o dia do juízo final quiz que a sua alma fosse entregue ao Senhor, dentro dos canônes que sempre professou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim aconteceu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Embora não fosse muito cristão, quiz ser cremada e é então neste momento que acontece uma coisa nunca vista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;SãoPedro convidou a alma dessa mulher a exibir as qualidades que poderiam abrir-lhe as Portas do Céu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mulher um tanto confusa entre a "visão" do seu corpo inerte dentro de um caixão e toda a assembleia chorando baba e ranho, vira-se para  São Pedro e pergunta-lhe:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- São Pedro, vês aquele homem sentado no primeiro banco da Igreja, ao lado de uma pessoa loura?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vejo...É o teu marido!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pois é. Parece estar triste, mas na realidade vai ficar bem de vida. Fica com 65% da minha pensão...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;_ ????&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Será que posso ter um último desejo antes de arder para sempre?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vou conceder-te tal desejo se for para enaltecer a tua alma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- São Pedro permite-me que lhe dê um par de murros naquela fussa que foi uma coisa que nunca pude fazer enquanto vivi...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas minha filha, isso não serve para enaltecer a tua alma e não deixa de ser pecado...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Pecado foi ter aguentado uma vida imensa o traste do homem e nunca me ter sido dada a possibilidade de fazer justiça...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Pois seja. Mas isso tem de ir a Conselho Superior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para espanto de todos, um ventinho frio passou pela assembleia e parou junto ao viúvo. Como por magia, leva um murro no nariz que o prosta por terra. Tudo e todos ficaram sem respiração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois a mulher olhou para o seu corpo inerte...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estava saldada a dívida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltou ao seu corpo e antes de arder em Paz, foi a Conselho Superior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-762839970732387805?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/762839970732387805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/violncia-conjugal-depois-da-morte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/762839970732387805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/762839970732387805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2009/01/violncia-conjugal-depois-da-morte.html' title='Violência conjugal ...depois da morte'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SV-qp1UKymI/AAAAAAAAAA4/GK6kYF2q5VU/s72-c/voo+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-5261647446536066474</id><published>2008-12-28T22:02:00.000Z</published><updated>2009-01-09T16:27:57.709Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lápide; Flor; gatilho; castelâ;'/><title type='text'>A castelã</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVf4xe4HDZI/AAAAAAAAAAw/Y40VrqTVdx0/s1600-h/DSCF3297.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284966216728251794" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVf4xe4HDZI/AAAAAAAAAAw/Y40VrqTVdx0/s320/DSCF3297.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma princesa que vivia num castelo medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filha de pais abastados, teria sido criada e educada para um dia assumir os destinos do castelo e seu reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quiz o destino que assim não fosse. A sina desta princesa foi bem diferente e ainda não se sabe porquê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia de Maio quente nasceu uma menina. O seu nome ainda não era conhecido, porque se esperava mais um varão. Mas os pais dessa princesa não tinham dúvidas quanto ao nome que lhe iriam dar no dia do seu baptizado, caso fosse menina: Flor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Flor foi irmã de seis rapazes e foi considerada como a mais querida prenda de Deus. Uma menina que foi tão desejada ao longo dos anos! Os seus pais já nem acreditavam que algum dia pudessem contar na sua prole com uma princesinha igual. E a Flor era mesmo uma flor. Muito linda, de rostinho redondo, cabelinhos encaracolados alourados e uns olhos muito expressivos. Fez a delícia dos progenitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte ao do seu nascimento toda a família, incluindo os seis irmãos foram aos aposentos da mãe ver a sua linda irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais pequeno dos irmãos, o Pedrinho, reparou num promenor da face da Flor! Tinha uma mancha vermelha que parecia uma flor e que lhe cobria parte da face esquerda até à tempora. O Pedro ficou a olhar e interpelou a mãe: - Porque é que ela tem esta flor na cara, mãe??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe já esperava aquela observação e responde serenamente que a irmã se chamava Flor, porque tinha querido Deus que ela viesse assinalada com aquela flor na cara, que era uma rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então ela devia chamar-se Rosa e não Flor!...&lt;br /&gt;- Vamos repensar no nome da tua irmã, Pedrinho. Mas agora deixa-a dormir. Está muito cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De regresso a casa, o pai de Flor vai rapidamente verificar como estão as suas duas meninas e a mãe de Flor conta-lhe o episódio passado com o Pedrinho.&lt;br /&gt;O pai argumenta que a tese do filho não deixa de ter uma certa razão. Afinal, o nome Flor, não especifica por si só, uma flor.&lt;br /&gt;Podia ser um lírio, um cravo, uma margarida, uma madressilva, uma dália, uma rosa, uma açucena, umá azália, qualquer flor...&lt;br /&gt;&lt;p&gt;- Mas a questão não está na especificação da flor e sim no significado próprio de FLOR! Percebes? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não entendo...diz o pai desolado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quando a nossa menina nasceu, pensamos que viria mais um rapaz, não foi?  - explica a mãe com jeito de sabedoria incondicional - Quando nos deparamos com uma menina eu pensei logo que algo de muito valioso tinha acontecido na nossa vida! A nossa Flor vem assim como prenúncio de pessoa bonita, agradável, coisa excelente, delicada, jovem, elegante... tal qual uma flor quando desabrocha na Primavera!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mas continuo a não ver porque se não há-de chamar Rosa em vez de Flor!?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não percebes...Flor é muito mais abrangente. Se pensares numa rosa pensas na sua cor, no seu estilo, nas suas pétalas, nos seus espinhos...Mas se pensares em flor, pensas em múltiplas pétalas, múltiplas cores, múltiplas formas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A conversa ficou morna e sem fim à vista. Era caso para pensar...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Podia chamar-se Rosa Flor, ou Flor de Rosa, ou Rosiflor... Ah!... não é a mesma coisa. Flor, simplesmente Flor e não se fala mais no assunto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Flor cresceu no meio de uma família marcada pelo sexo masculino. Apenas a mãe percebia das "coisinhas" que as meninas às vezes reclamam por serem meninas. Nas brincadeiras era mais um rapaz, igual ou pior que os seus seis irmãos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia muito feio, muito triste, três dos seus irmãos brincavam com a Flor na sala. Os pais estavam ausentes, não muito longe do local onde eles se encontravam. Um deles encontrou, por acaso, uma arma de caça do pai e, brincando às caçadinhas, apontou-a à Flor e ao Pedro que estavam juntos a brincar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rindo os quatro com a brincadeira do irmão, não tiveram tempo de fazer mais nada... A criança puxou o gatilho da arma que infelizmente estava carregada e dispara certeira à cabeça de Flor que cai inanimada no chão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por sorte o Pedro saiu ileso, uma questão de centímetros. Ainda assim foi empurrado com a queda da irmã.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os pais gelaram de medo quando ouviram o tiro e num tiro puseram-se os dois em frente à cena do crime...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Flor seria enterrada no dia seguinte. Foi o dia mais triste e mais negro daquela família. A castelã, única, desejada, jovem e linda Flor, partira para sempre...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A sua lápide dizia simplesmente: "Até já Flor"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-5261647446536066474?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/5261647446536066474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2008/12/castel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5261647446536066474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/5261647446536066474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2008/12/castel.html' title='A castelã'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVf4xe4HDZI/AAAAAAAAAAw/Y40VrqTVdx0/s72-c/DSCF3297.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8985421040961165570.post-3379048290789930421</id><published>2008-12-19T00:28:00.000Z</published><updated>2008-12-22T22:21:19.879Z</updated><title type='text'>As teias das aranhas</title><content type='html'>&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SUrsAGiAXgI/AAAAAAAAAAM/uta3JLqlKIg/s1600-h/Livros.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281292999542726146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 116px; CURSOR: hand; HEIGHT: 116px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SUrsAGiAXgI/AAAAAAAAAAM/uta3JLqlKIg/s320/Livros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era soqueiro e tinha uma oficina  feita de madeira com quatro metros quadrados. A oficina tinha uma janela que estava sempre fechada e uma porta sempre aberta para um pátio sobre o qual pendia uma velha videira de uvas morangueiras, que exalavam um perfume doce, durante o Outono.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Era uma figura pequena, magra e curvada pelo peso dos anos. No seu nariz adunco, pousavam umas lunetas muito antigas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Andava devagar, porque as pernas já não eram como outrora, quando o levavam para qualquer lado onde houvesse festa. Ele era primeiro violino na Banda. Tocava com a alma e o coração, mesmo sem nada receber em troca.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As suas mãos eram únicas!. Não sei se preferia vê-las a dedilhar as cordas do violino ou a cortar à navalha o couro duro dos socos...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era também meu professor de solfejo, porque o meu pai queria a todo o custo que a filha tocasse concertina, mas tinha que ser por música, que de ouvido não era grande coisa...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto eu solfejava, o Tio Diniz,  cortava a madeira e o couro para fazer os socos. Eu olhava para a navalha e admirava a facilidade do corte e de como era certeira e não se desviava do risco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhava para as suas mãos magras, calejadas, muito firmes... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo servia para me distanciar do solfejo, que era uma seca! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele advinhava os meus pensamentos e fazia-me repetir a escala, quando me sentia distraída.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia senti-o um pouco nervoso, mas não me atrevi a perguntar nada. O respeito era muito. Contudo algo se teria passado, porque estava "azedo", mordaz e logo me preveniu que não admitia distracções. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a aula começou: comigo no solfejo e o Tio Diniz com a navalha de cortar couro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por um instante, não sei bem o que se passou, mas algo nos distraiu... Qualquer coisa que sombreou a oficina e fugiu à frente da porta e que nos fez parar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num instante o Tio Diniz golpeou um dos seus dedos com aquela terrível navalha! Arregalei os olhos e parei de solfejar. Não tirei mais os olhos da mão que sangrava muito. Levantou-se, resmungou qualquer coisa que não percebi e disse-me para continuar a solfejar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não queria desobedecer, mas a sua mão sangrando prendia-me a atenção e perguntei-lhe se não queria que fosse chamar a mulher. Respondeu-me com um não muito assertivo. Ele trataria do assunto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os meus olhos saltitavam entre o livro de solfejo e os passos dele. Apertando a mão ensanguentada, dirigiu-se a uma parede da oficina. Olhou para cima. Olhou para o outro lado, para a esquina da outra parede. Parecia procurar alguma coisa... Mas o quê? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fiquei estupefacta quando o vi envolver o dedo e parte da mão numa enorme teia de aranha acizentada e poeirenta!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando voltou ao seu lugar a hemorragia já estancara. Voltou-se para mim e disse-me que as aranhas e as suas teias, ao contrário do que muita gente pensa, não servem apenas para apanhar insectos voadores. Servem sobretudo para fazer parar as hemorragias!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Muitos anos se passaram depois deste episódio. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas sempre que vejo as teias de aranhas,  recordo aquele dia e não tenho dúvidas que na natureza está a satisfação de todas as nossas necessidades, mesmo aquelas que nos parecem absurdas.  &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8985421040961165570-3379048290789930421?l=oscontosdemarya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/feeds/3379048290789930421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2008/12/as-teias-das-aranhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3379048290789930421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8985421040961165570/posts/default/3379048290789930421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oscontosdemarya.blogspot.com/2008/12/as-teias-das-aranhas.html' title='As teias das aranhas'/><author><name>Os contos de Marya</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09704115579753184179</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SVADVr1YWOI/AAAAAAAAAAY/IFYxE_TTG6U/S220/Treinos+para+Santiago+001.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jB6HYQXJQLc/SUrsAGiAXgI/AAAAAAAAAAM/uta3JLqlKIg/s72-c/Livros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
