sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pontos de vista diferentes...


A vida é como uma janela! Dela podemos visualizar muitas coisas ou coisa nenhuma!

Tinham passado mais ou menos dez anos desde que se conheceram. Tinha sido "amor à primeira vista", não se sabendo muito bem se era, de fato, amor ou apenas o apelo a uma união, porque um já cansado da má vida e outra sedenta de uma vida boa, desejavam mudar.
Casaram e viveram como a maioria dos casais da época. Pouco sexo, muita discussão e nenhuma razão.
Nasceram dois filhos dessa união e tardiamente veio outro. Ainda os primeiros eram crianças e a união tornou-se insustentável. Faltava quase tudo: amizade, companheirismo, cortesia, fidelidade, respeito...
Era inevitável a separação, mas na hora da decisão final surgiram os imprevistos. Estes, intransponíveis: não havia apoio familiar, ninguém queria "meter a colher", não era justo, não era bonito, os pais dela não a queriam divorciada, os dele já não existiam, faltavam recursos econômicos e era fatal como o destino que, assim, tinham que se gramar a vida toda.
Lembravam as promessas de casamento: amar, ser fiel, até à hora da morte!!
Lindo, mas inconcretisável. Só uma de duas soluções era possível nesse quadro familiar: deixar tudo para trás ou aguentar até onde fosse possível.
E foi o que aconteceu até ao desaparecimento de um deles.
Era bom, muito bom, que durante esses longos e infernáveis anos de vida em comum, alguma coisa fosse possível alterar. Mas não foi. Aguentaram, é o termo. Valeu a pena? Claro que valeu! O que seria da família se qualquer deles desistisse do contrato? A ruína, a falência familiar ou simplesmente uma enorme dor de não terem inventado outra solução!
A "janela" estava aberta mas a "paisagem" era monótona. Era uma perspetiva! Podia ser outra. Qualquer outra. Tinham que inventar uma "nova paisagem". Por momentos foi possível, com recurso a muita coragem e também sacrifício.