quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Memórias de Natal






O Natal ainda vinha longe... Mas já se pensava no que se haveria de oferecer à pequenada.




Um menino irrequieto, nascido extemporaneamente, com apenas dois anos incompletos mantinha-se imóvel e interessado numa série televisiva onde o protagonista era uma figura da ficção científica dada pelo nome de Alf.
O Alf era um misto de animal humano, com um nariz enorme de papa formigas, olhos de cão astuciosos, orelhas de perdigueiro, que falava e se movia como os humanos. Tinha um humor refinadíssimo e só fazia asneiras na casa de uma família que o acolheu, quando por destino ou engano "aterrrou" no Planeta Terra!
Essa série, era de tal forma popular, que até os grandes adoravam vê-la no pequeno ecran. O dito menino sempre que a via emitia um som semelhante a um OHOH, tipo Pai Natal, apontando com o dedinho sempre que o protagonista entrava em cena.
A família entusiasmada pelo comportamento dedicado à série e ao Alf, resolveu adquirir um exemplar do dito, para prendinha natalícia.
E assim aconteceu. Só que não existiam, à data, no mercado bonecos suficientemente parecidos com o Alf o que obrigou a família a procurar noutros destinos, mais precisamente em Inglaterra de onde o boneco era oriundo.
Felizmente um amigo que se deslocou àquele país encontrou exatamente o boneco perfeito, um verdadeiro clone do Alf, só não falava nem fazia asneiras! Mas era igualzinho, em tamanho, cor e forma. Só não se locomovia.
A família delirava só a pensar na reacção do puto quando visse a figurinha do seu herói preferido ali tão perto à mão de semear...
Entusiasmados suspiravam pelo dia de Natal. A caixa que o transportava foi para cima do armário para não se correr o risco de alguém a abrir antes do tempo!

E o Natal chegou, enfim...
Lá veio o Pai Natal, representado pela irmã mais velha, que naquele ano se esqueceu de tirar as pulseiras dos pulsos e depois de se ouvir o sino da Igreja bater as badaladas para a Missa do Galo, como era hábito. Aquele era o sinal de aproximação do Pai Natal e o menino quando se apercebeu do reboliço natural procurou as saias da mãe numa atitude de defesa.

-Olha lá vem o Pai Natal...

- Não queres abrir a porta ao Pai Natal?
E a criança numa atitude assustada e medrosa ia respondendo que "não" com a cabecinha, escondendo-se atrás da mãe.

Chegou o Pai Natal , vestido e calçado a rigor e com o famoso OHOH!. Mas nada mais dizia, não fosse a voz estragar a surpresa e denunciar a irmã!

O menino não arredava pé das pernas da mãe.

-Vê o que o Pai Natal nos trouxe...
-Vamos abrir o saco??
Qual saco? Ele não tirava os olhos do Pai Natal e já se começavam a ouvir uns risinhos denunciadores...
- Então? Não querias ver o Pai Natal?
E mais uma negação explicita, seguida de uma fuga para as pernas do pai. Talvez a mãe estivesse a insistir demais na decisão de "atirar" a criança para o saco das prendas ou pior, para os braços do Pai Natal!!!!...
Este despediu-se no momento certo, quando já todos apertavamos as pernas de tanta vontade de rir!.
E a primeira prenda sai do saco.
- Vamos abrir??
A criança recuperara a confiança porque entretanto chegara o ex-pai natal à sala e na sua simples linguagem o puto queria dizer à irmã que o Pai Natal estivera em casa e trouxera as prendas.
Que maravilha!!! Vamos lá ver o que ele trouxe...
A caixa continuava inerte no meio da sala. A criança não mostrava o menor interesse em abrir e foi um dos adultos que ajudou...
E eis que o Alf, apareceu como se tivesse saltado do ecran para o meio da sala!
- Que lindo! Olha, quem é?
Foi neste momento que tudo parecia virtual: a criança negou aproximar-se do dito personagem e não o quiz nem à lei da bala!
Foi o desespero total. Todos queriam apreciar um longo abraço entre o actor e o fã, mas não, foi o contrário! O fã detestou a ideia de tirarem o personagem da tela e não o quiz de forma alguma fora da caixa.
Entretanto, como havia outras prendinhas, prendeu-se com elas e desvalorizou a prenda principal!
Foi um Natal...diferente!