
Era guarda fiscal e nas horas vagas apicultor. Vivia numa casa rodeada por pequenas parcelas de terreno em socalcos e toda a propriedade era fechada com um enorme portão de ferro.
Com ele viviam também duas filhas gémeas muito bonitas e na casa dos 20 anos mais ou menos.
Era muito bem falante, tinha um rosto triangular e a sua figura quando fardado, lembrava um cavaleiro.
Desconhecia-se o estado civil e quem era a mãe das filhas. Era pouco dado a conversas com estranhos e nunca falava da sua vida privada.
Com os colegas mantinha uma certa distância. Era orgulhoso e muito vaidoso.
Fez amizade com um casal que tinha duas filhas e uma delas, a mais velha, tinha muito jeito para aprender coisas novas, mesmo que fossem difíceis. Gostava sobretudo das coisas ligadas à natureza.
Em conversa com a mãe dessas duas meninas, o apicultor, exultou a ciência de cuidar das abelhas e o bem que fazia ter um cortiço ou dois no seu terreno para poder tirar o mel, imprescindível à alimentação e à saúde. A mãe comentou ao jantar que o guarda fiscal tinha cortiços com abelhas e tirava muito mel durante o ano.
Perguntou às filhas se não queriam aprender a lidar com as abelhas. A mais nova disse que não, porque picavam, mas a mais velha mostrou-se curiosa.
Certo dia a mãe pediu ao guarda fiscal para que mostrasse às filhas os cortiços das abelhas e se elas gostassem, se ele podia ensinar alguma coisa a respeito. Disse logo que sim e que ensinaria tudo o que soubesse.
E lá foram as meninas para casa do apicultor, que as apresentou às filhas.
A mais velha das meninas reparou em tudo ao seu redor: como e o que tinham em casa, no terreno à volta da casa, como eram lindas as gémeas, como uma delas varria a sala, onde havia muita poeira e tudo o resto que que fosse diferente e interessante.
Reparou também que as gémeas pouco ligaram ao pai e às recém chegadas, ignorando simplesmente a sua presença.
Depois o guarda fiscal levou as duas irmãs para verem as abelhas, mas de longe, para que não fossem picadas.
Mostrou-se muito solicito e sobretudo muito didático. A sua atenção virou-se exclusivamente para a mais velha das duas e qualquer explicação ia sempre acompanhada de um abraço terno e paternal.
As irmãs gostaram muito da tarde e comentaram com a mãe. Foram a casa do guarda mais umas duas vezes, para ver outra vez as abelhas e pouco mais.
O guarda nunca as deixava sózinhas a não ser numa dessas tardes que disse às filhas para ficarem com a mais nova enquanto ele ensinava umas coisas à mais velha.
As gémeas consentiram, mas a irmã mais nova não quiz deixar a irmã e foi atrás dela. Tudo se passou com a máxima normalidade.
A irmã mais velha reparou nalgum nervosismo do guarda, que não parava de dizer à mais nova que ela podia ficar a brincar com as gémeas em casa, porque não percebia nada de abelhas, como se a mais velha já fosse muito entendida no assunto.
Propôs então a subida aos socalcos, onde havia muitas flores e as abelhinhas iam buscar o pólen para fazer o mel.
As mocinhas lá foram entusiasmadas. As gémeas que nunca saiam de casa vieram ao encontro do pai e fizeram questão em acompanhar o grupo.
Distanciaram-se um pouco e chamaram pela mais nova das irmãs, ficando o guarda sozinho com a mais velha.
Estrategicamente parou num ponto do muro que dividia os socalcos e onde havia um pequeno buraco e atraiu a rapariga para ver o que estava lá dentro. A rapariga olhou para o grupo da frente e reparou que iam sair do seu alcance, mas como estavam perto, acedeu ao convite.
Aproximou-se do buraco e tentou espreitar lá para dentro, mas não viu nada. Quando se virou para dizer que nada tinha visto o guarda abraçou-a e deu-lhe um beijo na boca. Surpreendida a rapariga desembaraçou-se do guarda e fugiu atrás do grupo onde estva a irmã.
Mal as alcançou disse à irmã que iam embora naquele mesmo momento. Quer as gémeas, quer o guarda, tudo fizeram para as segurar mais um tempo. Mas foi em vão.
Quando chegou a mãe, perguntou como fora a tarde na casa do guarda. A mais velha respondeu secamente que nunca mais lá voltaria.
A mãe ficou admirada e perguntou o porquê de tal atitude.
- Não vou mais, já disse. E escusa de me obrigar, porque não vou!
- Porquê? Que foi que te fizeram?
- Nada. Não quero ir mais. Prefiro ficar em casa a passar a ferro...
- Como queiras. E tu também não queres ir para lá? - perguntou à mais nova.
- Não.
A conversa ficou por ali, mas a mãe sabia que as filhas não desistiam assim, sem mais. Resolveu indagar por conta própria. Afinal não se sabia muito dessa gente, a não ser sobre o comportamento profissional do guarda.
Falando com alguém que conhecia muito pessoas, porque era uma cabaneira de mão cheia, foi sabendo que ali, naquela casa e naquela família, havia muito mistério!...
Constava-se até que ele abusava das duas filhas.
A senhora não quiz saber mais nada! Resolveu falar de imediato com a filha mais velha sobre o que realmente se passara, e porque não queria mais saber de abelhas e de apicultura.
A filha não disse nada, mas não lhe faltou vontade para dizer à mãe que ela acreditava em tudo e todos e muitas vezes a colocava em perigo.
Resolveu ficar calada. A mãe percebeu que algo se passara, mas não ia tirar nada a não ser o silêncio da filha.
Mais tarde, o guarda comentou com a senhora que as filhas nunca mais lá tinham ido e se se passara alguma coisa que elas não tivessem gostado. A mãe não comentou nada, desculpou as filhas pela ausência, devida ao recomeço do ano escolar e a coisa ficou por ali.
As gémeas deixaram o pai sozinho e partiram para sempre. Nunca mais se ouviu falar delas, mas do pai comentou-se que abusara de uma menina da mesma idade das duas irmãs e por isso ia responder em juízo.
O pedófilo, guarda e apicultor era useiro e vezeiro nesse tipo de comportamento.
Quando o caso já não era segredo, a mãe, preocupada, perguntou à mais velha se ele tinha abusado dela.
- Não abusou, mas faltou pouco!
A partir daí as irmãs nunca mais foram entregues a pessoas a não ser da família directa.

Pena as abelhas em vez de mel não lhe terem dado umas boas ferroadas num sítio que cá sabemos... tão cedo não quereria saber de festarola com ninguém... e com sorte deixava de querer abusar de flores!
ResponderExcluirComo não é com fel que se apanham moscas, ele tentou mel... PORCO! :P