
Desejava muito um vestido todo branco, cintadinho, manguinhas curtas e com bolinhas vermelhas...
Fez esse pedido à mãe, mas só a Avó lho concedeu.
Um dia foram à vila e numa loja de fazendas escolheram as duas o tecido. O empregado da loja disse que para um vestido para tão franzina rapariguinha, não levava muito pano. Por isso, qualquer duas alturas, contando um pouco com a roda do vestido e mais uns laçarotes, era suficiente.
- Ela quer um tecido todo branco com bolinhas vermelhas! Tem??
- Parece que há por aqui alguma coisa parecida, se bem que a moda agora não é nada dada às bolinhas...
- Esta "chita", parece-lhe bem? É forte e ainda dá para o resto do Verão, se o vestido for confeccionado já!!!!
- Eu quero este bó. É mesmo este!
- Quanto custa o metro?
E lá vieram com o pacote do tecido. Pelo caminho a Avó disse à neta que agora o mais difícil era encontrar quem fizesse o vestido!
Talvez a Maria do Lindolfo desse um jeitinho. Vamos ver!
A Maria estava muito doente e há muito tempo que não pegava em trabalhos de costura. Tinha a espinha lixada e já não via muio bem.
Então quem poderia fazer o vestido para a rapariga o poder "estrear" no Domingo, como ela tanto queria?
- Já sei! Vais á tua madrinha e tia! Sim, porque ela é modista e fazer o vestido não vai ser nada difícil...
- Bó eu não vou lá pedir nada!
- Porquê? Não vejo qual é o teu problema. Sabes onde ela mora e se é a tua madrinha, para alguma coisa servirá. Levas o pano e dizes como queres o vestido. Depois perguntas quanto é que te vai levar por fazê-lo. O resto é comigo...
No dia seguinte a rapariguinha foi à madrinha com o embrulho debaixo do braço. Ia indecisa e pouco confiante. Nunca escondeu que aquela ala familiar não lhe era muito querida. As tias, por parte do pai, nunca foram com a sua cara e tão pouco a rapariga tinha algum carinho por elas. Além disso, a rapariga aprendera música e mostrava estar virada para coisas mais finas. Ao contrário, as tias achavam que ela devia pegar muitas vezes na enchada e na vassoura, que em concertinas e outras desnecessidades....
- Bom dia tia. A minha avó pede-lhe o favor de me fazer um vestido. Tenho aqui o pano. Pode ser?
- Mostra lá...
- O Verão tá quase no fim. Para que queres tu um vestido de Verão?
- Gostava muito, se não fosse maçada...
- Quando o queres pronto?
- Queria vesti-lo no Domingo...
- Não pode ser. Tenho muito que fazer e além disso é preciso lavar primeiro o pano, senão encolhe...
- A tia é que sabe.
- Quando posso vir buscar?
- Primeiro tens que o provar. Passa por aqui lá para quinta-feira da semana que vem.
- Ah! A minha avó pergunta quanto é que vai custar o vestido...
- Depois eu vejo. Depende do trabalho que ele me der.
- Obrigada.
Na tal quinta provou o vestido. Achara-se linda e era mesmo aquele feitio com que tinha sonhado!!
Passados uns oito dias o vestido estava pronto.
- A tia já sabe quanto é o trabalho, para eu dizer à minha avó??
- Já. 5ooo reis e olha, é por ser para ti...
Regressou a casa com um misto de alegria e dor. Como é que a avó tinha 5000 reis para pagar o vestido à tia madrinha?? Onde é que ela os iria buscar?
- Então minha filha, já tens o vestido?
- Já sim bó...
- Quanto é que ela disse que custava?
- 5000 reis...
- O quê???
- E disse-me que esse preço é por ser para mim...
- Olha uma destas! Por ser para ti, ela nem devia levar um tostão, quanto mais 5000 reis!. Não te preocupes. Vou dar um jeito, minha filha...
A rapariga bem viu o ar preocupado da avó que queria tudo, menos ficar a dever um centavo àquela gente...
No dia seguinte a avó foi à figueira e retirou os figos mais bonitos. Havia também uns "fatões" cor de púrpura que só nós tínhamos no quintal e umas uvas "colhão de galo" cuja cor variava entre o rosa vítreo e a cor de mel.
Colocou tudo num cesto, muito bem enfeitado com folhas de figueira e videira. Disse-me para levar ao Hotel do Peso, onde o Sr. Lino, gerente, apreciava aquelas novidades.
- Quanto peço bó??
- Pelos figos 1000 reis. Pelas uvas 3000 reis e vê se consegues fazer o que falta para o vestido com os fatões. Depois pega no dinheiro e leva-o à tua madrinha. Se o dinheiro não chegar, diz-lhe que amanhã levas o que faltar. Corre!
E lá foi a rapariga com o cesto da fruta com muito cuidado, vender ao Hotel. O gerente já a conhecia e dava-lhe sempre um pão com manteiga que ela adorava. Costumava regatear o preço das frutas ou dos legumes, mas naquele dia não estava disposto a reclamar nada. Gostara do açafate da fruta e levou-o com ele.
Quando regressou trazia o pão e tirou do bolso algum dinheiro.
- Quanto queres pela fruta toda?
- Pelas uvas....
- Faz o preço a tudo. Anda, despacha-te que tenho pressa.
- 5000 reis...
- Leva lá 6 000... A fruta merece isso e muito mais e tu também! - E riu-se.
A rapariga correu para a casa da tia, depois de ter agradecido ao gerente a generosa compra. Pagou os 5000 reis e regressou a casa, contentíssima, porque ainda sobrara dinheiro!!

Não te imaginava tão empenhada no desenvolvimento do tua sempre fantástica creatividade...Sempre foste creativa, fosse para entreter mais uma dor de barriga que em pekeno me apareciam,com a tecnica da ''mao kente em sentido de relogio'', fosse pa arranjar maneira de que mais um animal fosse para a nossa casa pq um dos teus filhos, potentores de enormes sentimentos de caridade para com os animais,lá vinha com um debaixo do braço na mítica ''casa das bicicletas!!''...Bons Tempos...
ResponderExcluirMas bem...Gosto muito dos teus poemas e acho que deves continuar a exprimir os teus pensamentos desta forma...
Um beijinho do teu Filho mais novo...